Curitiba - Os três principais candidatos ao governo do Paraná - Sandro Alex (PSD), Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT) - começam sua participação no horário eleitoral gratuito, a partir desta sexta-feira (28), com estratégias e objetivos diferentes. A propaganda na TV ainda é vista como essencial para as campanhas e até o dia 1º de outubro os candidatos de todos o país terão 1 hora e 20 minutos por dia para se apresentar ao eleitorado, tempo dividido entre programas em bloco e inserções durante a programação.

O tempo destinado a cada candidato é calculado pela Justiça Eleitoral com base na representação de cada partido, federação ou coligação na Câmara dos Deputados. No Paraná, os partidos que apoiam Sandro Alex têm 253 deputados, o que garante a ele um total de 4 minutos e 26 segundos nos programas para governador, que vão ao ar às segundas-feiras, quartas e sextas.

Requião Filho tem 124 deputados federais em sua coligação e direito a 2 minutos e 19 segundos a cada bloco. Já a coligação de Sergio Moro, que tem 118 parlamentares na Câmara, terá 2 minutos e 13 segundos. Os demais concorrentes ao governo – Adriano Funileiro (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP) – não têm direito a espaço no horário eleitoral.

ESPERANÇA GOVERNISTA

O maior tempo de Sandro Alex é a aposta do grupo do governador Ratinho Junior (PSD) para garantir a participação no segundo turno – divulgada no dia 24 de agosto, a última pesquisa Quaest* mostra o candidato em empate técnico com Requião Filho.

“O Sandro Alex é um nome conhecido internamente, mas pouco conhecido em termos de atividade política, apesar de ter sido político em Ponta Grossa. Na campanha na TV e no rádio, Ratinho vai fazer esse alinhamento e ser o endosso da candidatura do Sandro Alex. Vamos ver o efeito do horário eleitoral nas próximas pesquisas, porque vai dar mais visibilidade ao nome”, diz Marcos José Zablonsky, relações públicas, especialista em opinião pública e professor da Escola de Belas Artes da PUCPR.

Professora da UFPR e pós-doutora em Comunicação Política, Luciana Panke destaca a presença do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) como vice na chapa, o que pode aumentar a penetração do candidato na capital e nas cidades da Região Metropolitana, que formam o maior colégio eleitoral do estado.

“O horário eleitoral pode ajudar a tornar ele mais conhecido, porque ele entrou na disputa como o candidato do atual governador. O nome dele é limitado em termos de conhecimento do paranaense. E o horário eleitoral acaba projetando ele, fazendo-o ser mais conhecido e aliado a uma figura política bem conhecida que é o ex-prefeito Rafael Greca”, afirma Panke. “O horário eleitoral pode favorecer para essa função de ser conhecido, e não só ser bem conhecido, ser reconhecido com o apoio do atual governador, que tem uma margem grande de aprovação da população”.

MORO E A EXTREMA DIREITA

Na avaliação dos analistas, Sergio Moro tem uma popularidade ligada à operação Lava Jato, não à sua atuação política ou como senador, e herda os votos dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, da extrema direita e de setores ligados ao antipetismo.

“Tecnicamente, olhando as suas atividades legislativas, é muito irrisória a sua participação, mas ele está herdando principalmente o eleitor bolsonarista, esse eleitor mais radical. Por outro lado, o governo do Ratinho abriu um espaço no Senado para uma candidata que tem um alinhamento, que foi candidata aqui a prefeita de Curitiba (Cristina Graeml, do PSD), e que tem um alinhamento muito forte com a extrema-direita e com a direita”, avalia Marcos José Zablonsky.

Para Luciana Panke, Moro passa a imagem de um “herói” para o público antipetista, construído como juiz e não necessariamente em sua carreira política. “Ele fez nome nacionalmente em função da operação Lava Jato, ele se consolidou como político a partir dali. Enquanto juiz, ele já fez essa projeção de imagem pública”, diz a pesquisadora. “Muitas vezes a imagem dele vai continuar sendo associada a uma figura do ‘herói’, como se ele tivesse, entre aspas, salvado a população. Essa figura ‘heroica’ que ele adotou naquele momento acaba colando ainda para parte do eleitorado paranaense.”

REQUIÃO FILHO E A REJEIÇÃO

O candidato do PDT, Requião Filho, tem a maior rejeição entre os três principais concorrentes, segundo a última pesquisa Quaest. Para Luciana Panke, ele deve reforçar a imagem de jovem liderança.

“Os candidatos progressistas acabam sofrendo uma generalização por parte de um eleitorado que muitas vezes nem se informa sobre as propostas. Eles primeiro rejeitam e já formam o voto a partir da rejeição”, comenta a professora da UFPR. “Requião Filho pode aproveitar o capital político que tem, familiar, e mostrar maturidade. O Requião pai (o ex-governador Roberto Requião) é muito conhecido pela personalidade forte, muitas vezes desafiadora e de pouco diálogo. Uma boa estratégia (para Requião Filho) seria mostrar ele com um perfil mais conciliador.”

Para Marcos Zablonsky, o horário eleitoral pode ajudar o candidato do PDT a reduzir a rejeição. “Muita gente ainda está em cima do muro, não fez a sua escolha. O Requião Filho é bem mais moderado do que o pai, nos argumentos, na base. Tem o apoio da Gleisi Hoffmann, que é candidata a senadora bastante presente no Paraná e no Brasil, e vai ter a presença do Lula na campanha.”

O professor da PUCPR diz que o horário eleitoral não perdeu sua força nas campanhas, apesar da internet. “Ainda é uma tradição ouvir as propostas e as ideias dos candidatos, principalmente os majoritários. Já para os deputados federais e estaduais o tempo é muito curto, mas pode resgatar a lembrança do nome e do número do candidato. Ainda é uma boa estratégia para consolidar e reforçar o nome e buscar o voto dos indecisos.”

Em caso de segundo turno, a propaganda recomeça no dia 9 de outubro e vai até dia 23, com tempos iguais para cada candidato a presidente ou governador.

* A pesquisa Quaest foi divulgada no dia 24 de agosto. Foram ouvidos 804 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 20 e 23. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Registro na Justiça Eleitoral: PR-05388/2026.

HORÁRIOS DA PROPAGANDA ELEITORAL

Programas em bloco

Terças, quintas e sábados

Candidatos a presidente: 12m30s

Candidatos a deputado federal: 12m30s

Televisão: das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55

Rádio: das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25

Segundas, quartas e sextas

Candidatos a senador: 7m

Candidatos a governador: 9m

Candidatos a deputado estadual: 9m

Televisão: das 13h às 13h25 e das 20h a 20h55

Rádio: das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25

Candidatos ao governo – tempo nos blocos

Sandro Alex (PSD) – 4m26s

Sergio Moro (PL) – 2m13s

Requião Filho (PDT) – 2m19s

* Sobra de 2 segundos, divididos entre os candidatos nos dias seguintes

Candidatos ao Senado – Tempo nos blocos

Coligação Paraná Para Todos – 1m48s

Dr. Rosinha (PT)

Gleisi Hoffmann (PT)

Coligação a Mudança Continua – 3m27s

Alexandre Curi (REP)

Cristina Graeml (PSD)

Coligação Fortaleza do Paraná – 1m44s

Deltan Dallagnol (Novo)

Filipe Barros (PL)

* Sobra de 1 segundo, dividido entre os candidatos nos dias seguintes

Inserções

Programas curtos, de 30 a 60 segundos, que vão ao ar de segunda a sábado, entre 5 horas e meia-noite, com inserções entre a programação (14 minutos diários para cada cargo: presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual).

Candidatos ao governo – Tempo diário de inserções

Sandro Alex (PSD): 6m54s40

Requião Filho (PDT): 3m37s38

Sergio Moro (PL): 3m28s22

Candidatos ao Senado – Tempo diário de inserções

Coligação a Mudança Continua – 6m54s40

Coligação Paraná Para Todos – 3m37s38

Coligação Fortaleza do Paraná – 3m28s22

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