Ex-deputado é investigado em esquema para 'furar' fila do SUS
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sábado, 02 de fevereiro de 2019
Vitor Struck/Reportagem Local 
Um dos investigados na Operação Mustela, deflagrada nesta semana pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) e que revelou uma negociata entre pacientes, médicos e agentes públicos para "furar" a fila do SUS, é o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Marechal Cândido Rondon (Oeste)
Ademir Bier (PSD). A Justiça expediu 12 mandados de prisão temporária e 44 de busca e apreensão, inclusive no escritório do ex-deputado, no centro de Marechal Cândido Rondon. Diversos documentos foram apreendidos.
As suspeitas sobre o deputado foram embasadas em conversas telefônicas gravadas com a autorização da Justiça. Trechos das interceptações telefônicas foram reveladas pela RPC TV nesta sexta-feira (1) e sugerem que o ex-deputado sabia do esquema que consistia em cobranças que variavam entre R$ 2 mil e R$ 8 mil.
Em um dos trechos, gravado antes das eleições, Bier promete arranjar tratamento para uma mulher visando ganhar votos para a reeleição.
"Tá todo mundo correndo por causa da campanha de amanhã, mas eu vou encaminhar pra uma pessoa pra poder tentar resolver isso lá, tá bom?," afirma.
Outro trecho indica que um homem estava pedindo uma consulta ao assessor.
Segundo o Ministério Público, médicos, assessores, secretários e intermediadores foram alvos dos mandados de prisão temporária. Um deles seria contra um vereador de Bandeirantes (Norte).
À reportagem da Folha o ex-deputado estadual confirmou que Paulo Roberto Mendes trabalhou para ele durante muitos anos mas negou que o teor das conversas que seu assessor tinha com pacientes visavam "negociar" o adiantamento de procedimentos em troca de vantagens indevidas. Segundo Bier, eram apenas "orientações".
"Nada disso. Eu não sabia o que ele fazia, ele tinha que atender as pessoas que vinham lá do interior, sem qualquer coisa de atendimento na região, que não sabiam nem onde era Curitiba, esse era o trabalho que ele tinha que fazer e nós sempre fizemos, que era o acompanhamento, pegar na rodoviária, levar no hospital", afirma.
O ex-deputado alegou que ainda não foi ouvido pelo Ministério Público na acusação, disse estar tranquilo e também afirmou que, caso o assessor tenha feito algo de errado, "terá que pagar por isso". Ele não foi reeleito nas eleições de outubro do ano passado.
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