A ex-vereadora Vera Rubbo, que é assessora do relator da Comissão Processante, João Martins (PSL), prestou depoimento no Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado) na última sexta-feira, confirmando que foi abordada pelo vereador afastado Rony Alves (PTB) no corredor da Câmara Municipal. No depoimento, ela disse que depois de 'tapinha nas costas' o parlamentar teria feito um pedido à assessora para que a CP "pegue leve" no relatório final dos trabalhos que pode culminar na cassação do mandato dele e de Mario Takahashi (PV).

O depoimento ao delegado do Gaeco, Alan Flore, foi feito no mesmo inquérito aberto que apura suposta coação da defesa dos parlamentares contra o agricultor Junior Zampar, considerado testemunha-chave no âmbito da ZR3. "Ela confirmou a conversa, mas entendeu como tom de brincadeira. Se tiver uma ilicitude vamos apurar medidas correspondentes no código penal", disse Flore em entrevista à FOLHA nesta segunda-feira (30).

Na saída da reunião da CP também ontem, Alves negou a suposta abordagem. "Não teria razão nenhuma para eu poder pedir qualquer tipo de facilitação no relatório do vereador João Martins. Não, eu jamais fiz esse pedido", afirmou Alves. Sobre o depoimento da assessora ao Gaeco, o petebista espera ser ouvido para se explicar. "Até porque se eu fosse fazer alguma solicitação faria direto aos vereadores. Eu tenho acesso a falar com os vereadores. Se tivéssemos acesso tanto aos áudios quanto às imagens de câmeras de vídeo aqui da Casa, na sessão quanto nos corredores para comprovar que isso não é verdade.", disse.

Outro "tapinha nas costas" é um dos diálogos mais evidentes dos transcritos na denúncia criminal na qual Rony Alves é um dos treze réus da ZR3. Na processo, os promotores do Gaeco narram que o parlamentar usou a frase para justificar que uma possível ajuda a Junior Zampar para mudança de zoneamento urbano não poderia ficar limitada a um 'tampinha nas costas'. A defesa de Alves alega que a polêmica frase nada tem a ver com troca de benefícios e diz que seria condicionada apenas em possível ajuda futura para pedidos de votos para a família Zampar. (Colaborou Vitor Struck)

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