A Prefeitura de Londrina enviou à CML (Câmara Municipal de Londrina) um projeto de lei que altera a forma de cálculo da TCL (Taxa de Coleta de Lixo) na cidade. A mudança deve resultar em um aumento global de 25% na taxa a partir do próximo ano, mas o impacto não será igual para todos os contribuintes. O texto adequa a legislação municipal ao primeiro aditamento ao TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o MPPR (Ministério Público do Paraná) em 2018.

A principal mudança está no critério utilizado para calcular a taxa. Hoje, a cobrança considera o chamado custo incorrido, ou seja, as despesas já realizadas pelo município no período de um ano, entre novembro e outubro. A proposta é que passe a ter como base o custo previsto no orçamento para o próprio exercício, fazendo com que as despesas estimadas para aquele ano sejam consideradas no cálculo.

De acordo com o secretário municipal da Fazenda, Éder Pires, nos últimos anos houve um déficit superior a R$ 40 milhões no sistema, diferença que precisou ser coberta pela Prefeitura com recursos livres. A justificativa do projeto afirma que a metodologia atual pode provocar uma defasagem de até dois anos entre a realização das despesas e sua incorporação ao cálculo da taxa.

“Esse formato não é suficiente para cobrir os gastos com as despesas do lixo, o município precisa aplicar recursos livres. Fizemos esse estudo, apresentamos ao Ministério Público e ele concordou. A partir daí, fizemos o aditamento desse TAC. Em vez de cobrar pelo custo incorrido, a proposta é cobrar pelo custo orçado, ou seja, o custo que está no orçamento”, reforça Pires.

O projeto também amplia os critérios que poderão ser utilizados para definir quanto cada contribuinte irá pagar. Atualmente, segundo o secretário, o único parâmetro é a frequência da coleta. A proposta inclui fatores como o nível de renda da população da área atendida, as características dos lotes, o peso ou volume médio de resíduos coletados, o consumo de água e as condições operacionais do serviço. A ideia é diferenciar, por exemplo, a cobrança entre uma residência e um estabelecimento comercial com maior geração de resíduos.

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AUMENTO PREVISTO

Segundo Pires, a estimativa de 25% se refere ao valor global da cobrança e não representa um reajuste linear para todos os contribuintes.

“O que nós estamos buscando com esses novos critérios é amenizar esse aumento para algumas classes sociais e trazer realmente quem tem essa expectativa de maior geração de resíduos para que pague mais pela taxa de lixo. E quem tem uma condição menor, que pague menos. O aumento pode variar de uma situação para outra.”

Outra mudança estudada pela Prefeitura é a forma de cobrança. Em 2027, segundo Pires, a TCL continuará sendo lançada junto ao IPTU. Para o ano seguinte, porém, a intenção é passar a cobrança para a conta de água da Sanepar. “É um formato que alguns municípios já utilizam, porque facilita o processo. A Sanepar já envia a cobrança mensal, e para o município não seria viável fazer essa cobrança mensal diretamente.”

O aditamento também prevê medidas de transparência sobre a nova metodologia. As planilhas de composição dos custos orçados e os documentos usados para apurar os valores que serão incluídos na LOA (Lei Orçamentária Anual) deverão ser disponibilizados no Portal da Transparência da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina), permitindo o acompanhamento da formação da taxa.

O projeto de lei está tramitando na Câmara de Londrina e não tem previsão para ser votado. A expectativa do Executivo, contudo, é que o texto seja aprovado ainda em 2026.

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