Londrina prepara renegociação de R$ 300 mi em dívidas de IPTU
O programa já estava previsto pela administração e, agora, deverá reforçar o caixa em meio ao déficit de R$ 205 milhões projetado para 2026
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de outubro de 2026
O programa já estava previsto pela administração e, agora, deverá reforçar o caixa em meio ao déficit de R$ 205 milhões projetado para 2026

A Prefeitura de Londrina está preparando uma nova etapa de renegociação de dívidas, prevista na lei que criou o Regulariza Londrina, que vai abranger cerca de R$ 300 milhões em débitos de IPTU ainda não executados judicialmente. A meta com o primeiro edital, que deverá ser publicado na próxima semana, é arrecadar R$ 30 milhões. Com os editais seguintes, que incluirão ISS e taxas, a expectativa é chegar a R$ 50 milhões.
Embora a medida já estivesse prevista pela administração, o lançamento vai coincidir com um momento de fragilidade financeira do município, que tem um déficit projetado de R$ 205 milhões para o fim de 2026.
Em entrevista à FOLHA, o secretário municipal de Fazenda, Éder Pires, explica que, nesta etapa, a negociação levará em conta o perfil da dívida e do devedor.
“A lógica é: quanto mais difícil de receber a dívida, maior é o desconto; quanto mais fácil de receber, menor é o desconto. A lei traz alguns critérios e fazemos essa análise do perfil da dívida e do devedor e, a partir daí, abrimos a negociação”, pontua o titular da pasta.
Para o primeiro edital, a Prefeitura vai oferecer descontos de 35% a 70% sobre juros e multas dos débitos de IPTU, com possibilidade de adesão, a princípio, até 28 de dezembro. “Na prática, o desconto continua sendo muito bom, mas agora há essa análise de perfil”, acrescenta Pires.
OUTRA MODALIDADE
A lei também prevê outro modelo de renegociação para contribuintes com dívidas acima de R$ 2 milhões. Nesses casos, a negociação pode ser solicitada a qualquer momento, sem necessidade de publicação de edital. Segundo o secretário, os pedidos já apresentados nessa modalidade somam cerca de R$ 33 milhões.
“Existe uma comissão formada por servidores da Secretaria de Fazenda e da Procuradoria para fazer essa negociação dentro dos parâmetros da lei. Eles vão avaliar qual é o tipo do crédito, se tem chance de receber, se tem garantia”, explica Pires, que exemplifica que, no caso de um devedor em dificuldade financeira, a cobrança se torna mais difícil e, por isso, pode haver condições para a concessão de um desconto maior. “É o que chamamos de transação individual.”
PREVISÃO NA LEI
A legislação do Regulariza Londrina impede, por pelo menos cinco anos, a criação de novos programas especiais de parcelamento ou regularização incentivada com remissão, anistia ou redução de juros e multas, como ocorria nos antigos Profis. A transação tributária, no entanto, já está prevista na própria lei e estabelece critérios específicos para a negociação, levando em conta fatores como a capacidade de pagamento do devedor e a possibilidade de recuperação da dívida.
A medida deveria ter sido lançada no primeiro semestre, mas foi adiada por questões relacionadas ao desenvolvimento do sistema. Agora, a expectativa é que a arrecadação ajude a reforçar o caixa da Prefeitura neste fim de ano. “Esse alívio corresponde ao valor total que entrar, porque todo o recurso arrecadado com a negociação fica disponível para o município pagar suas contas", reforça o secretário.
SALÁRIOS E 13° GARANTIDOS
Em meio à crise financeira e às medidas de contingenciamento, Pires afirma que os pagamentos dos salários e do 13º dos servidores municipais estão contemplados nas projeções de arrecadação para os próximos meses. Os cálculos consideram tanto a arrecadação própria do município quanto as transferências do Estado e da União.
“Não temos nenhuma previsão aqui de não pagar salário, não pagar 13º, porque está tudo dentro da programação de arrecadação”, garante. “Isso está, de certa forma, sob controle.”


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


