O PIB (Produto Interno Bruto) per capita permite mensurar a capacidade de um município de gerar bem-estar e oportunidades para a sua população. Geralmente, o aumento desse indicador está atrelado ao aquecimento da economia, movimentada por diversos setores, como indústria, comércio, serviços e agronegócio. Os efeitos são o incremento na arrecadação de impostos, mais investimentos, maior qualidade de vida, redução da vulnerabilidade social, maior atratividade de empresas e, consequentemente, maior oferta de emprego, criando um ciclo benéfico a toda a sociedade.

Ao longo de todo o ano passado, os membros do Fórum Desenvolve Londrina, com a contribuição de especialistas convidados, debruçaram-se sobre o PIB per capita local. Analisaram a realidade econômica do município, as ações implementadas pelo Executivo, os projetos aprovados pelo Legislativo, traçaram comparativos, identificaram desafios, buscaram soluções para o avanço do indicador e o resultado foi apresentado nesta quinta-feira (19), com o lançamento do caderno PIB Per Capita e o Futuro de Londrina – estratégias e governança para elevar renda e qualidade de vida. O material, com 50 páginas, está disponível a quem se interessar, nas versões impressa e virtual (www.forumdesenvolvelondrina.org.br).

Segundo o Fórum, o estudo parte da compreensão de que “crescer melhor é tão importante quanto crescer mais”. E isso não acontece sem planejamento de longo prazo, governança institucional sólida, políticas públicas coerentes e escolhas claras de vocação econômica. A entidade afasta a expansão predatória ou o crescimento baseado em atividades de baixo valor agregado e defende a construção de uma economia “mais sofisticada, inovadora e resiliente”.

Um dos métodos utilizados pelo Fórum na elaboração do material foi o comparativo com outras cidades, prática que no meio empresarial costuma ser designada pelo termo em inglês "benchmarking". Trata-se de um processo desenvolvido a partir de métricas para comparar desempenhos, com o objetivo de identificar as melhores ações e adaptá-las para aumentar a competitividade, eficiência e inovação.

Nesse trabalho, Maringá (Noroeste), Ponta Grossa (Campos Gerais) e Pato Branco (Sudoeste) serviram como referência. Uma tabela comparou a evolução do PIB per capita de Londrina com o dos três municípios, entre 2013 e 2023. No início da série, o PIB per capita londrinense era de R$ 23.490 e no último ano analisado, passou para R$ 50.362, alta de 114%. No mesmo período, Ponta Grossa avançou 150%, saltando de R$ 28.520 para R$ 71.387, e o indicador em Pato Branco teve expansão de 122%, saindo de R$ 28.514 para R$ 63.350. Percentualmente, o desempenho de Maringá ficou abaixo do de Londrina, com crescimento de 102% no PIB per capita, passando de R$ 33.560 para R$ 67.903. No entanto, em relação às três cidades utilizadas como parâmetro, o PIB per capita londrinense é o mais baixo, embora o município seja a segunda maior cidade do Estado e a quarta da Região Sul.

A conclusão do Fórum é que políticas públicas integradas, gestão técnica, compromisso com o interesse coletivo, planejamento fiscal voltado à inovação, política de atração de empresas de grande porte e investimentos em infraestrutura constituem estratégias de desenvolvimento bastante eficientes. “A gente vê a diferença de planejamento e visão de futuro dessas cidades em relação ao seu desenvolvimento”, afirmou Graça Maria Simões Luz, integrante do Fórum que apresentou os dados nesta quinta-feira, em um evento realizado na sede da Associação Médica de Londrina. “O que ocorreu em Londrina foi que ao longo dos últimos anos, nós tivemos muita instabilidade nos governos municipais e grandes mudanças. E a diferença das outras cidades foi a continuidade e o foco na industrialização e na melhoria de emprego e renda.”

Londrina precisa agora se espelhar nas boas iniciativas e melhorar a sua infraestrutura para conseguir atrair grandes empresas e reter profissionais, avaliou Luz. “Nossos talentos estão indo embora”, disse ela, que aponta como o “grande problema” de Londrina o desequilíbrio da contribuição de cada setor na composição do PIB per capita, que hoje é 60% formado por serviços e apenas 21% pela indústria. “Temos boa qualidade de vida, mas baixos salários. A atração de grandes empresas depende de um esforço conjunto do poder municipal, da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) e de várias entidades.”

Também integrante do Fórum, Adelar Antonio Motter destacou a ocorrência de “franjas de população” na periferia, com renda mais baixa, o que acaba reduzindo o volume do PIB per capita. Ele ponderou, no entanto, que esse é apenas um dos muitos indicadores que compõem a análise do desenvolvimento do município, devendo ser interpretado em conjunto com outras métricas, como acesso à educação e qualidade de vida, que colocam a cidade em uma boa posição. “Certamente, esse (indicador) da economia nos desafia a buscar caminhos que nós ainda não temos clareza e o estudo tenta apontar. O Fórum é um espaço da cidade de proposição e reflexão sobre os caminhos possíveis.”

A partir de análises, debates e experiências de outros municípios do Estado, os integrantes do Fórum elaboraram dez propostas estratégicas consideradas prioritárias e essenciais para Londrina. Entre elas, estão a elaboração de um plano de industrialização, a implantação de uma agência de desenvolvimento, o avanço de parques tecnológicos e distritos produtivos, a revisão e a modernização do arcabouço legal municipal e a formação de capital humano para setores estruturantes.

“Esperamos que, no conjunto da sociedade, nós possamos nos debruçar sobre isso e transformar em planos de trabalho, em desafios para o setor público, para o setor privado. Que o público, o privado e toda a sociedade trabalhem em conjunto na construção desses caminhos que nos levem a um novo patamar de desenvolvimento”, declarou Motter.

Ele adiantou que o tema dos estudos do Fórum para 2026 já está definido. Ao longo dos próximos meses, a entidade estará dedicada à questão ambiental, com foco nos parques e fundos de vale de Londrina.

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