Com déficit de R$ 205 mi, Tiago anuncia medidas para conter crise
Redução de repasses do subsídio do transporte, revisão de contratos e cortes administrativos estão entre ações anunciadas pela administração
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Redução de repasses do subsídio do transporte, revisão de contratos e cortes administrativos estão entre ações anunciadas pela administração

O prefeito Tiago Amaral (PSD) e sua equipe econômica anunciaram, nesta terça-feira (29), uma série de medidas para tentar conter o desequilíbrio fiscal da Prefeitura de Londrina, que tem projeção de déficit de R$ 205 milhões em 2026. Segundo a administração, desde 2023 o município vem gastando mais do que arrecada, o que agravou a situação financeira.
Em 2025, a Prefeitura identificou um desequilíbrio de aproximadamente R$ 313 milhões, resultado da frustração de receitas (R$ 89 milhões), redução de recursos da Educação (R$ 88,2 milhões), despesas com o transporte coletivo além do previsto no orçamento (R$ 104 milhões) e déficit da taxa de coleta de lixo (R$ 32,4 milhões). A gestão adotou medidas para reduzir o impacto, inclusive com contenção de despesas, mas ainda restou um déficit de R$ 81 milhões, que foi carregado para 2026.
Agora, além desse valor, a equipe econômica prevê uma frustração de R$ 124 milhões em receitas relacionadas ao IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e Imposto de Renda. Somados os dois montantes, o déficit chega a R$ 205 milhões.
“O município precisa fazer uma correção na sua rota, porque despesas que foram assumidas antes de 2025 realmente foram despesas impagáveis e foram deixadas para frente”, afirmou Amaral.
O prefeito citou como exemplo o aumento da tarifa técnica do transporte coletivo definido em 30 de dezembro de 2024, no fim da gestão do então prefeito Marcelo Belinati (PP), que, segundo a atual administração, elevou significativamente a despesa com o subsídio às concessionárias. “O decreto de 2024 foi um estrago”, resumiu.
Entre as medidas anunciadas estão a revisão dos contratos vigentes, com redução de até 25% em parte deles e possibilidade de extinção de outros; revisão do fluxo de horas extras do funcionalismo; deslocamentos apenas em casos considerados estritamente necessários e submetidos à análise de um comitê; e priorização do gozo efetivo das férias.
Segundo Amaral, também haverá redução do subsídio às empresas do transporte coletivo. Mais de R$ 100 milhões já foram repassados às concessionárias em 2026, e a administração pretende promover mudanças no sistema para reduzir os custos.
“Qual é o nosso grande objetivo? As contas do município têm que ser suficientes para, além de bancar toda a estrutura e a conta dos nossos servidores, prestar serviços de qualidade. Essa é a nossa preocupação. Não adianta assumir contas de forma irresponsável, como a gente viu acontecer, e depois não ter dinheiro para pagar as contas básicas”, frisou.
Também estão previstas uma reforma administrativa mais ampla, a modernização da máquina pública e a implantação de sistemas informatizados. O pacote inclui ainda a otimização da frota de veículos, a redução de imóveis locados e a alienação de imóveis subutilizados.
CONTINGENCIAMENTO
O secretário municipal de Fazenda, Éder Pires, afirmou que o corte de despesas não será feito de forma linear. “Hoje o nosso modo de trabalho é operação por operação, contrato por contrato. Tem contratos que serão extintos, tem contratos que serão mantidos. A gente trabalha realmente com a eficiência, não necessariamente com números cravados ou números fechados”, explicou.
RESERVA
A equipe econômica da Prefeitura apresentou um histórico do saldo de recursos livres em caixa nos últimos nove anos. Segundo a administração, com medidas como o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), em 2018, e recursos recebidos durante a pandemia da Covid-19, Londrina chegou a ter R$ 290 milhões em caixa em 2022, montante que foi consumido nos anos seguintes.
Outra parcela significativa do orçamento é destinada ao plano de amortização da Caapsml (Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina). Os aportes começaram em 2022, com R$ 11,7 milhões, e cresceram nos anos seguintes, chegando a R$ 137,3 milhões em 2025. Para 2026, a projeção é de R$ 142,6 milhões.
A diferença entre o que o município arrecada e o que gasta levou Londrina, segundo os números apresentados pela Prefeitura, a registrar comprometimento superior a 95% das receitas com despesas de custeio em 2025. O índice apresentado pela administração é superior aos de Maringá, de cerca de 85%, e Joinville (SC), de 87%.
Com as medidas de ajuste, a expectativa da Prefeitura é reduzir esse comprometimento para aproximadamente 90%, abrindo maior margem financeira no orçamento.
SERVIDORES
Questionado sobre a recomposição inflacionária do funcionalismo, o secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, afirmou que o orçamento de 2027 prevê acréscimo de 4,2% na rubrica destinada à gestão de pessoas.
“Dentro dessa rubrica, tem que caber. O que a gente fez foi garantir que nós temos esse percentual aumentado nessa rubrica, mas não podemos assumir o repasse integral da inflação na data-base do servidor. Mas a ideia é que a gente consiga fazer essa reposição sem maiores problemas”, disse o secretário.
Amaral afirmou que as medidas têm como prioridade garantir o pagamento dos salários dos servidores, inclusive o 13º, e, “na medida do possível”, dos fornecedores e da manutenção da máquina pública. “Isso aqui é um ato de muita responsabilidade. Então, o que nós estamos trabalhando, inclusive essa questão de reajuste ou não no ano que vem, essa é a nossa prioridade”, afirmou.
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CMTU quer reduzir subsídio do transporte para R$ 50 milhões
O presidente da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Renan Salvador, afirmou nesta terça-feira (29) que a administração trabalha com a meta de limitar a cerca de R$ 50 milhões o subsídio municipal ao transporte coletivo. Somente em 2026, mais de R$ 100 milhões já foram repassados às concessionárias.
A CMTU apresentou um diagnóstico segundo o qual o município responde atualmente por 47% do custo total do sistema, estimado em R$ 312,8 milhões neste ano. Até 2021, de acordo com a companhia, não havia participação municipal por meio desse subsídio.
O levantamento mostra ainda que, das 146 linhas, 25 somaram resultado negativo de R$ 75 milhões, enquanto 69 cobrem menos da metade dos próprios custos e apenas nove apresentam resultado positivo. Segundo a CMTU, o modelo atual de remuneração das concessionárias considera o custo da operação, independentemente da quantidade de passageiros transportados.
Salvador afirmou que a reorganização manterá todas as linhas existentes e os bairros atualmente atendidos, inclusive as 31 linhas consideradas políticas públicas. Também não haverá mudanças nas gratuidades previstas na legislação municipal.
A proposta é redimensionar a quantidade de viagens e os intervalos de acordo com a demanda e reduzir a quilometragem percorrida por ônibus com baixa ocupação. Segundo os dados apresentados pela CMTU, apesar de os veículos terem capacidade para até 80 passageiros, a média é de 21,6 passageiros por volta completa. Aos domingos, cai para 2,3 passageiros.
O presidente da CMTU também afirmou que não há previsão de novo aumento da tarifa pública, atualmente em R$ 6,25.
“Nós vamos trabalhar na eficiência. Já estamos trabalhando com a equipe interna, agora junto com as concessionárias, para reduzir a quilometragem rodada de ônibus vazio”, disse Salvador, que afirmou que um cronograma das mudanças deverá ser apresentado “nos próximos dias”.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


