O candidato ao governo do Estado Requião Filho (PDT) foi sabatinado pelo programa Meio-Dia Paraná, da RPC, afiliada da TV Globo, nesta quarta-feira (16), encerrando a rodada de sabatinas com os três candidatos mais bem colocados na última pesquisa Quaest. Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD) foram entrevistados na segunda (14) e na terça-feira (15), respectivamente.

O primeiro tema da sabatina foi a relação do candidato com o PT, partido pelo qual foi reeleito deputado estadual em 2022 e cuja saída anunciou em dezembro de 2024, após fazer críticas à condução nacional do partido e à atuação da legenda no Paraná. Requião Filho se filiou ao PDT no ano passado. Em 2026, sua candidatura recebeu o apoio do PT e de outros partidos de esquerda.

“Eu apresento esse programa, um programa do PDT. Esse programa foi montado, construído e debatido com diversas pessoas. O PT viu e decidiu que esse era o melhor caminho no estado, e nos traz esse apoio”, afirmou Requião Filho. “Mantenho as críticas que fiz ao governo federal lá atrás, e tenho certeza que o PT também tem críticas ao Requião Filho”, acrescentou o candidato, que disse que há mais convergências do que divergências entre os aliados.

Questionado se o PT terá espaço em um eventual governo, ele disse que buscará pessoas com capacidade técnica e de gestão e negou que tenha negociado a divisão de secretarias entre os partidos aliados.

Requião Filho também falou sobre a atuação de Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, à frente do Ministério da Previdência quando veio a público o esquema de descontos não autorizados em benefícios do INSS. O candidato afirmou que as irregularidades investigadas remontam a 2019 e que, durante o governo Lula, o caso foi investigado e levado a público. “Essa é a diferença, a gente não tem medo de investigação."

COPEL

Crítico da privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia), Requião Filho defendeu rever a venda da empresa, dizendo ser fundamental “retomar a Copel”. Questionado sobre a viabilidade financeira da proposta, disse que “teremos junto o governo federal” e citou o BNDES entre os principais acionistas da empresa.

“A Copel hoje é privatizada, toma decisões que dão preferência para o lucro de acionistas, diminui os investimentos no estado do Paraná, diminuiu a capacidade do nosso estado ser competitivo aumentando a tarifa de energia tanto do agro quanto das empresas, indústrias e das famílias paranaenses”, criticou. Ele entende ser necessário rever os custos da operação, aumentar a fiscalização do serviço e auditar a privatização.

“Ela deve atender ao interesse público do Paraná e a gente pode, sim, ir para cima dessa empresa com seriedade, fiscalizando e cobrando também da Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] uma maior seriedade em relação ao Paraná”, argumentou.

APOSENTADORIA

Requião Filho também foi questionado sobre a aposentadoria especial vitalícia recebida por seu pai, o ex-governador Roberto Requião (PDT). O pagamento foi restabelecido em julho deste ano por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que estendeu ao ex-governador os efeitos de uma decisão que havia restabelecido o benefício a outros ex-chefes do Executivo paranaense.

“Essa perseguição à verba de representação fica muito bonita para o discurso, mas ela existe em praticamente todas as instituições da República e funciona como essa garantia que quem chegou ao cargo mais alto não precisa se preocupar com o seu futuro e pode fazer um governo austero”, pontuou.

ARMA E URNA

Questionado sobre seu apoio ao porte e à posse de armas, o candidato garantiu ser favorável e afirmou vir de uma família de colecionadores. “Seria hipócrita mudar o discurso”, frisou.

Ele também disse defender um “voto auditável”. “O voto impresso não é, necessariamente, a volta do votinho no papel, é um projeto do Roberto Requião que passou lá atrás no Senado, em que a urna eletrônica imprimiria um comprovante, e esse comprovante cairia em outra urna, em um caixote, para que, se fosse necessário, houvesse depois uma conferência”, explicou o candidato, que entende que isso tiraria “essa dúvida que paira sobre as urnas eletrônicas”.

EDUCAÇÃO

Na sabatina, Requião Filho afirmou que os colégios cívico-militares, que foram adotados durante o governo Ratinho Junior (PSD), são como uma “propaganda ideológica” e não têm “diferença palpável” no currículo em relação às escolas regulares. Segundo ele, acabar com os colégios cívico-militares não significa fechar escolas, algo que garantiu não pretender fazer.

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