Curitiba - O anúncio da pré-candidatura do deputado federal Sandro Alex (PSD) ao governo do Paraná parece ter tido um efeito contrário ao desejado por Ratinho Junior: ao invés de unir sua base de apoio, parece ter gerado mais descontentamento. O governador tentará agora convencer partidos como MDB, Podemos, União Brasil e até setores do Republicanos, do presidente da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), Alexandre Curi, a permanecerem ao seu lado. O PL já deixou a aliança ao filiar o senador Sergio Moro, no fim do mês passado.

Sandro Alex não estava entre os mais cotados para concorrer ao governo com apoio de Ratinho Junior. No início do ano, os nomes mais fortes eram os de Curi, do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca e do secretário das Cidades, Guto Silva, todos do PSD. Com a demora do governador para definir seu apoio, Curi foi para o Republicanos e Greca voltou ao MDB. Guto Silva, preferido de Ratinho para o posto, não cresceu nas pesquisas.

O governador tenta convencer Rafael Greca a ser vice de Sandro Alex, mas o ex-prefeito descartou a possibilidade nesta terça-feira (14), em visita a Londrina. Curi permaneceu ao lado Ratinho e vai concorrer ao Senado pelo Republicanos. A outra vaga para senador poderá ficar com Cristina Graeml, que se filou ao PSD na semana passada, ou com Alvaro Dias – a depender da composição com o MDB.

Segundo o presidente estadual do MDB, deputado Anibelli Neto, no entanto, a tendência é que o partido lance uma candidatura própria. “A melhor dupla é Rafael Greca e Alexandre Curi. Foi anunciado alguém que não estava entre os pré-candidatos. Eu não tenho medo do enfrentamento”, disse Anibelli. “Tivemos o retorno de lideranças importantes, Rafael Greca está em segundo nas pesquisas para o governo e Alvaro Dias está em primeiro para o Senado. Temos cem dias até as convenções, faremos todo o esforço para ter candidaturas para governador e senador.”

A escolha também gerou descontentamentos dentro do partido. O deputado estadual Moacyr Fadel (PSD) anunciou que não apoiará Sandro Alex e que poderá não concorrer neste ano. “Hoje de manhã comuniquei ao governador que o candidato do PSD, Sandro Alex, não terá o meu apoio. Eu acho que não foi feita a construção que todos esperávamos. Não vou me curvar para algo em que eu não acredito.”

Fadel disse que não deixou o PSD durante a janela partidária, que terminou no dia 4 de abril, por acreditar que o candidato seria Greca, Curi ou Guto Silva. “Eu, como PSD, se precisar não ser candidato, não serei, para não prejudicar o projeto. Mas o candidato determinado pelo governador não terá o meu apoio.”

Pesquisas internas

Líder do governo na Alep, o deputado Hussein Bakri (PSD) disse que pesquisas internas apontam a possiblidade de crescimento do nome de Sandro Alex entre o eleitorado. “Tenho total confiança no crescimento do nosso candidato. Nós temos números que mostram, existem pesquisas qualitativas e quantitativas que apontam para esse crescimento. Tenho conversado muito com o governador, é óbvio que a gente não vai conseguir agradar a todos. Existia uma ala que era Curi, uma ala que era Guto. É natural esse processo.”

Líder do PSD na Alep, Luiz Cláudio Romanelli disse que o PSD ainda espera ter Rafael Greca como vice na chapa de Sandro Alex. “Gostaríamos que o ex-prefeito pudesse integrar essa chapa na condição de candidato a vice-governador. O MDB tem um processo interno e democrático, e tem a vontade do ex-prefeito, mas com diálogo penso que podemos construir isso. Basta ver o exemplo do Alexandre Curi, que abriu mão da candidatura ao governo e manteve o compromisso de unidade.”

Problemas na Alep

Anibelli Neto anunciou nesta terça-feira a criação de uma nova frente parlamentar na Assembleia, com MDB, Republicanos e Podemos. Apesar de o Republicanos ter Alexandre Curi como candidato de Ratinho ao Senado, a frente poderá causar problemas para o Palácio Iguaçu. Se os seis deputados passarem a votar contra o governo, Ratinho terá contra si 28 deputados.

O governo ainda teria maioria entre os 54 parlamentares, mas a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) precisa de apenas 18 assinaturas. Os 12 deputados do PL não têm votado com o governo. Além deles, os dois parlamentares que se aliaram ao Novo (Luiz Fernando Guerra e Fábio de Oliveira) também apoiam Sergio Moro. Já a oposição, que apoia a pré-candidatura de Requião Filho (PDT) ao governo, tem oito deputados.

Demora

Para o cientista político e professor da PUCPR em Londrina Mário Sérgio Lepre, Sandro Alex pode crescer nas pesquisas, apesar da demora de Ratinho para definir seu sucessor. “O candidato é sempre forte. Mas não sei como é que isso está se acomodando. Para ter um candidato forte do governo é necessário que haja o empenho de todos”, disse. “É um nome que compete, que pode crescer. O crescimento talvez seja lento, mas precisará tirar a vantagem que o Moro tem. Na política, vai se agregando. E o Moro também vai agregar prefeitos e deputados.”

Lepre diz avaliar que Ratinho Junior demorou muito para apontar seu candidato. “Demorou demais e houve divisões. Alguns já saíram, foram para outros partidos. Começa a enfraquecer aquela força inicial de uma candidatura governista. Ele acabou optando por um nome que não era um dos cotados. Vai entrar para disputa, vai crescer, vai ser conhecido, mas já não é mais a situação de quando havia um nome único.”

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Pré-candidatos ao governo do Paraná

Sandro Alex (PSD)

Apoiado pelo governador Ratinho Junior e filiado ao PSD desde 2016. Deputado federal no quarto mandato e ex-secretário estadual de Infraestrutura e Logística. Natural de Ponta Grossa, é formado em Direito pela UEPG e atuou como radialista. Tem 53 anos e é irmão do deputado estadual Marcelo Rangel (PSD).

Sergio Moro (PL)

Ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da operação Lava Jato. Foi ministro da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2020. Deixou o governo acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal para proteger seus filhos de investigações. Foi filiado ao Podemos e migrou para o União Brasil, partido pelo qual foi eleito senador em 2022. No mês passado, se filiou ao PL. Tem 53 anos.

Requião Filho (PDT)

Filho do ex-governador e ex-senador Roberto Requião. Tem 46 anos e está em seu terceiro mandato como deputado estadual. Foi filiado ao MDB e ao PT antes de ingressar no PDT. Sua pré-candidatura ao governo do Paraná já tem apoio do PT.

Tony Garcia (DC)

Tem 72 anos e foi deputado estadual de 1999 a 2002 pelo extinto PRN, partido do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Também concorreu ao Senado e à Prefeitura de Curitiba. Preso pelo então juiz Sergio Moro, disse que foi obrigado a atuar como agente infiltrado para a Lava Jato. Filiado ao Democracia Cristã neste ano, Garcia disse que vai “desmascarar” Sergio Moro durante a campanha.

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