Marcelo Cocatto é produtor de feijão no município de Rolândia. Com bagagem em grãos – além da soja, também aposta no milho e trigo – ele resolveu dar uma chance para a leguminosa há oito anos e decreta: “Nos anos em que a produtividade foi boa, o retorno foi interessante, inclusive compensando as safras ruins”.

Ele explica que o grande problema de apostar no feijão (no caso dele, uma variedade do carioca) é a inconstância do clima. No ano passado, por exemplo, que felizmente só apostou cinco alqueires da área, a produtividade ficou em míseras 20 sacas por alqueire. “Em 2019, plantei dez alqueires ficamos em 40 sacas por alqueire, ainda longe do ideal, de 60 sacas. O plantio foi em 25 de fevereiro, a safra começou bem, com duas boas chuvas. Depois veio o sol na época da granação e muitas vagens não vingaram. De qualquer forma, depois a chuva retornou e a qualidade acabou sendo boa”, relata Cocatto, que realizou a colheita no dia 7 de maio.

A grande dúvida então é sempre no fator clima. Das oito safras, ele relata que em três teve êxito e o produtor de fato ganhou dinheiro. Ele lembra como um ano ruim, por exemplo, 2015, quando a geada simplesmente dizimou toda a cultura. “Hoje o custo gira em torno de R$ 5 mil por alqueire. Neste ano fiz só um aplicação de inseticida associada a fungicida. O meu maior investimento fica é em nutrição.”

Em relação ao mosaico dourado, Cacatto diz não ter problemas porque aposta na cultivar IPR Celeiro, do Iapar, que é resistente à doença parcialmente, ou seja, as plantas podem ser infectadas pelo vírus, porém, reagem com sintomas fracos da doença e danos reduzidos. Vale dizer que a variedade é desenvolvida pelos métodos tradicionais de melhoramento genético (sem transgenia).

Para o produtor, a chegada de cultivares transgênicas no mercado seria interessante. Ele não fica com o pé atrás quando o assunto é o combate a doenças. “Ano retrasado plantei uma cultivar comum e acabei fazendo sete aplicações de inseticida e mesmo assim não controlei a mosca branca (transmissora do mosaico). Como tem muita soja verde nessa época, ela acaba saindo da lavoura (da oleaginosa) e indo para o feijão. Acho que para nossa região, uma cultivar transgênica valeria muito a pena.”

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