O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Estado, abriu nesta segunda-feira (14) a rodada de sabatinas organizadas pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná. Sandro Alex (PSD) será sabatinado nesta terça (15) e Requião Filho (PDT), na quarta-feira (16).

O primeiro assunto foi o recebimento, por parte de Moro, de auxílio-moradia de mais de R$ 4 mil quando ainda era juiz federal em Curitiba, mesmo tendo imóvel próprio na cidade. À época, ele justificou que o benefício era uma forma de compensar a falta de reajuste salarial dos magistrados. Ele foi questionado se considera ético e moral utilizar dinheiro público destinado à moradia como forma de aumento salarial.

“Aquilo, na verdade, todos os juízes federais do país recebiam, e era reprovável o nome de auxílio-moradia, mas, no fundo, era um complemento salarial que era decorrente da falta de reajuste dos vencimentos dos juízes federais durante um grande período. Havia esse pagamento, que, no fundo, era um salário disfarçado, não era propriamente auxílio-moradia vinculado a uma questão de ter ou não ter uma residência”, disse o candidato.

Moro também disse que “ninguém combateu mais a corrupção nesse país do que eu”, citando a Operação Lava Jato. “Temos um projeto sólido aqui no Paraná para ter um governo honesto e eficiente, fundado em uma ideia de integridade. Nós somos os únicos a apresentar a proposta de um código de ética da alta administração pública estadual”, continuou o candidato, que também defendeu a criação de uma agência estadual anticorrupção.

O senador criticou o pagamento de penduricalhos no Judiciário, mas afirmou que os vencimentos precisam ser dignos para os servidores públicos. “Quando vai se inventando esses adicionais, esses penduricalhos, se perde o controle. Mas isso é algo que é decorrente de Brasília, de um descontrole de Brasília e de algumas administrações estaduais. O melhor é você ter um subsídio fixo”, opinou. “Temos que ter um teto razoável que remunere com dignidade os servidores, mas sem esses penduricalhos, esses adicionais que acabam nublando a percepção das pessoas.”

Questionado sobre seus gastos de cerca de R$ 720 mil em 2025 com cotas e outras despesas do mandato custeadas pelo Senado, valor superior ao registrado pelos outros senadores do Paraná, Moro disse que assumiu o compromisso de ter um mandato “itinerante”, visitando municípios paranaenses. “Essas viagens são para conhecer a realidade do nosso estado.”

GESTÃO

Moro afirmou que pretende fazer um “choque de gestão e eficiência”, com enxugamento da máquina pública. “Eu desafio alguém a dizer os 24 nomes dos secretários do Estado do Paraná. Burocracia e cargos desnecessários é mais imposto que tem que ser cobrado dos contribuintes, e a gente vamos respeitar o contribuinte, e é menor dinheiro que sobra para saúde, infraestrutura e educação”, afirmou.

Sobre a decisão do TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) que proibiu Moro de dizer em propaganda que é “aliado de Ratinho Junior desde 2018”, o candidato afirmou que não é adversário do governador, mas que tem um projeto diferente para o Estado. Ele justificou que, em 2018, integrou a equipe de transição do então presidente eleito Jair Bolsonaro e iniciou a interlocução com governadores. “A Justiça decidiu dessa forma, não tem problema, nós não somos adversários”, reforçou.

ALIANÇAS

O candidato também foi questionado sobre a aliança com Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência que é investigado no âmbito das apurações sobre o Banco Master por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse. Segundo Moro, Flávio “apresentou as explicações dele” e “nunca obstruiu essas investigações”.

“Ele apresentou as explicações e não existe problema na continuidade das investigações. Se surgir fatos novos, novas revelações, ele que se explique. A gente não tem nenhum compromisso com o erro”, afirmou.

Moro ainda falou sobre a relação com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, condenado em 2012 no julgamento do mensalão. À época, o candidato atuava como juiz auxiliar no gabinete da ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber, que votou pela condenação de Valdemar por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“O Valdemar foi condenado, cumpriu sua pena, depois nunca mais ouvi de qualquer envolvimento com coisas erradas, coisas sólidas, pelo menos. E vamos ser bem francos: ele não vai governar o Paraná. Quem vai governar sou eu.”

DEBATES

Diante da ausência de candidatos em debates previstos durante a campanha, o formato de sabatina tem sido adotado por diversos veículos de comunicação. Foi o que ocorreu no último sábado (12), quando o debate organizado pelo Grupo Folha de Londrina, pela rádio Paiquerê 91,7 e pela OAB Londrina (Ordem dos Advogados do Brasil) acabou transformado em uma sabatina com Sandro Alex, após as desistências de Moro e Requião Filho (PDT).

mockup