Os 46.830 estudantes matriculados na rede municipal de ensino tiveram seu último dia de aula na sexta-feira (19). O fim do ano letivo foi válido para as 185 unidades geridas pela Prefeitura de Londrina, sendo 88 escolas municipais, 33 CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil) e 64 CEIs (Centros de Educação Infantil) filantrópicos conveniados com o órgão. Conforme a secretária municipal de Educação, Vania Costa, a palavra que define o seu primeiro ano de gestão é “resiliência”, norteado pelos objetivos principais de “reduzir custos, trazer economia e organizar a casa”.

Quando a pedagoga assumiu o cargo interinamente em janeiro - sendo efetivada em abril -, o prefeito Tiago Amaral (PSD) elencou quais eram as prioridades da pasta: uniforme, material, transporte e merenda. Ela contou que iniciou o trabalho com um déficit de R$ 88 milhões, contra os R$ 944.118 milhões de orçamento disponíveis para o ano. Costa pontuou que o primeiro desafio foi resolver a licitação parada dos uniformes em um prazo de um mês, até o início das aulas em 5 de fevereiro, sendo que “muitos dados não batiam com a realidade”. “Nos apresentaram que faltavam 15 mil uniformes, fomos ver que eram 100 mil”.

Uso aplicado de ‘logística e gestão’

A entrega de material escolar seguiu até abril, sendo que no meio do ano, a questão dos uniformes voltou a ser um problema. Pais de alunos começaram a questionar a falta de recebimento, e assim, foi feita uma força-tarefa em parceria com o Tiro de Guerra de Londrina em agosto, para recolher peças que estavam paradas desde 2018 em diversas unidades. Foram 58.184 peças recolhidas, contabilizando uma economia de R$ 1 milhão.

Os uniformes novos e “reaproveitados” serão entregues aos alunos em uma ação inédita, explicou a secretária, com os kits já compostos de roupas de verão e inverno. “Todas as vezes que estávamos nas unidades, o kit de verão chegava no inverno, e o de inverno chegava no verão. Agora, cobriremos as duas estações, e as crianças vão receber já no primeiro dia de aula”, programado para 5 de fevereiro.

Costa salientou que, no início da gestão, alimentos estavam em falta no cardápio da merenda, com a necessidade de remanejar galões de óleo “de escola por escola” em julho, até uma empresa demonstrar interesse na licitação para ofertar o serviço. Disse ainda que, em 2024, produtos da agricultura familiar integravam 14% do cardápio, com a elevação do número para 54% este ano, “valorizando a agricultura local”. São quase 90 mil refeições servidas por dia.

Integração para todos

Focando na inclusão, o transporte escolar contou com “aumento nas linhas e maior comodidade aos alunos que usam cadeira de rodas, absorvendo mais ou menos outros 600 estudantes”.

A secretária informou que com mais de 4.500 alunos neurodivergentes atendidos pela rede municipal, cerca de 500 professores concursados atuam “fora de sua função” como profissionais de apoio, para contornar o gargalo e suprir as necessidades das crianças. Um projeto-piloto será colocado em prática em sete unidades a partir de janeiro, com a capacitação e contratação de trabalhadores especializados para beneficiar em torno de 200 crianças.

A pedagoga citou ainda o reajuste de 6,5%, com efeitos retroativos a janeiro, sobre os salários das professoras de CEIs filantrópicos, após a greve da categoria que durou quatro dias em maio. O índice foi aplicado de forma escalonada, sendo 4,77% concedidos em junho e 1,73% concedidos em dezembro.

Sem Londrina Mais

Costa disse que priorizou novidades em sua gestão, com o órgão optando por não realizar a 8ª edição do Londrina Mais, o maior evento educacional do sul do Brasil. A amostra reuniu cerca de 20 mil pessoas em 2024, com 100 estandes divulgando a produção científica realizada pelos alunos das unidades escolares da rede ao longo do ano.

“O custo era caríssimo e não tivemos condições financeiras, porque a locação do espaço era cara. Nós achamos pontos muito positivos, mas não era toda a família que poderia ir no horário de aula, era mais para os professores verem e o trabalho era voltado para as crianças”, considerou a secretária.

Para não deixar os alunos desamparados, foram promovidos eventos em menor escala neste ano. “Tem essa interação da escola com o bairro, a escola vende comida e a família fica mais tempo, tem a oportunidade de ver o trabalho dos seus filhos. Em um evento muito grande, onde cada um fica num pedacinho, não é tão produtivo quanto nas unidades”.

Cortes para economizar

A chefe da Secretaria de Educação relatou que a Prefeitura fez um remanejamento para honrar as dívidas da pasta, sendo que nas primeiras semanas da gestão de Amaral, foi identificado um rombo de aproximadamente R$ 300 milhões. Conforme apuração da FOLHA em outubro, a previsão é de um déficit de cerca de R$ 120 milhões até o fim do ano. No âmbito da Educação, Costa informou que economizaram “evitando o desperdício”, e “o prefeito teve que tirar dinheiro de outras fontes para poder pagar”, com repasse da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Tecnologia.

O aporte complementar foi no valor de R$ 56.375.336,06 milhões, visto que os R$ 944 milhões previstos para o orçamento do ano não comportariam as demandas. De julho a outubro, a pasta economizou R$ 4.788.627,31, com a poupança até dezembro ainda no processo de contabilização. Assim, ainda não é possível quantificar o déficit orçamentário atual, mas Costa salientou que “mesmo com todos os aportes, a dívida permanece para o próximo ano”.

Folha nas salas de aula

Costa destacou ainda a parceria com a Folha de Londrina via o caderno Folha Cidadania, em atividade há 31 anos em escolas municipais de Londrina e Cambé, cidade vizinha. Iniciativas e projetos pedagógicos compõem a publicação todas as terças-feiras e alunos do 5º ano recebem as edições impressas, o que estimula a leitura e amplia o vocabulário.

“Eu sou suspeita para falar, porque enquanto gestora da escola Carlos Dietz (centro), o Folha Cidadania sempre estava lá. A criança obtém conhecimento de uma maneira prática, conhece o formato de um jornal, tem acesso a um meio de comunicação fundamental, porque o jornal atualiza, informa, traz oportunidades de emprego”, considerou.

O que está por vir

Para o ano que se inicia, a secretária almeja a implementação do Programa Cartão Material Escolar na rede municipal, que já foi instituído por Amaral e prevê a concessão de créditos por meio de cartão magnético, ou tecnologia equivalente, destinados à compra de materiais escolares definidos pela Secretaria de Educação. Também busca fazer a contratação efetiva dos professores aprovados no concurso público mais recente, “para diminuir a falta que está na nossa rede”.

Disse que os servidores irão continuar o “trabalho de excelência e diferenciado na parte pedagógica”, com diretores e coordenadores participando da Formação Inicial para Gestores nos dias 29 e 30 de janeiro. De 2 a 4 de fevereiro, os professores realizarão as atividades de prática pedagógica.

Os objetivos principais envolvem a oferta de educação de qualidade, segurança nas instituições, merendas dignas e maior participação das famílias nas escolas. “Estamos seguindo com muito compromisso um planejamento estratégico, identificando as fragilidades. Aquilo que foi bom nós potencializamos e o que não foi tão bom estamos tratando de outra forma, procurando outros caminhos", antecipou Costa.

Imagem ilustrativa da imagem Secretária de Educação define 2025 como ano de 'arrumar a casa'
| Foto: Emerson Dias/NCom

Ambicionando os próximos passos, disse que "conseguimos reduzir vários gastos dentro da Secretaria em um ano muito difícil, mas eu tenho certeza que o que foi melhor para a educação nós fizemos. É uma equipe nova, uma nova gestão, com pessoas comprometidas, com certeza os erros que tivemos nós vamos transformar em acertos no próximo ano”.

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