Curitiba - O pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), anunciou nesta quarta-feira (18) que o partido apoiará a candidatura de Sergio Moro (União Brasil) ao governo do Paraná nas eleições de outubro deste ano. O apoio marca a ruptura do PL com o grupo político do governador Ratinho Junior (PSD), que ainda não definiu seu candidato ao governo, e garante um palanque de peso para Flávio Bolsonaro no Paraná, já que Moro aparece na liderança em todas as pesquisas de intenção de voto divulgadas até agora.

O apoio foi definido durante uma reunião em Brasília, na quarta-feira. Além de Moro e Flávio Bolsonaro, estiveram presentes o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e os deputados federais Fernando Giacobo (presidente do partido no Paraná) e Filipe Barros (pré-candidato ao Senado). Após o encontro, Costa Neto disse acreditar que, com o apoio do PL, existe a possibilidade de Moro ser eleito no primeiro turno. O presidente do PL confirmou que convidou o ex-juiz da Lava Jato para se filiar ao partido – o prazo para a troca de partidos termina no dia 3 de abril.

No vídeo divulgado por Moro em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro chama Moro de “amigo” e disse que ele “está alinhado” aos propósitos do PL. “É uma grande alegria estar aqui com o meu amigo Sergio Moro, que é o nosso pré-candidato a governador do Paraná, uma pessoa que compartilha das mesmas pautas”, disse o filho de Jair Bolsonaro. “Para a gente botar de pé o nosso projeto de resgate do país e recolocar o Brasil no caminho da prosperidade, o Moro está alinhado com a gente.”

Condenado no Mensalão

Logo após o anúncio, começou a circular nas redes sociais um vídeo em que Moro critica Valdemar Costa Neto. Depois de deixar o Ministério da Justiça e da Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro, em maio de 2021, Moro afirmou em entrevistas que Costa Neto, um “condenado por suborno no Mensalão”, “mandava” no governo de Jair Bolsonaro.

“Hoje, por exemplo, um dos caras que manda no governo é o Valdemar Costa Neto, que é o cara que foi condenado por suborno no Mensalão, que era o cara que estava com o Lula. Então, ele (Jair Bolsonaro) pegou os caras que estavam com o Lula e está tudo com ele hoje. Aí, o cara vem falar que é contra a corrupção.”

Em 2012, Valdemar Costa Neto foi condenado a sete anos e dez meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no esquema que ficou conhecido como Mensalão. Ele foi indultado em 2016 e voltou a ser preso em 2024, por posse ilegal de arma.

Flávio Bolsonaro foi um dos motivos para o ex-juiz da Lava Jato deixar o governo de Jair Bolsonaro em 2021. Segundo Moro, sua saída foi causada pela tentativa de Jair Bolsonaro de interferir para Polícia Federal (PF) para evitar investigações contra seus filhos. Flávio Bolsonaro era investigado pela prática de “rachadinha” (quando o parlamentar fica com parte dos salários de seus funcionários) quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, que era assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio.

Por meio de sua assessoria, Moro afirmou nesta quinta-feira (19) que as negociações com o PL ainda não foram concluídas e que não se manifestará sobre o assunto.

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Racha

O apoio do PL a Sergio Moro retira um dos principais partidos da base de apoio a Ratinho Junior. No último dia 12, o governador recusou um convite feito pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, para ser o candidato a vice-presidente na chapa do PL – o que garantiria o apoio do partido ao candidato do governador no Paraná. Ratinho Júnior informou que pretende manter sua pré-candidatura à Presidência pelo PSD, o que poderá ser anunciado na próxima semana.

O racha terá efeitos na eleição para o Senado, já que o grupo ligado a Ratinho Junior havia se comprometido a apoiar a candidatura de Filipe Barros, lançada por Jair Bolsonaro. Uma das condições da aliança de Sergio Moro com Flávio Bolsonaro seria o lançamento da candidatura do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado.

Greca no MDB

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, que era um dos cotados para concorrer ao governo pelo PSD, anunciou nesta quinta-feira sua volta ao MDB (ele concorreu pelo PMDB à Prefeitura de Curitiba em 2012). A cerimônia de filiação teve a participação do presidente nacional do partido, Baleia Rossi, que lançou a pré-candidatura do ex-prefeito ao governo. Greca é secretário de Desenvolvimento Sustentável de Ratinho Júnior é disse que segue fiel ao governador.

Outro que pode deixar o PSD nos próximos dias é o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi. Ele também disputa a indicação de Ratinho Junior para concorrer ao governo, mas a preferência do governador seria por lançar o secretário das Cidades, Guto Silva. Curi confirmou que tem um convite do Republicanos para disputar o governo em outubro. O prazo para troca de partido termina no dia 3 de abril.

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