UEL estuda impacto do sedentarismo na mortalidade por insuficiência cardíaca
Projeto irá acompanhar voluntários durante três anos para identificar se atividades físicas ou passar menos tempo sentado podem funcionar como fator de proteção
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Projeto irá acompanhar voluntários durante três anos para identificar se atividades físicas ou passar menos tempo sentado podem funcionar como fator de proteção

A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica grave caracterizada por altas taxas de hospitalização e mortalidade. Estudos revelam que sintomas frequentes como fadiga e falta de ar limitam o esforço físico, geram um ciclo em que o paciente se torna marcadamente sedentário e fisicamente inativo, o que agrava ainda mais o prognóstico da doença.
Apesar dos benefícios associados aos exercícios físicos serem reconhecidos, a literatura científica ainda sofre uma certa carência com relação a dados sobre o impacto específico causado pelo sedentarismo sobre a sobrevida desses pacientes.
O projeto de pesquisa coordenado pela professora Nidia Aparecida Hernandes, do Departamento de Fisioterapia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) tem o objetivo de estudar o impacto do comportamento sedentário e da inatividade física na mortalidade de pessoas com insuficiência cardíaca.
A equipe da UEL irá acompanhar voluntários ao longo de três anos para identificar se hábitos simples, como praticar atividades físicas de diferentes intensidades (como tarefas domésticas simples ou atividades cotidianas mais intensas) ou passar menos tempo sentado ou deitado ao longo do dia, podem funcionar como um fator de proteção e prolongar a vida desses pacientes.

Recrutamento
Segundo Nidia Hernandes outro ponto que o estudo objetiva compreender é como inatividade física e/ou do sedentarismo somados a outros fatores, como a obesidade e a capacidade física, podem influenciar o risco de morte por causas gerais e cardiovasculares nessa população.
A docente explica que, “serão incluídos pacientes com diagnóstico de insuficiência cardíaca, clinicamente estáveis e com tratamento farmacológico otimizado”. Os voluntários serão recrutados no Ambulatório de Especialidades do Hospital Universitário (HU-UEL), nas Unidades Básicas de Saúde de Londrina (UBS) e em clínicas particulares da cidade.
Hernandes diz que o estudo submeterá os voluntários a uma bateria de testes para avaliar o nível de atividade física na vida diária de cada indivíduo, capacidade funcional, qualidade de vida, sintomas, além de aspectos sociais e ambientais. Após as avaliações, os participantes serão monitorados por 3 anos. Os pesquisadores acompanharão por meio de contatos telefônicos, a cada seis meses, para registrar se houve internações, mudanças em medicamentos ou o ingresso em programas de reabilitação.
Novas estratégias
Os resultados do projeto poderão subsidiar a criação de estratégias não farmacológicas de intervenção voltadas para a mudança do estilo de vida, com foco em metas mais realistas para os pacientes, como a redução do tempo sedentário e o estímulo a realização de atividades físicas leves adaptadas a cada paciente.
A expectativa do grupo, segundo Nidia Hernandes, “é de que estudos como esse possam, a longo prazo, contribuir para que pacientes com insuficiência cardíaca vivam por mais tempo e com mais autonomia para a realização de suas atividades do dia a dia.”
Hernandes explica que o projeto “Associação da inatividade física e sedentarismo com a mortalidade em indivíduos com insuficiência cardíaca: um estudo de coorte prospectiva” é conduzido no Laboratório de Pesquisa em Fisioterapia Pulmonar (LFIP). Conta com uma equipe que envolve o Departamento de Fisioterapia, os professores Fabio de Oliveira Pitta, Gianna Kelren Waldrich Bisca Reche e Karina Lourenço Dias; além de pós-graduandos do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) e estudantes de Iniciação Científica do curso de Fisioterapia integram o projeto.
(Com informações da Agência UEL)



