Curitiba - Pelo menos oito ex-deputados federais pelo Paraná planejam o retorno nas eleições deste ano. Dois deles, André Vargas (PT) e Deltan Dallagnol (hoje filiado ao Novo), tiveram os mandatos cassados e outros seis não conseguiram se eleger ou concorreram a outros cargos nas eleições seguintes. No governo do Paraná, pelo menos 18 nomes do primeiro escalão de Ratinho Junior (PSD) deverão deixar o governo até 4 de abril, prazo para a desincompatibilização, para concorrer nas eleições – o que deverá incluir o próprio governador.

Além de Vargas e Dallagnol, outros ex-deputados federais que podem buscar uma vaga na Câmara neste ano estão o ex-prefeito de Curitiba Gustavo Fruet (PDT), Aline Sleutjes (PROS) e Rubens Bueno (Cidadania). Angelo Vanhoni (PT) e Alex Canziani (PSD) deverão concorrer a deputado estadual.

Outro ex-deputado que deve aparecer nas eleições é o ex-prefeito de Londrina Marcelo Belinati, cotado para concorrer ao governo pelo PP ou a vice-governador. Mas seu nome também pode aparecer na disputa por uma vaga no Senado ou na Câmara, onde ele esteve de 2015 a 2019.

Marcelo Belinati, ex-prefeito de Londrina
Marcelo Belinati, ex-prefeito de Londrina | Foto: Douglas Kuspiosz

Condenado e cassado

O caso que mais chama a atenção é o de André Vargas, que chegou a ser vice-presidente da Câmara dos Deputados durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Depois de fazer um gesto polêmico ao lado do então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa – o punho fechado era utilizado como forma de mostrar resistência por condenados nos processos do mensalão –, Vargas foi o primeiro político condenado no âmbito da operação Lava Jato e teve o mandato cassado em 2014.

O petista foi condenado duas vezes pelo então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, e preso em 2015, na 11ª fase da Lava Jato. Vargas foi solto em outubro de 2018 e os dois processos acabaram extintos pela 2ª turma do STF, em dezembro de 2022 e setembro de 2023. O ex-deputado ainda foi absolvido em um terceiro processo, pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

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A decisão de voltar, segundo André Vargas, foi tomada em 2022, quando Ênio Verri (hoje diretor brasileiro da Itaipu Binacional) comunicou que não concorreria mais a deputado. “Eu ainda estava lutando contra dois processos, consegui a anulação dos dois e voltei a ser elegível. Desde então eu tenho me organizado, participei da eleição interna do PT no Paraná e já me reinseri, hoje sou secretário-geral do PT estadual”, disse Vargas. “Isso abre a possibilidade de retornar. Tem uma recomposição da nossa base política, o agrupamento que elegeu o (ex-deputado e ex-ministro) Paulo Bernardo, me elegeu e elegeu o Ênio Verri.”

André Vargas foi o primeiro político condenado no âmbito da operação Lava Jato e teve o mandato cassado em 2014
André Vargas foi o primeiro político condenado no âmbito da operação Lava Jato e teve o mandato cassado em 2014 | Foto: Lúcio Bernardo Júnior/Câmara dos Deputados

'Eleição não pode ser solteira'

Para o ex-deputado, os objetivos da operação Lava Jato eram atingir os governos do PT e o então ex-presidente Lula, além de promover o nome de Sergio Moro nacionalmente. “Em 2014 eu procurei a direção do PT e falei sobre os métodos que estavam usando na Lava Jato, que o objetivo era atingir o presidente Lula, mas eu era apenas um deputado acusado, estava na defensiva, e não foi ouvido”, afirmou o petista. “O Sergio Moro não começou a ser justiceiro na Laja jato, isso vem desde 2004, quando ele mandava prender agricultores.”

Para André Vargas, a esquerda precisará eleger pelo menos 180 deputados federais para barrar o campo bolsonarista. “A eleição não pode ser ‘solteira’, ela tem que ser ‘casada’ com o presidente. Infelizmente, não fizemos a reforma política quando poderíamos ter feito, tivemos a oportunidade em 2007. Com 30 partidos, o voto proporcional não é um voto ideológico. O eleitor muitas vezes não vota no projeto do presidente. Esse sistema é um fomentador de crises.”

Um dos objetivos do PT neste ano é eleger o maior número possível de deputados federais e senadores, para tentar barrar o projeto da direita de manter o controle do Congresso a partir de 2027. Além de André Vargas, o partido terá como candidatos a federal os deputados estaduais Ana Júlia Ribeiro, Arilson Chiorato e Renato Freitas. Carol Dartora, Elton Welter, Lenir de Assis (suplente da ministra Gleisi Hoffmann, que será candidata ao Senado), Tadeu Veneri e Zeca Dirceu tentarão a reeleição.

Deltan Dallagnol teve o mandato cassado
Deltan Dallagnol teve o mandato cassado | Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Outros candidatos

Entre os outros candidatos, Gustavo Fruet já teria confirmado a vontade de concorrer em outubro, mas enfrenta um problema interno no PDT. Fruet deixou o PMDB em 2004, após disputas internas com Roberto Requião, que controlava a legenda no Paraná. Com a filiação do ex-governador ao PDT, no ano passado, o ex-prefeito avalia uma volta ao MDB para as eleições deste ano. Consultado pela FOLHA, Fruet preferiu não comentar o assunto.

Aline Seutjes, de Castro, foi eleita deputada em 2018, na onda de apoio a Jair Bolsonaro (PL), e perdeu a disputa por uma vaga no Senado em 2022. Nesta semana, ela publicou um vídeo em suas redes sociais em que afirma que “a desistência não faz parte do roteiro”.

No PT, a candidatura de Angelo Vanhoni a deputado estadual é dada como certa. Ele foi deputado federal entre 2007 a 2015 e chegou a presidir a Comissão de Educação da Câmara em 2010. Em 2020, assumiu como suplente de vereador em Curitiba e foi reeleito em 2024.

O secretário estadual de Inovação, Alex Canziani, também deverá tentar uma vaga na Assembleia Legislativa. Ele foi deputado federal por quatro mandatos, de 1999 a 2015, e é pai da deputada federal Luísa Canziani (PSD), que deverá tentar a reeleição.

Gustavo Fruet, ex-prefeito de Curitiba
Gustavo Fruet, ex-prefeito de Curitiba | Foto: Raisa Mesquita/Câmara dos Deputados

Desincompatibilização

Canziani é um dos nomes do primeiro escalação do governo de Ratinho Junior que deverão deixar a administração estadual até abril. Além dele, devem concorrer a deputado estadual os secretários da Segurança Pública, Hudson Teixeira; dos Esportes, Helio Wirbiski; da Justiça e Cidadania, Valdemar Jorge; e o chefe do Gabinete de Ratinho Júnior, Darlan Scalco. Do Carmo, secretário do Trabalho, e Márcio Nunes, da Agricultura, tentarão a reeleição à Alep, pelo União Brasil e pelo PSD, respectivamente.

Quatro secretários de Ratinho Junior são deputados federais licenciados e tentarão a reeleição: Beto Preto (secretário da Saúde, PSD), Sandro Alex (secretário da Infraestrutura, PSD), Leandre Da Ponte (secretária da Mulher, PSD) e Marco Brasil (secretário de Indústria e Comércio, PP).

Outros que podem tentar uma vaga na Câmara são o presidente do Detran, Santin Roveda (União Brasil); o secretário da Administração, Luizão Goulart (PSD); o secretário do Turismo, Leonaldo Paranhos (PSC); e o secretário do Desenvolvimento Social, Rogerio Carboni (MDB).

O futuro dos principais nomes do governo, no entanto, ainda são incertos. A começar pelo próprio Ratinho Junior, que tenta consolidar sua candidatura à Presidência da República pelo PSD. O governador disse que, caso não dispute a Presidência, não pretende se candidatar a senador – ele se dedicaria a coordenar campanhas do partido.

Os outros com situação indefinida são os secretários das Cidades, Guto Silva, e do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, que disputam com o presidente a Assembleia, Alexandre Curi, a indicação do governador para concorrer ao governo pelo PSD.

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