Reeleito à presidência da AL, Traiano fala em "novo tempo da política"
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sábado, 02 de fevereiro de 2019
Mariana Franco Ramos - Reportagem Local 

Curitiba - Após costurar um acordo com a maioria dos 54 deputados estaduais, o presidente da AL (Assembleia Legislativa) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), foi reeleito nessa sexta-feira (1°) para um terceiro mandato consecutivo à frente da Casa. A chapa única "Parlamento Independente", encabeçada pelo tucano, recebeu 48 votos favoráveis e ficará no poder no biênio 2019/2020. Apenas Boca Aberta Jr. (PRTB) foi contra. Os quatro petistas - Tadeu Veneri, Professor Lemos, Luciana Rafagnin e Arilson Chiorato - e ainda Luiz Fernando Guerra (PSL) se abstiveram. A votação aconteceu depois da posse dos parlamentares.
Todos os novos integrantes da Mesa Executiva são homens. O primeiro secretário será Luiz Cláudio Romanelli (PSB), que abriu mão de disputar a chefia do poder em nome do consenso. Já Plauto Miró (DEM) segue na direção, mas como primeiro vice-presidente. A novidade é a participação, na terceira vice, de Requião Filho (MDB), que faz parte da bancada de oposição ao governador Ratinho Junior (PSD). O emedebista garantiu que, mesmo no cargo, atuará com independência. "Montamos uma Mesa plural, com todos os partidos, e uma da exigências era que tivéssemos liberdade para atuar", justificou.
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Na realidade, PT e PSL, esse último dono da maior bancada da AL, com oito deputados, ficaram de fora. Tercílio Turini (PPS), Gilberto Ribeiro (PP) e Gilson de Souza (PSC), hoje na base aliada, assim como Nelson Luersen (PDT), "neutro", também têm um histórico de posicionamentos contrários ao Executivo, nas gestões de Beto Richa (PSDB) e Cida Borghetti (PP).
Mais votado dentre os 54 no pleito de outubro, Delegado Francischini (PSL) chegou a se lançar candidato, entretanto, também desistiu. "Não seria bom trazer para a Assembleia uma disputa eleitoral num momento em que a gente quer dar estabilidade para a economia do Paraná e do Brasil", comentou. Ele agora mira a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), também almejada por Nelson Justus (DEM). A decisão só será tomada na semana que vem, quando ocorre a indicação dos líderes de bancada.

PROMESSAS
"Nada é permanente, exceto a mudança. Tomo emprestada essa afirmação do filósofo Heráclito, que viveu antes de Cristo, para afirmar que tudo pode e deve mudar, quando é preciso, e também para lembrar o que todos nós sabemos, que estamos no meio de uma mudança que afeta as vidas de todos nós, no Paraná e no Brasil", discursou Traiano. Ele lembrou o que falou quando da sua primeira eleição para a função, em 2015: "um homem só não pode fazer todas as leis. Isso seria uma ditadura. Não pode reunir todo conhecimento e sabedoria. Seria emular o poder divino. Não pode ter sempre razão. Seria arrogância".
Sem esconder a felicidade de ser reconduzido mais uma vez ao cargo, o tucano falou da "responsabilidade enorme que volta a assumir". "Estamos vivendo um tempo novo na vida política do Estado e do Brasil. É uma responsabilidade dobrada. Ter uma eleição assegurada com a maioria absoluta dos deputados numa crise de existência política muito forte me dá a possibilidade de fazer uma gestão ainda mais enxuta, democrática e que possa estar em sintonia com o sentimento das ruas". O deputado anunciou que a AL passará a contar com uma estrutura do Procon e outra da Defensoria Pública, "para atender quem mais precisa do Poder Legislativo".
Questionado pela FOLHA se pretendia se tornar um novo Aníbal Khury, político já falecido que chefiou a Assembleia por vários anos, de 1990 a 1992 e depois de 1995 a 1999, Traiano desconversou. "São tempos diferentes. Jamais quero me considerar como um homem que escreveu uma história no Paraná, um deputado de saudosa memória. São épocas distintas. Sobreviver nesse momento é de uma grandeza para mim, porque havia um clamor por mudanças. Se eu pude permanecer na Casa, é porque o trabalho que desempenhamos ao longo dos últimos anos foi bom. Resgatei a imagem, a credibilidade do legislativo e, acima de tudo, o respeito dos senhores deputados".
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