O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esteve em Londrina nesta sexta-feira (4) para abertura da 63ª ExpoLondrina. Ele cumpriu agenda em Curitiba e veio à tarde para a feira acompanhado do governador Ratinho Junior (PSD). O ex-presidente falou que é perseguido e do desejo de concorrer novamente à Presidência.

Quando teve a palavra no evento, Bolsonaro aproveitou para convocar seus apoiadores para o ato pró-anistia dos presos do 8 de janeiro marcado para este domingo (6), na Avenida Paulista, em São Paulo. Ele disse que Ratinho estará na manifestação, que também terá a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e outros nomes da direita.

Atendendo à imprensa, o ex-presidente classificou o movimento como “suprapartidário” e citou o caso da ré Débora dos Santos como um exemplo para defender a anistia dos presos por depredar os prédios dos Três Poderes.

“Com dois filhos pequenos, cumprindo há dois anos [prisão] preventiva, já são dois votos para condená-la a 14 anos. Nunca vi tanta maldade na minha vida. Todo mundo aqui defende mulher; em um momento como esse, a esquerda está contra", criticou.

"Houve alguma tentativa de golpe no Brasil? Ou ficaram sabendo depois dessa 'pseudo tentativa'? Os caras querem, com isso, me tornar inelegível me condenando. Estou sendo acusado de destruição de patrimônio, só se for por telepatia, porque eu estava na Disney", continuou.

Bolsonaro, que recentemente se tornou réu pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na denúncia de tentativa de golpe, disse que ele não precisa provar sua inocência, mas o Ministério Público precisa provar que ele tentou algo “fora das quatro linhas”.

“[Está] tudo errado, tinha que ser em primeira instância. O Lula foi julgado onde? Em primeira instância. Por que, para mim, é diferente?”, perguntou. “Se vai para o Supremo, que está errado, por que não a turma inteira? Por que aquela turma que nós já sabemos o que cada um pensa ao meu respeito?”

Projetando o pleito de 2026, o ex-presidente afirmou que o candidato do PL ao Senado será o deputado federal Filipe Barros (PL) e que “a outra vaga é do Ratinho” - o governador poderá concorrer ao Senado caso desista de disputar a Presidência. Ele também frisou que tem vontade de “um dia voltar a servir à minha pátria com o cargo que eu ocupei até pouco tempo”.

Apesar desse desejo, Bolsonaro foi declarado inelegível até 2030 pelo STF, que julgou uma ação de cassação da chapa do ex-presidente pela acusação de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação na reunião com embaixadores estrangeiros, que ocorreu em 2022 e foi transmitida pela TV Brasil.

“Eu estou inelegível por quê? Por que eu me reuni com embaixadores? É perseguição ou não é? É perseguição, pô. Vamos esperar um pouco mais. Eu tenho certeza que o Parlamento vai dar a devida resposta para a anistia desses que estão presos injustamente e, no futuro, a questão política também”, projetou. “Acho que o Parlamento vai dar a devida resposta àqueles que ousam ou querem tirar do páreo quem tem condições de vencer a esquerda.”

O ex-presidente ainda disse que “o agro é um orgulho nosso” e que, no seu mandato, foi possível “dar paz ao campo”.

“Abrimos o comércio com o mundo todo. O mundo agro queria, sim, uma melhor interlocução conosco, porque eles não queriam deixar sua segurança alimentar dependendo de poucos países. Fizemos nossa parte lá atrás”, completou.

O governador Ratinho Junior saiu sem atender a imprensa.

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