No Estado, pouco mais de 65% dos 230 mil hectares foram colhidos, expectativa é de finalizar até o dia 10 de junho
No Estado, pouco mais de 65% dos 230 mil hectares foram colhidos, expectativa é de finalizar até o dia 10 de junho | Foto: Arquivo FOLHA

A segunda safra de feijão do Paraná está com a colheita em reta final. Até aqui, pouco mais de 65% dos 230 mil hectares já foram colhidos, com a expectativa de finalizar até o dia 10 de junho. A produção esperada, pelo último relatório do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento) é de 408,7 mil toneladas, incremento de 47% comparado a mesma safra do ano passado.

Mais do que as doenças, as variações climáticas são o “calcanhar de Aquiles” da produção paranaense. Aliás, são elas que justificam esse incremento significativo da produção da safra atual. “Esse aumento representa uma recuperação da produção após a quebra de 25% registrada na primeira safra por problemas climáticos. A região de Ponta Grossa representa 27% da área plantada, seguida de Pato Branco (17%), Francisco Beltrão (14%) e Guarapuava (13%). Nossa expectativa agora é que a chuva não venha durante esta fase de colheita. Não pode acontecer de chover três a quatro dias seguidos. Estamos com 90% de maturação e 10% de frutificação”, explica o economista do Deral, Methodio Groxko.

Em relação ao crescimento da área em 8%, para Groxko, a justificativa está nos melhores preços do feijão no primeiro trimestre, que animou os produtores para o plantio. A saca do feijão de cor, por exemplo, chegou a ser comercializada por R$ 313 em fevereiro. Com uma melhor produção, a pressão sobre os valores, claro, agora é maior. “Está acontecendo o inverso: com oferta maior, preços devem cair”. Em abril, a mesma saca do feijão carioca estava sendo comercializada a R$ 117.

Por outro lado, muitos municípios estão deixando gradativamente o feijão de lado. O engenheiro agrônomo do Deral, Sérgio Empinotti, de Ivaiporã, relata que nas 22 cidades do núcleo a troca da leguminosa pela soja é clara. “Depois da soja, as áreas caíram bastante. O que temos até aqui são 30% da área já colhida, com produtividade entre 1,5 mil e 1,6 mil quilos por hectare.”

O técnico agrícola da Emater, Osvaldo Matyak, de Cândido de Abreu, informa que a cidade chegou a ter 15 mil hectares de feijão. Agora, são três mil hectares, sendo dois mil na safra das águas. “Nesta segunda safra, não chegou a mil hectares. Hoje, esse feijão está só com os pequenos. Para os grandes, a soja é menos arriscada e as máquinas mais adaptadas.”

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