Os Cem Anos de cada um - CTNP
Durante muito tempo, a versão divulgada pela CTNP era de que ”fora procurada por uma Cia concessionária em dificuldades
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terça-feira, 26 de agosto de 2025
Durante muito tempo, a versão divulgada pela CTNP era de que ”fora procurada por uma Cia concessionária em dificuldades
Humberto Yamaki 
A CTNP comemora 100 anos em 2025. Quase em silêncio.
Poucos conhecem o prelúdio da Companhia de Terras no empreendimento do Norte do Paraná. As informações sobre terras devolutas e concessão de ferrovias sempre foram envoltas em certa névoa. Expressam forte poder. É preciso saber interpretar. Num mapa do Paraná em branco, a CTNP reforçava apenas o contorno de suas terras.
Durante muito tempo, a versão divulgada pela CTNP era de que ”fora procurada por uma Cia concessionária em dificuldades, e que prolongou uma ferrovia falimentar de fazendeiros a partir de Cambará... ”. Em contraponto, alguns até enxergariam um modelo em colônias britânicas ultramarinas.
Existe, no entanto, uma outra versão. Foi pesquisada em Planos e Relatórios de Governo. O projeto da CTNP era grandioso. Mais do que inventividade, o empreendimento refletia ajustes à Concessão de Terras Devolutas e Ferrovias, o Decreto de Colonização e Mapas de Viação (Yamaki, 2017). Em outubro de 1925, o Governo do Estado PR, a CTNP e a Cia Marcondes SP registram em Curitiba, a “Escriptura de Compra e Venda de Terras Devolutas”. Os 350.000 alqueires (parte da concessão anterior da Cia Marcondes) e a ferrovia EFCP, também concessão inicial da Cia Marcondes em 1922, ajustada, seriam transferidas para a CTNP (Yamaki, 2017). Um detalhe. Uma “área de reserva” na margem do Paraná era guardada para as duas companhias, caso encontrassem terras já ocupadas.
A ferrovia EFCP ajustada, transferida da Cia Marcondes para a CTNP em 1925, tinha linha tronco e quatro ramais. A linha tronco seguia o rio Ivaí. A quase totalidade dos ramais atravessava áreas adquiridas pela CTNP. Exceção ao Ramal 2 (NS) que ligava o rio Bom, afluente do Ivaí, à povoação de S. Salvador, confluência do ribeirão Vermelho e o rio Paranapanema.
Partes de concessões nas margens do Paranapanema, ainda não parceladas, foram incorporadas pela CTNP, a leste, a partir de 1925. Finalmente, uma faixa de 3 km de largura que pertencia à concessão Beltrão foi anexada em 1927. Ia do espigão das Aboboras à linha Leite e Silva. Tinha como eixo o Ramal 2 da EFCP ajustada.
Pouco depois, a primitiva Cia Ferroviária Noroeste do Paraná e a CTNP conseguem a concessão da CFSPP (1928). Ia de Cambará à serra de Apucarana. Era um eixo Leste Oeste seguindo o espigão mestre. Essa concessão substituía os termos e decretos de ferrovias anteriores.
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Assim foram definidos os eixos NSLO. O Patrimônio de Heimtal (1929) seria projetado no eixo NS (EFCP ajust.). O Patrimônio Três Boccas (1930) no eixo LO (CFSPP) junto à Divisa de Terras. Finalmente, Londrina (1930~34) em malha xadrez NSLO seria implantada num “alto”, no cruzamento das duas ferrovias planejadas. Sob essa perspectiva, vemos com maior clareza o poder, visões e estratégias da Companhia de Terras.
Salve 100 anos CTNP !
Humberto Yamaki, coordenador do Três Boccas Laboratório de Paisagem



