Brasília - O escritório de advocacia Barci de Moraes afirmou no domingo (20) que não há vínculos pessoais nas contratações de viagens de táxi aéreo para os profissionais da banca.

A manifestação foi divulgada após a coluna do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, publicar um vídeo que mostra o desembarque do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moares e sua esposa, Viviane Barci, sócia do escritório, no aeroporto Santos Dumond, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025, após um voo partido de São Roque (SP).

De acordo com as imagens, o prefixo do jatinho pertence à Prime Aviation, empresa que já teve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um de seus sócios.

Antes da decretação da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o escritório prestou serviços jurídicos ao banco.

O episódio gerou forte repercussão por entrar em contradição com uma manifestação anterior do gabinete do magistrado, emitida em abril de 2025, na qual se negava categoricamente qualquer viagem em aviões associados a Vorcaro.

Diante da nova evidência em vídeo, o escritório de advocacia da esposa do ministro emitiu um comunicado esclarecendo que a banca contrata serviços de táxi aéreo de empresas variadas, incluindo a Prime Aviation, com critérios estritamente comerciais e operacionais, negando vínculos pessoais com os donos das aeronaves ou a presença do próprio Vorcaro nos trajetos.

Em nota à imprensa, o escritório disse que contratou viagens com a Prime Aviation, mas negou que Vorcaro tenha realizado voos com Viviane e o ministro Moraes.

O escritório negou que a escolha da empresa ocorreu por motivos pessoais. "A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation", afirmou o escritório.

A relação entre o Master e o Barci de Moraes veio à tona no ano passado após a imprensa revelar a existência de um contrato de R$ 130 milhões para a prestação de serviços jurídicos, que foram suspensos após a liquidação da instituição.

Leia mais:

MENSAGENS NO WHATSAPP

Em contrapartida, relatórios da Polícia Federal anexados às investigações apontam indícios de que o uso de cotas e frotas de jatos e helicópteros estaria atrelado a tratativas comerciais e contratuais, trazendo à tona diálogos de WhatsApp obtidos de celulares apreendidos que detalham conversas sobre a liberação e a prioridade no atendimento ao casal.

Vale ressaltar que todo esse panorama ocorre em meio a um momento de alta tensão institucional no Supremo Tribunal Federal, visto que a conduta e os desdobramentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e as apurações do caso passaram a ser avaliados pelo plenário da Corte, tendo o julgamento sido paralisado e adiado após um pedido de vista formulado pelo ministro Flávio Dino.

Além disso, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, também suspendeu a análise sobre a conduta — apontada como supostamente parcial — do ministro André Mendonça na condução do caso Master como relator.

mockup