Feijão não é mais tão queridinho; estratégia é a diversificação
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sábado, 01 de junho de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

“Dez entre dez brasileiros preferem feijão.” A música Feijão Maravilha, escrita por Gonzaguinha e interpretada pelas Frenéticas, foi grande sucesso no País na década de 1980, tempo em que ninguém imaginava que o brasileiro um dia deixaria o alimento mais escanteado. Hoje, segundo o Ibrafe (Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses), a redução de consumo chegou a 20,5% na região de Curitiba em 2017 e retração nacional na casa de 6,5%.
Para a nutricionista Valéria Arruda Mortara a resposta é simples para a retração no consumo de feijão: a americanização “assustadora” da dieta do brasileiro, que busca carboidratos mais baratos e rápidos para preparar. “Outro fenômeno é do self-service, já que a classe média come mais na rua e acaba optando por outros alimentos”. Mortara relata que a perda nutricional é enorme para quem troca uma fonte de proteína tão completa como da leguminosa por outro carboidrato. “As campanhas para o fomento do consumo do feijão mostram que ele faz parte da nossa história e as raízes alimentares são muito importantes. É preciso comer comidas da nossa terra, produtos locais...”
Para a Ibrafe, uma forma de vencer essa curva de queda é a diversificação. O presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders, relata que “não é um esforço absurdo recuperar o crescimento do consumo”. “Quando olhamos os pulses, temos o grão-de-bico e uma diversidade de feijões. Hoje temos 30 milhões de vegetarianos no Brasil, o que era moda agora é tendência. Outra tendência mundial, com as pessoas deixando de comer carne alguns dias na semana, é de se voltar para as proteínas vegetais.”
Para que essa diversificação aconteça – com grão-de-bico e feijões rajados, vermelho, branco entre outros – é preciso preço competitivo. Lüders relata que hoje, por exemplo, o grão-de-bico custa R$ 25 o quilo. “Se não tem preço, você obriga o consumidor a comer só o carioca. Algumas regiões passaram a comer grão-de-bico mais recentemente e isso consolidou (a produção) em áreas do Cerrado. No Paraná ainda não temos produção, mas existem pesquisas feitas há bastante tempo que apontavam a viabilidade. Se retornar o investimento em pesquisa, é bem provável que tenhamos grão-de-bico no Estado. Quando chegar na prateleira a R$ 5 ou R$ 6 o quilo, isso vai contribuir para o consumo.”
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