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Londrina

Eleições 2022

m de leitura Atualizado em 23/07/2022, 07:06

Cenário sem PSDB beneficia Ratinho Jr., diz especialista

Para professor da UEL, desistência de Silvestri e base conivente facilitam reeleição do governador, que tem em Requião principal opositor

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de julho de 2022

Guilherme Marconi - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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Desde que o instituto da reeleição passou a vigorar, em 1997, todos os governadores do Paraná foram reeleitos: Jaime Lerner em 1998, Roberto Requião em 2006 e Beto Richa em 2014. A sequência histórica de mandatos seguidos de governadores no Estado poderá se repetir diante de um cenário com pouca concorrência de nomes fortes para enfrentar o atual chefe do Executivo, Ratinho Junior (PSD), em outubro. Na última semana, o recuo do PSDB em retirar o nome de César Silvestri Filho da disputa e a entrada do ex-deputado Ricardo Gomyde pelo PDT devem mexer pouco neste cenário com falta de candidatos à direita para incomodar. O principal opositor é o ex-governador Roberto Requião (PT), mas no cenário atual não há um outro candidato forte capaz de ter números suficientes para ajudar de empurrar a disputa para um segundo turno. 

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. |  Foto: iStock
 

Pesquisa TV Record/RealTime Big Data sobre a eleição para o governo do Paraná divulgada na última quinta-feira (21) mostra o atual governador com 43% das intenções de voto, à frente de Roberto Requião (PT), ex-governador e ex-senador paranaense, que tem 16%. Os demais prováveis candidatos juntos somaram apenas 9%. Neste retrato, Ratinho Junior seria reeleito em primeiro turno, considerando que ele tem mais pontos percentuais do que a soma de todos os outros candidatos. A RealTime não simulou cenários de segundo turno para o governo do Estado. Foram ouvidos 1.500 eleitores, por telefone, entre os dias 19 e 20 de julho. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o código PR-06745/2022. Segundo o instituto, o nível de confiança da pesquisa é de 95%.

Para o professor de ética e filosofia política da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Elve Cenci, a debandada tucana do pleito estadual e a entrada dos pedetistas devem mexer pouco no cenário eleitoral para o governo do Paraná. "Quanto maior o número de candidatos, maior probabilidade de termos um segundo turno ou de termos um candidato que se destaque para tirar votos, seja do Requião ou do Ratinho. E na prática essa saída do PSDB tende a concentrar votos em Ratinho e Requião e poderemos ter a eleição resolvida no primeiro turno. Por enquanto, até o memento não temos nomes de candidatos que tenham impacto sobre o eleitorado com estrutura partidária e de projeção para representar uma terceira via e levar a disputa para o segundo turno. Essa saída tucana beneficia, em princípio, Ratinho Junior." 

Segundo o analista político, o nome de Gomyde, lançado há menos de três meses de 2 de outubro, não terá tempo hábil de crescer a ponto de incomodar. "A candidatura a governador precisa ser construída com mais tempo", completa. 

Leia também: Entrada de Moro acirra a disputa pela única vaga do Paraná ao Senado

SUBSERVIÊNCIA 

Cenci avalia que a culpa pelo esvaziamento de nomes fortes na disputa parte dos próprios deputados estaduais do Paraná que adotam uma postura de "absoluta subserviência ao governador", segundo o professor. "A própria fala do deputado Cobra Repórter (PSD) mostra isso quando disse que os deputados da oposição não ganham nem papel de bala. Isso mostra que os parlamentares paranaenses votam sempre a toque de caixa os projetos enviados pelo Executivo, mesmo quando as propostas são mal elaboradas e mal redigidas." 

Deputados do Cidadania e do PSDB, federados na disputa, admitiram que não queriam sair da base do governo na Assembleia Legislativa e pressionaram a cúpula tucana a desistir de concorrer ao governo do Paraná. Pelo mesmo motivo, deputados do MDB forçaram a saída de Requião do partido no ano passado porque não queriam deixar de compor a base governista de Ratinho Junior.  "Temos um governador com super poderes e isso é histórico, em todos os governos desde a década de 1990. Os atuais deputados estaduais, com raras exceções, ficam posicionados ao lado do governador e tentam garantir o seu quinhão, depois o apoio do governador para suas iniciativas legislativas", pontua o professor da UEL.     

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Por enquanto, não há nomes oficializados ao governo do Paraná em convenção partidária. O PT deve referendar a candidatura de Requião neste sábado (23) em Curitiba e o PSD de Ratinho marcou a convenção para o próximo dia 30, no Expotrade, em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). Outros nomes podem surgir por partidos menores, como PSOL, Agir 36 (ex-PTC), além de Ricardo Gomyde pelo PDT, que fará convenção também no dia 30. 

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