A Prefeitura de Londrina apresentou nesta segunda-feira (31), em audiência pública, os detalhes da proposta da LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2027, que será discutida pela CML (Câmara Municipal de Londrina) nos próximos meses e estabelece a previsão de arrecadação e de despesas do município para o próximo ano. A estimativa é que o orçamento cresça 4%, dos R$ 3,825 bilhões previstos na LOA de 2026 para R$ 3,981 bilhões em 2027.

A proposta prevê aumento dos recursos destinados a áreas consideradas estratégicas pelo município. É o caso da Educação, cujo orçamento deve saltar de R$ 1,020 bilhão para R$ 1,111 bilhão, alta de quase 9%. Na Saúde, o acréscimo previsto é de pouco mais de R$ 23 milhões, passando de R$ 1,203 bilhão para R$ 1,226 bilhão, crescimento de 1,9%.

Entre as maiores altas percentuais estão justamente áreas que geraram discussão durante a elaboração da LOA de 2026, como Assistência Social, Cultura e Esporte. No caso da Secretaria Municipal de Cultura, a previsão é de um acréscimo de quase 20%, de R$ 17,677 milhões para R$ 21,140 milhões.

A FEL (Fundação de Esportes de Londrina) deve ter à disposição R$ 20,750 milhões, ante R$ 18,010 milhões previstos na LOA de 2026, uma alta de pouco mais de 15%. O aumento será semelhante na Secretaria Municipal de Defesa Social, responsável pela GM (Guarda Municipal), cujo orçamento deve passar de R$ 64,923 milhões para R$ 74,336 milhões, crescimento de 14,5%.

Na Secretaria Municipal de Assistência Social, a principal mudança é o aumento dos recursos livres. Durante a elaboração do orçamento de 2026, houve mobilização popular contra a redução dos valores destinados à pasta. Após articulações, o montante ficou em R$ 132,165 milhões, dos quais R$ 112,456 milhões são recursos livres e cerca de R$ 19,7 milhões, vinculados.

Para 2027, a previsão é que os recursos livres da Assistência subam para R$ 128,764 milhões, um crescimento de 14,5%. Outros R$ 6,109 milhões serão de recursos vinculados, levando o orçamento total da pasta a R$ 134,873 milhões. Considerando todas as fontes, portanto, o aumento em relação à LOA de 2026 será de cerca de 2%.

A CML também deve ter um aumento na previsão orçamentária, chegando a R$ 71,443 milhões. Trata-se de uma alta de 13,4% em comparação com 2026, quando foram previstos R$ 63 milhões.

"DESAFIO CONSTANTE"

O secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, destaca que a proposta traz uma “melhor distribuição” dos valores para contemplar políticas públicas com impacto direto na população. “Tivemos um incremento na saúde, na educação. Algumas outras [secretarias] internas tiveram um decremento no seu orçamento para poder fazer transferência desses recursos”, afirmou.

Segundo Rambalducci, a previsão de crescimento de 4% do orçamento em 2027 deve ser analisada diante da frustração de receita registrada em 2026. “Um incremento em cima daquela LOA de 2026 significa um incremento muito maior que a gente vai realmente praticar”, acrescentou o secretário. Ele também citou um aumento da ordem de 106% na previsão de investimentos do município para o próximo ano.

De olho nas contas públicas, Rambalducci ressalta que a administração precisa manter a atenção sobre o comportamento das receitas, uma vez que o orçamento representa um “desafio constante”.

“Precisamos entender exatamente como a Fazenda vai reagir e se esses recursos realmente entram para o caixa do município para a gente atender essas políticas que nós estamos premeditando”, destacou.

Outro ponto de atenção são os repasses às concessionárias do transporte coletivo. A estimativa para 2027 é da ordem de R$ 100 milhões, mas Rambalducci reconhece que o valor é insuficiente diante do patamar atual de gastos. “Precisamos equacionar para que menos recursos possam ser utilizados. Isso não quer dizer que a gente vai diminuir o transporte coletivo, mas melhorar de alguma maneira a eficácia desse transporte para que a gente possa direcionar para outras políticas públicas”, afirmou.

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