O Sinpro (Sindicato dos Profissionais das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná) acompanha o reinício das atividades presenciais nas instituições da rede privada de ensino. O retorno gradativo, em formato híbrido (presencial e remoto) e facultativo aos pais ou responsáveis foi determinado por meio de liminar concedida neste final de semana pela juíza Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha. No entanto, o município recorreu da decisão e aguarda um posicionamento do TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná).

Conforme o presidente do Sinpro, André Cunha, a decisão judicial em primeira instância já era esperada e o sindicato vai acompanhar e fiscalizar a implantação e execução dos protocolos de segurança para evitar a infecção pelo novo coronavírus.

“A decisão está em consonância com o que nós imaginávamos. É um reinício de bastante preocupação com um processo de retomada gradual, facultativa, limitando o número de alunos por sala, mais ou menos como o que ocorreu em outubro do ano passado, quando uma liminar restabeleceu a retomada das atividades presenciais em 80 escolas de Londrina e região”, destacou.

Casos pontuais de profissionais que fazem parte dos grupos de risco também serão monitorados pela equipe do sindicato. “Vários decretos estabelecem que profissionais com comorbidade devem permanecer em trabalho remoto. Desde o ano passado temos trabalhado com essas situações junto às instituições e temos conseguido resolução em 100% dos casos. [...] Temos que lidar com a mesma preocupação que tivemos no mês de outubro quando houve o retorno das atividades e não houve aumento na infecção. A nossa expectativa é que permaneça dessa maneira”, afirmou.

Desde o início da pandemia em março do ano passado, 27 escolas de pequeno e médio porte encerraram as atividades em Londrina e região. Grande parte das instituições oferecia educação infantil. Ainda de acordo com estimativas do Sinpro, aproximadamente 1.800 profissionais da educação foram demitidos no mesmo período. “Isso representa 10% da força de trabalho na educação privada na região”, comentou.

Em caso de irregularidades no cumprimento dos protocolos de segurança ou outras questões envolvendo a retomada das atividades, o Sinpro disponibiliza um telefone específico para receber denúncias anônimas: 0800-400-0900.

O presidente do Sinepe-NPR (Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Norte do Paraná), Alderi Ferraresi, garantiu que “a questão sanitária está bem controlada” nos estabelecimentos. Segundo ele, poucas escolas retomaram as atividades na manhã desta segunda-feira (8). O número será mais expressivo nesta terça após a realização de pesquisas com os pais ou responsáveis para verificar quantos desejam que os alunos retornem às atividades presenciais.

“A escola vai demarcar a posição de cada carteira respeitando o distanciamento de 1,5 metro entre os alunos e, com isso, a escola vai ter um dimensionamento da quantidade de estudantes admissível em cada sala. A regra básica é essa”, destacou.

REDE MUNICIPAL

As atividades nas escolas da rede municipal de ensino permanecem de forma remota. O presidente do Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina), Marcelo Urbaneja, comentou que a retomada presencial pode ser prejudicial e levar ao aumento no número de casos de Covid-19.

“A gente é contrário a essa posição da justiça. Os professores estão querendo voltar a trabalhar presencialmente. As crianças também querem voltar. As escolas particulares têm questões econômicas que também são super importantes, mas o que nós não podemos nos esquecer que estamos vendo pelo mundo todo situações que levam ao aumento de casos. O ideal, para nós, seria que os professores fossem incluídos nos grupos prioritários da vacina para aí sim nós termos condições de um retorno com mais tranquilidade”, ressaltou Urbaneja.

RECURSO

Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira, o prefeito Marcelo Belinati informou que o município está recorrendo para reverter a decisão no Tribunal de Justiça do Paraná. No entanto, quando questionado, o prefeito afirmou que irá cumprir a determinação da juíza Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha caso o TJPR não julgue o recurso dentro do prazo de dez dias estipulado pela magistrada. “Claro que as aulas têm que voltar, a questão é o momento”, lamentou Belinati.

Conforme argumentou a juíza com base em argumentos científicos e experiências de outros países que tiveram suas aulas retomadas, a retomada de forma híbrida e controlada não seria responsável por um aumento no número de novos casos de Covid-19. Porém, Belinati discordou do posicionamento.

De acordo com ele, o principal problema seria o aumento na circulação de estudantes no transporte público, em vans escolares e nas próprias escolas. “É um momento muito delicado. temos mais de 200 mil estudantes e 30% são 60 mil. Pessoas que vão voltar para dentro dos ônibus, vans e salas de aulas. É óbvio que vai aumentar a contaminação, quanto mais pessoas contaminadas, mais gente vai para o hospital”, lamentou.

(Matéria atualizada às 20h51)

LEIA MAIS:

APP-Sindicato pretende recorrer de decisão de reabertura de escolas

Juíza determina retorno imediato das aulas em Londrina

Leitos de enfermaria do SUS para tratamento de Covid em Londrina estão 100% ocupados

mockup