CP marca para domingo depoimentos de vereadores réus na ZR3
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segunda-feira, 30 de julho de 2018
Vitor Struck<br>Reportagem Local 

A CP (Comissão Processante) da Câmara de Londrina marcou para as 9h deste domingo (5) o depoimento dos vereadores afastados Mario Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), ambos denunciados por quebra de decoro parlamentar por suposta participação em esquema de venda de zoneamentos mediante pagamento de propina, conforme descrito pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) na Operação ZR3. A data foi definida nesta segunda-feira (30), após a oitiva de outras duas testemunhas.
"Tanto a minha fala quanto a do vereador Mário Takahashi vão ser excelentes, porque vão ser a oportunidade que a Câmara vai nos dar de poder esclarecer todos os detalhes possíveis e imagináveis de todo este processo", disse Rony Alves.
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Nesta segunda-feira foram ouvidos a ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) e ex-membro do CMC (Conselho Municipal da Cidade) Ignez Dequech, também ré na operação, e o ex-presidente do conselho Osmar Alves. Esta foi a quarta rodada de oitivas da Comissão Processante.
Dequech chegou à Câmara nesta segunda bem antes do horário esperado, às 8h30. O depoimento da ex-presidente do Ippul levou cerca de meia hora e o conteúdo ainda não foi divulgado. Ela não conversou com a imprensa.
A oitiva de Dequech era uma das mais aguardadas, já que é dela a frase "tem que agradar os vereadores", dita em conversa interceptada com o produtor rural Júnior Zampar testemunha-chave da operação, ele tinha interesse em mudar o zoneamento do terreno da família, localizado na zona leste.
Essa fala é considerada pelo Ministério Público fundamental para a acusação, já que Zampar foi quem denunciou o suposto esquema de corrupção envolvendo os dois vereadores afastados, além de membros do Conselho Municipal de Cidades, como a própria Ignez, e o ex-servidor da Secretaria Municipal de Obras Ossamu Kaminagakura, que também é réu na ZR3.
"A Ignez Dequech deixou muito claro as razões que a levaram a falar. Também está gravado pelo Ministério Público quando ela disse pro Zampar que só falou aquilo porque ela tinha interesse em trabalhar em cima do projeto de mudança de zoneamento lá do Zampar, porque tinha interesse pecuniário em prestar o serviço para ele. Mas aqui ela deixou muito claro que nenhum vereador da Casa pediu qualquer tipo de propina a ela", afirmou Rony Alves.
Versões
O presidente da CP, o vereador José Roque Neto (PR), foi questionado pela FOLHA se Ignez Dequech deixou claro em seu depoimento o que quis dizer sobre "agradar os vereadores". "Ela explicou pra gente que não seria nada dessa questão de propina, foi na questão de conversar e orientar os vereadores para que o processo fosse transcorrido dentro da Câmara com a maior tranquilidade, com a maior transparência, com os pareceres favoráveis ou não", disse Roque.
Já a defesa do vereador Rony Alves aproveitou para anexar uma ata notarial que traz uma conversa da assessora parlamentar Vera Rubbo em que ela supostamente teria alertado Mário Takahashi no ano passado sobre a operação, que foi deflagrada em janeiro deste ano. "Ela diz em outubro do ano passado alertando um assessor do vereador Mário Takahashi que 'vem chumbo grosso' pro lado dele bem antes do dia 24 de janeiro, quando a ação do Ministério Público foi deflagrada. Então, isso deixa bem claro que ela também tinha já informação a respeito do assunto e nós queremos que a Comissão Processante tenha conhecimento sobre isso", afirmou Rony. Vera Rubbo é assessora parlamentar do vereador João Martins (PSL), relator da Comissão Processante. Ela chegou a depor ao Gaeco na última semana sobre um suposto movimento de Rony Alves para evitar que os trabalhos da CP resultassem na cassação do mandato do vereador afastado (veja box).


