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Londrina

EDITORIAL

m de leitura Atualizado em 18/09/2020, 00:05

Insegurança alimentar

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Folha de Londrina
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Ter acesso a uma quantidade suficiente de comida de qualidade de forma permanente deveria ser um direito básico de todas as famílias. No Brasil, no entanto, quatro em cada dez núcleos familiares precisam limitar o tipo de alimento ou a porção que levam à mesa. Em muitos casos, a fome faz parte da rotina.   

A proporção foi detectada na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As entrevistas foram feitas em quase 58 mil domicílios por todo o País em junho de 2017, mas a pesquisa foi divulgada ontem. A situação mostra-se ainda mais alarmante uma vez que a tendência de queda no número de famílias em condição de insegurança alimentar foi revertida.  A porcentagem vinha diminuindo nas últimas décadas: eram 35% em 2004, 30% em 2009 e 23% em 2013. No estudo mais recente, porém, o número saltou para 37%.  

A pesquisa mostra também que a fome é mais presente em lares chefiados por mulheres e negros. Elas chefiam apenas 39% das casas que têm acesso regular à comida em boa quantidade e qualidade, enquanto os homens chefiam o restante delas. A fome também é um problema que afeta mais as crianças e adolescentes, principalmente os que vivem em áreas rurais. As restrições na mesa atingem 44% das famílias do campo, e nas áreas urbanas isso acontece com 23% dos domicílios. 

Ter o armário repleto de mantimentos é uma rotina mais comum entre os brancos. Os negros são os chefes de família de 74% dos domicílios com insegurança alimentar grave, e os brancos, de apenas 25%. Vale lembrar que a proporção da população brasileira em geral é de 57% de pardos e pretos e 42% de brancos. 

A qualidade e a quantidade das refeições são apenas dois dos problemas enfrentados pelos mais pobres no Brasil. Junto com eles, sempre vêm outros problemas, como o acesso a saneamento básico e coleta de lixo, por exemplo, bem abaixo da média do País. 

De acordo com o IBGE, a crise econômica que assolou o País na época contribuiu para esse agravamento. A explosão do desemprego se refletiu nas geladeiras, principalmente nas das famílias de menor renda. E em pleno século XX, um direito básico, que deveria ser garantido a todos em qualquer país, ainda não é respeitado no Brasil, um dos grandes produtores de alimentos do mundo. Para muitos, a questão não é qual será a próxima refeição, mas se haverá uma.

Obrigada por ler a FOLHA!