Alexandre Salomão propõe plano de longo prazo para o Paraná
Candidato a governador apresenta propostas para educação, saúde e desenvolvimento regional, mas não estima custos das medidas
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quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Candidato a governador apresenta propostas para educação, saúde e desenvolvimento regional, mas não estima custos das medidas

Candidato ao governo do Paraná pelo Mobiliza, Alexandre Salomão defende um modelo de gestão baseado em planejamento de longo prazo e maior integração entre o Estado e os municípios. Durante visita de campanha a Londrina na terça-feira (22), ele apresentou como principais propostas a criação de um plano estadual de desenvolvimento regional, a alfabetização de 100% das crianças até o segundo ano do ensino fundamental e uma tabela SUS (Sistema Único de Saúde) paranaense, com complementação dos valores pagos por procedimentos.
Advogado, Salomão, 55 anos, disputa pela primeira vez um cargo eletivo e concorre sem coligação. A chapa tem Daiana Criminacio, também do Mobiliza, como candidata a vice-governadora. Nas pesquisas eleitorais, entretanto, a candidatura não tem apresentado bons resultados, ficando sempre entre os últimos citados pelos entrevistados.
Marinheiro de primeira viagem em uma campanha eleitoral, ele propõe um governo voltado à coalizão baseado em argumentos que convençam o Legislativo a um trabalho em prol do desenvolvimento paranaense, com nomeações técnicas mesmo quando há indicações políticas. Também sugere valorizar o funcionário de carreira, colocando-o em funções estratégicas do governo.
"O Estado tem um corpo de funcionários concursados muito bem postos, que trabalha muito, que tem visão de solução de continuidade, de boas políticas", afirmou. Para Salomão, a ocupação de cargos de apoio deve considerar a qualificação dos indicados. "A indicação de nomes para escolha e a análise de currículo é essencial para que elas possam ter um bom trabalho e assim obter os resultados que são necessários para o desenvolvimento de todos", disse.
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Embora pregue uma visão de governo perene e de coalizão, levando em conta especificidades de um estado fragmentado como o Paraná, do ponto de vissta de pleitos regionais, Salomão não apresenta dados técnicos e sempre se esquiva de comentar quais seriam os custos e de onde viriam os recursos para implementar suas propostas em um eventual governo.
Na área de desenvolvimento regional, por exemplo, Salomão afirma que o Estado precisa mapear as potencialidades e os gargalos de cada região e auxiliar os municípios na elaboração de planos diretores. A proposta prevê um plano estadual de desenvolvimento, com definição de investimentos mínimos por região e políticas adaptadas às características locais.
"O governo tem que ser o agente fomentador dos municípios para que eles criem os seus planos diretores e o estado precisa ter um plano diretor de desenvolvimento", afirmou. Segundo ele, o planejamento deve considerar as particularidades de cada microrregião e estabelecer um patamar mínimo de investimentos em áreas como educação, saúde e segurança.
Segundo Salomão, áreas como segurança pública não podem receber as mesmas estratégias em todo o Paraná. Ele cita as diferenças entre grandes centros, como Londrina, Maringá e Curitiba, e as regiões de fronteira, onde há enfrentamentos ao contrabando e ao tráfico internacional . "A mesma política não funciona para todas as regiões", afirmou.
O candidato também defende investimentos na Ferroeste e em uma nova ligação ferroviária com o Porto de Paranaguá, que considera estratégicas para o escoamento da produção e o desenvolvimento do interior. Entretanto, não apresentou estimativas de custo para os projetos. Para ele, a ferrovia é uma "necessidade proeminente do Estado" e precisa ser tratada como uma política estratégica, independentemente do governo de ocasião.
EDUCAÇÃO
Outra proposta de destaque no plano de governo apresentado por Salomão é alfabetizar todas as crianças até o segundo ano. Para atingir a meta, ele defende mudanças nos métodos de ensino e acompanhamento individual dos estudantes.
O candidato critica a padronização do ensino e afirma que crianças com diferentes características precisam de métodos distintos de aprendizagem. "Não é só o boletim, não é só a média. É o desenvolvimento da criança", disse. A proposta também inclui maior identificação e acompanhamento de alunos neurodivergentes.
Segundo Salomão, a prioridade deve ser fortalecer a educação básica para que os estudantes tenham condições de avançar posteriormente. "O básico precisa ser muito bem feito. O alicerce da construção é a primeira educação", afirmou.
Porém, ao ser questionado sobre o investimento necessário para atingir a meta, Salomão não apresentou estimativa. Segundo ele, os custos ainda precisam ser levantados e a execução dependeria de mudanças nas prioridades orçamentárias e nos métodos utilizados atualmente.
SAÚDE
Na saúde, Salomão propõe uma tabela SUS paranaense para complementar os valores pagos pelo sistema federal a hospitais e procedimentos. Os critérios, segundo ele, seriam definidos por grupos de trabalho com representantes de áreas como medicina, enfermagem e administração hospitalar.
O candidato também defende a organização dos prontuários médicos dos paranaenses para reduzir a repetição de exames e procedimentos. Ele cita casos de cirurgias adiadas nas quais pacientes precisam refazer exames pré-operatórios, aumentando os custos do sistema. "Essas questões acabam gerando um custo enorme para o Estado, pela repetição e retrabalho", afirmou.
Outra proposta é ampliar as teleconsultas com especialistas e regionalizar o atendimento. Para Salomão, eventuais hospitais regionais devem ser planejados de acordo com as características e necessidades de cada região. "Ela precisa atender a critérios demográficos, da expertise, as questões da própria localidade", afirmou.
Também não há, segundo o candidato, uma estimativa de custo para a implantação da tabela complementar do SUS. Ele afirma que os valores dependeriam de estudos sobre os procedimentos e a capacidade orçamentária do Estado.
POLÍTICAS DE LONGO PRAZO
Salomão sustenta que as mudanças devem ser planejadas para além de um mandato de quatro anos. A intenção é estabelecer metas para períodos de 20 ou 40 anos, com etapas intermediárias para políticas de infraestrutura, saneamento, saúde e educação. "Não será um trabalho concluído em quatro anos", afirmou.
Segundo ele, o principal objetivo de um governo deveria ser estabelecer um caminho que pudesse ser mantido por diferentes administrações. "A gente quer pensar um Paraná para 30, 40 anos. Então, o grande legado que a gente pretende deixar na governança é um caminho estabelecido para onde a gente vai seguir", disse.
PERFIL
Natural de Curitiba, Salomão é formado em Direito pela UTP (Universidade Tuiuti do Paraná), tem pós-graduações em Direitos Humanos e Direito Penal e Criminologia e cursa mestrado em Direito. Foi conselheiro e diretor da OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná) e presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da entidade e a Apacrimi (Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas).
No registro eleitoral, declarou patrimônio de R$ 27,6 milhões, o maior entre todos os candidatos ao governo do Paraná. A maior parte do patrimônio está ligada à participação societária na Stai (Soluções Tecnológicas Ambientais Integradas Ltda.), estimada em R$ 15,04 milhões.


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.






