Sobre as ciclofaixas, dispostas nas ruas Santos e Paranaguá, a decisão tomada pela CMTU foi técnica e acertada, considerando que a cidade deve primar pela isonomia e todas as demais são ciclofaixas 24 horas por dia.

Em 2015, pelo que se sabe, a decisão de permitir estacionamento apenas nessas duas ruas em alguns horários e dias da semana, foi exclusivamente política, o que feriu princípios legislativos e éticos. Demorou para acabar com a palhaçada de ter e não ter ciclofaixa, de ser e não ser ciclofaixa. A administração pública assume, sem disfarces, que o tratamento das ciclofaixas e ciclovias deve ser o mesmo em qualquer bairro ou região. Essas ciclofaixas fazem parte de um projeto maior, que diz respeito ao Circuito Pé Vermelho de Cicloturismo. É importante salientar que o uso das referidas ciclofaixas para estacionamento de carros estava ocorrendo, irregularmente, há mais de oito anos, como forma de uso privado, sem cobrança e retorno para os cofres públicos, nem controle de tempo de permanência dos automóveis.

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Ademais, o uso de ciclofaixas traz benefícios não somente para ciclistas, como foi possível ver em imagens veiculadas pela imprensa, pessoas em situações especiais de mobilidade, como cadeirantes estão circulando pelas mesmas, sem correr o risco de se aventurar entre carros nas ruas ou pedestres nas calçadas. Isto sem mencionar a importância de ter um local próximo das residências para sair com a família, pedalar e curtir horas de lazer. Trata-se de cuidar e estimular uma vida saudável com a prática de exercícios, de cuidar do meio ambiente com menos carros nas ruas e consequentemente menos poluição ambiental.

Sem dúvidas, o maior desafio para a manutenção e instalação de novas ciclofaixas e ciclovias não estará vinculado ao impacto econômico, mas sim político. Que cenário desejamos para Londrina daqui a dez ou vinte anos? Vamos avançar na sustentabilidade da cidade, agregando padrões e valores de urbanização sustentável? Como falar em transformar Londrina em uma “cidade inteligente” sem valorizar mobilidade urbana e qualidade de vida da população?

O caminho é certo: manutenção de ciclofaixas exclusivas para bicicletas é um diferencial para estimular, cada vez mais, o desejo e a segurança de usar a bicicleta como meio de transporte, para lazer ou trabalho. É passada a hora de pensar e priorizar o ser humano da cidade, o cidadão londrinense, do que tão somente sempre o comércio. Bora pessoal, pedalar faz bem para o corpo e para mente.

Maria Aparecida Vivan de Carvalho (professora universitária aposentada) Londrina

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