Curitiba - Os três candidatos ao governo do Paraná com participação no horário eleitoral mostraram estratégias diferentes no primeiro programa no rádio e na TV, que foi ao ar nesta sexta-feira (28). Sergio Moro (PL) e seus aliados pautaram a estreia por ataques ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o tempo de Sandro Alex (PSD) foi destinado a ressaltar a ligação do candidato com o governador Ratinho Junior (PSD), e Requião Filho (PDT) mostrou um diálogo sobre educação pública.

Moro abriu o primeiro dia do horário para candidatos ao governo e deixou clara sua estratégia na campanha: tentar vincular o PSD de Sandro Alex ao Centrão e ao que chama de “amigos do Lula” e se colocar como verdadeiro representante da direita no Estado. “O jogo do Paraná está claro. De um lado, os aliados do Lula, o PT, o PDT e a esquerda radical. Do outro lado, os amigos do Lula, o Centrão, o PSD e o MDB, que aqui no Paraná se apresentam como sabor direita”.

Moro pediu voto para o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e deu espaço para o candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo) dizer que “no Paraná, o Centrão e o PT não têm vez” e que “os valores da Lava-Jato estão vivos”. Antes de se filiarem ao PL e ao Novo, Moro e Dallagnol eram filiados ao União Brasil e ao Podemos, partidos identificados com o Centrão.

SANDRO ALEX

O horário de Sandro Alex abriu com o narrador afirmando que “antes de Ratinho Junior, o Paraná andava para trás. Investimento em obras quase não existia. Era um caos. Descaso e atraso. Mordomias e aposentadoria de luxo de ex-governadores”, além de “governantes sendo motivo de piada em rede nacional”.

Ratinho Junior assumiu a narração e apresentou Sandro Alex. “Em 2019, nós decidimos mudar o Paraná”, afirmou o governador. “Ao meu lado, desde o primeiro dia esteve alguém que sonhou e realizou junto porque amou o Paraná de verdade. Sandro Alex, um homem que tirou do papel a Ponte de Guaratuba e fez acontecer a Ponte da Integração, que liderou o maior programa de duplicação de rodovias da nossa história. Mas hoje eu começo a me despedir de vocês, apresentando a todos um homem trabalhador, visionário, preparado, o único à altura para acelerar e levar nosso Estado a um patamar ainda maior.”

Em seguida, o programa traçou semelhanças entre o governador e o ex-secretário de Logística: ambos nasceram no interior do estado (Ratinho em Jandaia do Sul, Alex em Ponta Grossa), são casados e têm três filhos e trabalhavam antes de terem cargos públicos. Para Ratinho Junior, Sandro Alex é o “único candidato capaz de dialogar com o próximo presidente da República. E não é o pessoal ou a ideologia. O Paraná precisa de diálogo, de união, de amor à nossa terra”.

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REQUIÃO FILHO

O candidato do PDT o governo, Requião Filho, mostrou um diálogo com profissionais da educação e estudantes. “Educação: qual foi a última vez que teve concurso público? Na época do seu pai (o ex-governador Roberto Requião)”, afirmou uma das participantes. Outro que participava conversa falou sobre a “plataformização” da educação no Paraná, como é chamado o programa de utilização de plataformas digitais em sala de aula adotado pelo governo de Ratinho Junior.

“Se o professor tá lá, bem treinado, descansado, ganhando bem, motivado, ele vai ver que precisa dar uma atenção diferenciada para você, para você aprender ainda mais”, respondeu o candidato, que prometeu “devolver ao professor a autonomia na sala de aula, reduzir a plataformização, pagar melhor e acabar com a terceirização”. “A gente quer voltar com o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), com a formação continuada”, disse Requião Filho.

SENADO

Alexandre Curi (Republicanos) abriu o horário destinado aos senadores fazendo acenos ao eleitorado conservador: disse que é cristão e defende “a vida desde a concepção, a liberdade, o direito, a propriedade privada”. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná disse que transformou a Casa no Legislativo “mais transparente por dois anos consecutivos” e ressaltou que o Poder devolve recursos ao Executivo. “Menos Brasília. Mais Paraná”, concluiu a narração.

Cristina Graeml (PSD) disse e seu programa que o Paraná precisa de “pessoas com coragem” no Senado. “Coragem para fazer o que os atuais senadores não fizeram”, afirmou a candidata, que prometeu enfrentar os “excessos do Judiciário”, defender a “liberdade, a família, a propriedade privada” e “ajudar a fazer do Paraná a terceira maior economia do Brasil” – uma promessa de Sandro Alex.

MAIS PT

Os horários de Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) repetiram a fórmula do programa de Sergio Moro. Depois de uma rápida apresentação, Barros passou a fazer dupla com Dallagnol para criticar o PT e o que eles chamaram de “sistema”. “A Lava Jato desvendou o maior esquema de produção da história do nosso país. Condenou os responsáveis, inclusive o seu grande irmão. Mas o sistema ‘descondenou’ todo mundo’”, disse Dallagnol. “Eles voltaram e comandam o nosso país”, respondeu Barros. Em seguida, eles se apresentaram como “dois senadores contra o PT e suas mazelas”.

Gleisi Hoffmann (PT) prometeu usar sua experiência em Brasília para garantir programas no Estado. “Fui a primeira senadora do Paraná, ministra, deputada e presidi o meu partido. Sentei à mesa onde as decisões do Brasil foram tomadas. E é isso que eu vou voltar a fazer no Senado Federal, trazendo recursos e projetos para os 399 municípios”. O outro candidato do PT do Senado, Dr. Rosinha, disse que está “no time de Lula, para representar os trabalhadores e as trabalhadoras paranaenses lá no Congresso”.

PROGRAMAÇÃO

Os programas em bloco de candidato ao governo, ao Senado e a deputado estadual vão ao ar às segundas, quartas e sextas-feiras, das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55 (televisão) e das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25 (rádio). As propagandas de candidatos à Presidência e a deputado federal serão exibidas aos sábados, terças e quinta-feiras nos mesmos horários.

Além dos programas em bloco, os candidatos têm mais 70 minutos diários de inserções curtas durante a programação. Os tempos são divididos de acordo com a bancada dos partidos ou coligações na Câmara dos Deputados. Os candidatos ao governo do Paraná Adriano Funileiro (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP) não têm direito a espaço no horário eleitoral.

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