Consemma quer devolução de recursos retirados do fundo ambiental
Reunião do colegiado nesta segunda-feira (25) também decidiu enviar o caso para análise do Tribunal de Contas
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segunda-feira, 25 de maio de 2026
Reunião do colegiado nesta segunda-feira (25) também decidiu enviar o caso para análise do Tribunal de Contas

O Consemma (Conselho Municipal do Meio Ambiente) decidiu, em reunião nesta segunda-feira (25), formalizar o pedido de devolução dos valores retirados pela Prefeitura de Londrina do FMMA (Fundo Municipal do Meio Ambiente) para custear despesas da Secretaria Municipal de Educação. O caso foi denunciado ao MPPR (Ministério Público do Paraná) e, segundo o colegiado, envolve um montante da ordem de R$ 15,8 milhões.
Mais cedo, em entrevista coletiva, o prefeito Tiago Amaral (PSD) minimizou a denúncia e afirmou que o uso dos recursos ocorreu com base na EC (Emenda Constitucional) 136/2025, que permitiu a desvinculação do superávit do fundo para aplicação na educação, considerada uma área prioritária. Dessa forma, segundo o prefeito, a verba acabou se tornando recurso livre.
“É uma medida constitucional, acima da minha vontade e da vontade de qualquer pessoa, de qualquer ente, de qualquer estrutura, porque nós temos uma Constituição. Acho que ninguém pode estar contra isso. Está totalmente respaldado”, disse Tiago.
Mesmo assim, os conselheiros decidiram encaminhar uma representação ao TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná) para que o órgão analise o caso. Outra medida será um pedido formal de manifestação ao secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, sobre o remanejamento dos valores, uma vez que a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) é a gestora do fundo.
Ao MPPR, a Sema afirmou que não foi informada sobre a necessidade de utilização dos valores por outra secretaria municipal.
De acordo com o Consemma, foram identificadas despesas como pagamento de fornecedores da merenda escolar, repasses a creches filantrópicas e gastos do dia a dia, como energia elétrica e água. Somente em dezembro de 2025, segundo relatório enviado pelo conselho ao MPPR, foram empenhados quase R$ 8,2 milhões para a Educação, dos quais R$ 7,3 milhões foram efetivamente pagos. Os pagamentos teriam continuado até março de 2026, chegando ao montante denunciado.
O Consemma (Conselho Municipal do Meio Ambiente) autorizou na segunda-feira (25) a realização de um projeto para levantamento populacional da ave Zenaida auriculata, conhecida como pomba-avoante, na área central de Londrina. O estudo deverá utilizar recursos do FMMA (Fundo Municipal do Meio Ambiente), com valor de pouco mais de R$ 68,5 mil, e foi proposto pela Sema (Secretaria Municipal do Ambiente).
O parecer técnico do Consemma, contudo, liberou apenas a fase inicial do projeto, que deverá ser focada no levantamento de dados sobre a população das aves. As demais etapas, que incluem estratégias de manejo e controle, como a colocação de armadilhas e o abate, deverão ser reavaliadas e detalhadas após a conclusão da análise dos dados obtidos no monitoramento.
“Sugere-se, ainda, que o projeto contemple a pesquisa e a implementação de métodos de controle biológico e que se aprenda com os erros de planos de manejo anteriores em Londrina, garantindo que qualquer intervenção futura seja cientificamente embasada, eticamente justificável e socialmente aceitável”, diz o parecer técnico do conselho.
A Fauel (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Estadual de Londrina) deverá ser contratada por dispensa de licitação para realizar o projeto.
O crescimento da população de pombas em Londrina foi registrado por inúmeras reportagens ao longo dos anos. Em 2006, a população era estimada em 170 mil aves; em 2013, um censo apontava mais de 400 mil. Para a coleta de dados, o projeto da Sema detalha como será feita a “contagem” das pombas.
“As observações serão por meio de transecções, durante a atividade o observador caminhará em ritmo constante, registrando todas as detecções de pombas durante o trajeto de aproximadamente 100 metros”, diz o documento. “Paralelamente, será realizado um censo dos dormitórios em cada praça, no período do crepúsculo, contabilizando entradas das aves em intervalos de tempo pré-definidos.”


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


