A licitação da Prefeitura de Londrina para contratar a elaboração de projetos complementares para a revitalização do Parque Ecológico Municipal Doutor Daisaku Ikeda, localizado na PR-218, estrada para o distrito de Maravilha (zona sul), foi declarada fracassada. O município recebeu, em 2024, a doação de uma proposta conceitual de um instituto paulista, mas outros projetos ainda são necessários para viabilizar a obra.

O Daisaku Ikeda foi inaugurado em 2000 e, após ter sido destruído por fortes chuvas em 2016, não voltou a ser aberto ao público. O espaço possui 120 hectares e está localizado a 12 quilômetros do centro de Londrina. O parque abrigou a Usina Hidrelétrica Três Bocas, inaugurada em 1943 e desativada 40 anos depois.

Depois de anos de abandono, o município recebeu, em junho de 2024, um estudo conceitual para a revitalização da área. A doação incluiu levantamentos topográficos e estudos de paisagismo e macrodrenagem. Coube ao município, contudo, licitar os projetos complementares, etapa que ainda não foi concluída.

A Prefeitura de Londrina chegou a lançar uma licitação no fim de 2025, com valor máximo de R$ 390 mil. Foram apresentadas seis propostas, mas, segundo o município, nenhuma empresa foi considerada habilitada, e o procedimento acabou fracassado.

“Por conta disso, o edital da licitação e o contrato foram refeitos e estão sendo finalizados pela Secretaria de Gestão Pública. Na sequência, o processo será analisado pela Procuradoria-Geral do Município e a data da licitação será definida”, afirmou, em nota, a administração. A FOLHA apurou que, na nova tentativa, deve haver aumento do preço máximo da licitação para pouco mais de R$ 411 mil.

“Vale lembrar que o parque, um dos mais importantes espaços verdes de Londrina, foi praticamente abandonado durante quase dez anos e que a atual gestão assumiu o compromisso de revitalizá-lo. Os recursos, cerca de R$ 7 milhões, virão do Fundo Municipal do Meio Ambiente e já foram aprovados pelo Consemma”, continuou, em nota, a administração.

A previsão da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) é que a contratação para a revitalização do espaço verde ocorra apenas em 2027. A reportagem teve acesso a um parecer do Consemma (Conselho Municipal do Meio Ambiente) que classifica como “urgente” a recuperação do Daisaku Ikeda.

O plano de aplicação de recursos do FMMA (Fundo Municipal do Meio Ambiente) previu o uso de R$ 6 milhões com base no estudo conceitual. A liberação do montante, porém, está condicionada à aprovação do projeto executivo pelas áreas técnicas do colegiado.

“O projeto deve detalhar as medidas de contenção de encostas e de drenagem para garantir a estabilidade das áreas e a proteção contra erosão, um problema crítico em áreas de fundo de vale”, diz o parecer do Consemma.

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O FMMA também vai financiar a elaboração dos projetos complementares, após a contratação pela Prefeitura. O fundo é alvo de polêmica depois de a administração ter desvinculado e utilizado pouco mais de R$ 13 milhões da área ambiental para pagar despesas da Secretaria Municipal de Educação. A gestão afirma que a medida está amparada na EC (Emenda Constitucional) 136/2025, mas o MPPR (Ministério Público do Paraná) identificou desvio de finalidade e solicitou a devolução integral dos valores.

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