Lula e Flávio reagem a julgamento de Moraes pelo Supremo
Enquanto o atual presidente cobra apuração rigorosa e transparência do STF, senador do PL tenta vincular escândalo ao governo do petista
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Enquanto o atual presidente cobra apuração rigorosa e transparência do STF, senador do PL tenta vincular escândalo ao governo do petista

Brasília - Enquanto o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) vivenciava um dos episódios mais tensos de sua história recente com o julgamento do ministro Alexandre de Moraes envolvendo os desdobramentos de investigações da Polícia Federal que apontou troca de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o cenário político externo ferveu com reações diretas de lideranças nacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e figuras de proa da oposição — como o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL)— manifestaram posições incisivas sobre a crise institucional.
Em meio aos desdobramentos da crise, o presidente Lula adotou uma postura de cobrança por apuração rigorosa e transparência institucional, enfatizando que nenhuma autoridade está acima da lei.
Em declarações públicas recentes sobre o caso, Lula destacou a importância de que os fatos sejam esclarecidos em absoluta conformidade constitucional.
"Ainda falta apurar. Quem é culpado de verdade? Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da Constituição. A lei acima de tudo e a verdade soberana."
O chefe do Executivo também voltou a criticar o uso de subterfúgios processuais e o impacto de informações vazadas no cenário político: "O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos."
Além disso, nos bastidores e entrevistas, o Palácio do Planalto tem buscado dimensionar o desgaste político gerado pelo embate na Corte, com conselheiros avaliando caminhos para preservar a estabilidade da República às vésperas do pleito eleitoral.
ATAQUES AO SUPREMO
Do outro lado do espectro político, parlamentares e presidenciáveis da oposição — liderados nas críticas por nomes como o senador Flávio Bolsonaro — intensificaram os ataques à condução interna do STF e ao ativismo de ministros, instrumentalizando a crise para cobrar mudanças estruturais na Corte.
Aproveitando o espaço do horário eleitoral gratuito, Flávio Bolsonaro utilizou um pronunciamento direcionado à nação para intensificar as críticas à relação entre o Palácio do Planalto e o Judiciário, buscando colar a imagem do governo federal aos escândalos do STF.
Em sua fala veiculada nacionalmente, Flávio afirmou ter interrompido temporariamente a campanha devido à gravidade do momento institucional:
"Eu estou interrompendo a campanha eleitoral nesse momento, diante da gravidade de tudo o que está acontecendo. O nosso destino é muito mais importante do que qualquer questão política. O Brasil está sendo passado a limpo. O atual governo criou um desequilíbrio institucional. Decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal, que descumpriu a lei."
O candidato também apontou uma suposta divisão de poder na cúpula do Executivo: "O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes. E, no fim, o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando."
Por fim, argumentando que os problemas estruturais do país superam o foco exclusivo da crise jurídica, Flávio concluiu redefinindo as prioridades da narrativa oposicionista:
"E o escândalo do Alexandre de Moraes, veja que absurdo, nem é o pior. Escândalo mesmo é não poder andar em paz nas ruas porque o medo tomou conta. Escândalo é tanta gente endividada sem conseguir pagar as contas. Escândalo é ver o carrinho de compras cada vez mais vazio."
Setores oposicionistas ecoaram o tom, avaliando que a crise aberta no Supremo altera o eixo da campanha e amplia o debate sobre os limites e a separação entre os Poderes da República.
CRISE X ELEIÇÕES
Com o avanço do julgamento extraordinário sob a presidência de Edson Fachin, o posicionamento tanto do Palácio do Planalto quanto dos atores políticos externos evidencia o temor de que o atrito interno entre os ministros acabe por paralisar pautas cruciais para o país e aprofunde a instabilidade institucional no Brasil a menos de um mês para o para o primeiro turno das eleições de 4 de outubro.


Da Redação
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