Imagem ilustrativa da imagem Renovação na Câmara não representa mudança de rumo
| Foto: Luis Macedo/ Câmara dos Deputados



Dos 513 deputados que assumiram os mandatos nesta sexta-feira (1º) na Câmara Federal, 244 (47%) são estreantes. Já entre os paranaenses, metade dos 30 deputados eleitos não tinha cadeira no parlamento. A renovação da bancada do Paraná foi de 50%. Sob o ponto de vista numérico, a mudança é evidente. O que se espera é que ela aconteça também na prática.

O analista político e professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci, ainda não vislumbra que o resultado das urnas no ano passado imponha mais qualidade e postura da Câmara Federal. "Temos muitos filhos de deputados, ex-deputados retornando ao Congresso e figuras que já estavam na vida pública", observa. De fato. Entre os 15 novos deputados federais do Paraná, três são herdeiros políticos. Além da londrinense Luísa Canziani (filha do ex-deputado Alex Canziani, que tentou o Senado nas últimas eleições), estão Felipe Francischini - que fez dobradinha com o pai, o deputado estadual eleito Fernando Francischini (PSL) - e Pedro Lupion, que é filho do ex-deputado Abelardo Lupion (DEM).

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Na lista de "renovação" das 30 cadeiras do Paraná há também políticos experientes: a ex-senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, o ex-prefeito de Curitiba e ex-deputado Gustavo Fruet (PDT), e os ex-deputados estaduais Ney Leprevost (PSD) e Schiavinatto (PP). Leprovost será deputado apenas por alguns dias. Ele pedirá licença do cargo para assumir como secretário de Estado da Justiça, Família e Trabalho na gestão Ratinho Junior (PSD). Evandro Roman (PSD), que recebeu 67.909 votos, é o primeiro suplente da coligação.

Outros estreantes da bancada paranaense são Aline Sleutjes (PSL), Paulo Martins (PSC), Sargento Fahur (PSD), Aroldo Martins (PRB), Luizão Goulart (PRB) e Vermelho (PSD). A maioria, eleita a reboque da popularidade e de bandeiras conservadoras a favor do armamento ou de valores religiosos defendidas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL). "São poucos os deputados eleitos estritamente pelo discurso liberal que agrada ao mercado. A bancada será sobretudo conservadora e não teremos mais a presença de forças ligadas ao sindicalismo", avalia Elve Cenci.

Nesta agenda conservadora, ele considera que o Congresso irá focar em temas pertinentes à demanda individuais de "valores" em detrimento de assuntos de interesse nacional. "Temos uma sociedade plural e é preciso atender a toda a sociedade. Não é função do Estado definir esses valores."

Para o setor produtivo, a expectativa é que o Congresso represente o sentimento de mudança que a maioria do eleitorado brasileiro fez valer na última eleição, especialmente na retomada do crescimento econômico do País. "Todo esse movimento em prol de um Brasil novo nós não podemos ter alguém que venha a enterrar. Eu acho que no caso tem que ser alguém novo, alguém que não tenha deixado marcas tão negativas, como o Renan (Calheiros, candidato a presidente do Senado) deixou". afirma o empresário Ary Sudam, vice-presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) e presidente do Fórum Desenvolve Londrina.

Questionado, Sudam diz que está confiante sobre a atuação dos parlamentares paranaenses, especialmente no Senado. "Eu acho que nós estamos bem de Senado. Acho que o candidato (a presidente) seria o Alvaro Dias, mas os três senadores nossos acho que estão num nível bem superior aos outros que nós tivemos e podem contribuir bastante", avalia.

CHOQUE DE REALIDADE
Outra tarefa difícil para essa bancada "renovada" será quebrar o ciclo da "velha política", um dos slogans de campanha do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema de presidencialismo de coalizão. "Será um choque de realidade para esses novos parlamentares terem que negociar com Rodrigo Maia e Renan Calheiros, que representam o que há de mais tradicional e anacrônico na política nacional", diz Elve Cenci. Já a Bolsonaro caberá a tarefa de negociar com o "centrão" as medidas econômicas estruturantes como a Reforma da Previdência. "É um grupo bem heterogêneo e pragmático. Bolsonaro terá que agir com mais força para negociar as condições de apoio. Antes se negociava com as lideranças, agora esses blocos se formam além do partido", aponta o cientista político.

LONDRINENSES
Entre os 15 novatos do Paraná na Câmara, está o polêmico ex-vereador londrinense Emerson Petriv (Pros), o Boca Aberta. Ele chegou à cerimônia de posse ao lado da esposa com terno e gravata azul celeste e com camisa com as cores e o distintivo do Londrina Esporte Clube. A mais jovem parlamentar no Congresso, a deputada Luísa Canziani (PTB), 22 anos, após a posse concedeu entrevista ao lado da veterana Luiza Erundina (Psol), 84 anos, para o Jornal Hoje (Rede Globo). Em outra cena registrada pelas lentes da TV Câmara, o bolsonarista Filipe Barros (PSL) apareceu nas imagens ao lado do presidente reeleito à Mesa Executiva, Rodrigo Maia (DEM). (Colaborou Vitor Struck/Reportagem Local)

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"Temos muitos filhos de deputados, ex-deputados retornando ao Congresso e figuras que já estavam na vida pública"


"Todo esse movimento em prol de um Brasil novo, nós não podemos ter alguém que venha a enterrar"

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