Curitiba - A campanha eleitoral deste ano começa oficialmente neste domingo (16) e os candidatos já têm mapeadas suas estratégias para atrair o voto do eleitor. No Paraná, duas candidaturas ao governo aguardam o início do horário eleitoral gratuito, visto como principal arma pelas campanhas de Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) para tirarem votos de Sergio Moro (PL), que aparece como líder nas pesquisas. A propaganda no rádio e na TV começará no próximo dia 28.

A avaliação de analistas é que os dois candidatos deverão apostar todas as suas fichas na televisão, já que a campanha pela internet acaba pulverizada e as publicações acabam atingindo nichos. O objetivo será explorar possíveis falhas de Moro, como a ausência em debates e alguns deslizes verbais cometidos pelo senador. Para Sandro Alex, o horário no rádio e na televisão servirá para reforçar o apoio do governador Ratinho Jr (PSD) e a presença do vice Rafael Greca (MDB).

A presença de Ratinho Junior e do ex-prefeito de Curitiba se mostraram essenciais para o candidato governista. A pesquisa IRG divulgada na quinta-feira (13) citou os candidatos a vice e mostrou Sandro Alex em empate técnico com Requião Filho após semanas sem atingir os dois dígitos. O candidato do PSD chegou a 24,8% das intenções de voto, ligeiramente à frente do pedetista, com 21%. Moro permanece na liderança com 40,2%.

“O horário eleitoral tende a ser a ferramenta mais decisiva para o campo governista. O gap de transferência entre a aprovação de Ratinho e o voto em Sandro Alex existe, mas só se fecha se o vínculo for repetido e comunicado. É isso que o horário estruturado permite fazer de forma sistemática, considerando que ele têm vários partidos na coligação e terá o maior tempo”, diz a cientista política, professora universitária e pesquisadora da UFPR Karolina Roeder. “Ao contrário da internet, que é mais fragmentada e mais difícil de controlar a narrativa. Reforçar o apoio de Ratinho Junior no horário é, pelo que a pesquisa mostra, provavelmente a ação de maior retorno esperado disponível à campanha.”

A tática de Moro, avalia a pesquisadora, deverá ser reduzir a exposição e aguardar as eleições – o que poderá incluir a ausência nos próximos debates, como aconteceu na Band Paraná, no último dia 2. “É uma tática clássica de ‘front-runner’, jogar o jogo do relógio, minimizar exposições que podem gerar deslizes ou comparações diretas desfavoráveis”, diz. “Isso tem racionalidade tática de curto prazo, mas carrega um custo. Ausência em debates é facilmente convertida pelos adversários em narrativa de arrogância ou de falta de compromisso com o eleitor.” As ausências deverão ser exploradas por Requião Filho, que já cobrou duramente o candidato do PL após o debate da Band.

Para Karolina Roeder, a internet tende a potencializar o que vem do horário eleitoral e dos debates. “Ela tende a operar mais como amplificador do que como definidor. Potencializa o que já vem do horário e dos debates, ou da ausência deles, mas raramente decide isoladamente uma eleição estadual de perfil mais tradicional como a do Paraná, onde a filiação a máquinas municipais e à estrutura de prefeitos ainda pesa muito."

FORMADORES DE OPINIÃO

O cientista político e professor universitário Doacir Quadros também avalia que horário eleitoral gratuito será a grande arma de Sandro Alex para a disputa – até porque o candidato do PSD terá o maior tempo: cerca de 4 minutos e 26 segundos em cada bloco de nove minutos. Requião Filho (PDT) terá em torno de 2min20s por bloco e Sergio Moro cerca de 24,8%.

O cálculo é feito com base na bancada dos partidos ou coligações na Câmara dos Deputados. Os partidos que integram a coligação de Sandro Alex têm 212 deputados federais; a coligação de Requião Filho tem 124 parlamentares, e a de Sergio Moro, 118. Os candidatos ao governo Adriano Teixeira (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP) não têm direito a tempo.

“O início do horário gratuito eleitoral é o momento que o eleitor tem para conhecer o candidato e Sandro Alex deverá orientar suas estratégias para se tornar mais acessível ao eleitorado paranaense e mostrar os seus atributos. Em média, o horário gratuito tem uma audiência em torno de 10% a 15% do eleitorado.”

Apesar do aumento da participação na internet, o professor diz que o público alcançado pelo horário eleitoral gratuito tem mais capacidade de formar opinião. “É um segmento em que, de acordo com os estudos, tem uma maior escolaridade e se coloca como sendo de formadores de opinião. Eles passam a ter a possibilidade de favorecer os candidatos no convencimento do eleitor que não acompanha o horário gratuito. Também é a partir do horário gratuito que o eleitor identifica que as eleições estão se aproximando e passa a ter a orientação de que já deve definir o seu voto.”

Para Quadros, a pesquisa IRG mostra que o quadro está indefinido. “Ainda há possibilidade desses três candidatos saírem vencedores. Até porque a pesquisa espontânea mostra que 60% do eleitorado que ainda não tem o seu candidato definido”, afirma. “Um ponto que favorece a Sandro Alex é que na última eleição o PSD conquistou em torno de 40% das prefeituras do Estado. Também foi o partido que elegeu o maior número de vereadores no Estado e o maior número de deputados estaduais e federais. Para uma campanha de governador, é um auxílio muito importante, porque a candidatura depende dessas lideranças políticas locais.”

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USO DA IA

Especialista em Direito Eleitoral, o advogado Waldir Franco Felix Junior diz aguardar por um grande número de ações na Justiça Eleitoral em relação ao uso de IA (Inteligência Artificial). Ainda no período de pré-campanha, o TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) determinou a retirada de conteúdos feitos a partir de IA das campanhas de Sandro Alex e Sergio Moro. Os materiais foram retirados do ar porque não informaram que eram feitos com o uso de IA, nem citavam em qual plataforma foram produzidos.

Felix Junior explica que, além de trazer o aviso e a identificação da plataforma utilizada, a publicação com o uso de IA não pode ser negativa, nem fazer críticas a outros candidatos ou a outras pessoas – só pode promover o candidato que as publicou. “O que a gente deve ver a partir de domingo é o uso de Inteligência Artificial para atacar adversários. Pode ser deep fake ou até uso de IA com conteúdo negativo. O candidato pode fazer a crítica, mas não pode usar IA. Só para beneficiar a sua candidatura.”

Como a campanha é rápida, muitos casos poderão ficar sem apuração e punição. “É um grande problema com o qual lidamos. Na velocidade de uma eleição curta, de 49 dias, até obter a informação, com quebra de dados para saber de qual celular ou computador a mensagem partiu, a campanha já passou. Mas pode ser eventualmente descoberto e ter alguma responsabilização criminal ou eleitoral.”

Os disparos de mensagens eleitorais em massa estão liberados, mas o candidato deve utilizar apenas contatos obtidos de maneira orgânica – algo de difícil fiscalização e caracterização. “Ele tem que se identificar como candidato e permitir o descadastramento, sob pena de multa de R$ 100 por cada envio”, diz Feliz Júnior. Nas redes sociais, os candidatos poderão impulsionar suas publicações, sem limite de gastos, desde que sejam mensagem propositivas e não ataquem outras candidaturas.

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