Londrina 96 anos
Passando a comemorar aniversários da cidade em 10 de dezembro, ignorou-se sua existência desde 21 de agosto de 1929
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segunda-feira, 25 de agosto de 2025
Passando a comemorar aniversários da cidade em 10 de dezembro, ignorou-se sua existência desde 21 de agosto de 1929
Domingos Pellegrini 
Londrina até agora está perdendo 5 anos de sua história. Seus aniversários são comemorados a 10 de dezembro, data em que, em 1934, o interventor (governador) Manoel Ribas, em Curitiba assinou decreto elevando o até então Patrimônio Três Bocas à categoria de município, depois de ter sido distrito de Jataizinho. A então distância política e social entre a capital e o novo município ficaria evidente quando não houve presença de londrinenses na posse do primeiro prefeito, que até então não morava na pequena cidade de casas de peroba e foi indicado pelo governador.
Passando a comemorar aniversários da cidade em 10 de dezembro, ignorou-se sua existência desde 21 de agosto de 1929, quando aqui chegou ao depois chamado Marco Zero a caravana inicial da colonização promovida pela Companhia de Terras. Ali já estivera antes outra pequena caravana, também da Companhia, acampando no mesmo local chamado Três Bocas, por contar com três nascentes de água. Ali o engenheiro agrimensor Alexandre Razgulaeff fincou uma estaca demarcatória, primeiro ato civil no local que era conhecido pelos indígenas da região mas não habitado permanentemente.
São Paulo comemora seus aniversários a 25 de janeiro, quando foi fundado por padres católicos seu Colégio Real Jesuítico para catequização dos indígenas regionais, e o marco de fundação da cidade foi uma missa.
Curitiba começou em 1693 como Vila de Nossa Senhora dos Pinhais, depois de ser, desde data imprecisa, povoado ocasional de bandeirantes paulistas que ali iam prospectar ouro e aprisionar indígenas. Só em 1721 foi nomeada Curitiba, e em 1859 elevada a capital da Província do Paraná então emancipando-se da Província de São Paulo. Curitiba porém comemora seus aniversários a partir de 1693, assim não desprezando sua história real antes da fundação oficial, o que lhe dá 332 anos em vez de 304.
O equívoco burocratizante que omite 5 anos da história de Londrina privilegia uma visão oficial em vez da visão real. Se é preciso um marco inicial de Londrina para mudar sua idade, a chegada da primeira caravana e a estaca fincada por Razgulaeff são fatos reais e incontestáveis, além de mais adequados à índole empreendedora de nossa civilização e nossos pioneiros. Assim se pode substituir também a imagem de um governador decretante (nomeado pelo presidente Getúlio Vargas para governar durante 13 anos sem eleições na ditadura do Estado Novo) pela imagem jovem do chefe da caravana, George Craig Smith, então com apenas 22 anos.
Além disso, o aniversário a 21 de agosto de 2029 propicia conveniente distância do feriado do Natal, centralizador de comemorações. Mudando seu aniversário, Londrina pode também homenagear sua real história baseada no empreendedorismo e na multiplicidade étnica de seus pioneiros, pois na primeira caravana havia homens de várias nacionalidades, inclusive um indígena. Talvez a Câmara de Vereadores pode mudar isso com uma simples lei municipal, até para Londrina ficar mais perto dos 100 anos.
Domingos Pellegrini, escritor
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