Secretária de Educação define 2025 como ano de 'arrumar a casa'
Vania Costa analisou iniciativas da gestão, que enfrentou déficit inicial de R$ 88 milhões no orçamento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Vania Costa analisou iniciativas da gestão, que enfrentou déficit inicial de R$ 88 milhões no orçamento

Os 46.830 estudantes matriculados na rede municipal de ensino tiveram seu último dia de aula na sexta-feira (19). O fim do ano letivo foi válido para as 185 unidades geridas pela Prefeitura de Londrina, sendo 88 escolas municipais, 33 CMEIs (Centros Municipais de Educação Infantil) e 64 CEIs (Centros de Educação Infantil) filantrópicos conveniados com o órgão. Conforme a secretária municipal de Educação, Vania Costa, a palavra que define o seu primeiro ano de gestão é “resiliência”, norteado pelos objetivos principais de “reduzir custos, trazer economia e organizar a casa”.
Quando a pedagoga assumiu o cargo interinamente em janeiro - sendo efetivada em abril -, o prefeito Tiago Amaral (PSD) elencou quais eram as prioridades da pasta: uniforme, material, transporte e merenda. Ela contou que iniciou o trabalho com um déficit de R$ 88 milhões, contra os R$ 944.118 milhões de orçamento disponíveis para o ano. Costa pontuou que o primeiro desafio foi resolver a licitação parada dos uniformes em um prazo de um mês, até o início das aulas em 5 de fevereiro, sendo que “muitos dados não batiam com a realidade”. “Nos apresentaram que faltavam 15 mil uniformes, fomos ver que eram 100 mil”.
Uso aplicado de ‘logística e gestão’
A entrega de material escolar seguiu até abril, sendo que no meio do ano, a questão dos uniformes voltou a ser um problema. Pais de alunos começaram a questionar a falta de recebimento, e assim, foi feita uma força-tarefa em parceria com o Tiro de Guerra de Londrina em agosto, para recolher peças que estavam paradas desde 2018 em diversas unidades. Foram 58.184 peças recolhidas, contabilizando uma economia de R$ 1 milhão.
Os uniformes novos e “reaproveitados” serão entregues aos alunos em uma ação inédita, explicou a secretária, com os kits já compostos de roupas de verão e inverno. “Todas as vezes que estávamos nas unidades, o kit de verão chegava no inverno, e o de inverno chegava no verão. Agora, cobriremos as duas estações, e as crianças vão receber já no primeiro dia de aula”, programado para 5 de fevereiro.
Costa salientou que, no início da gestão, alimentos estavam em falta no cardápio da merenda, com a necessidade de remanejar galões de óleo “de escola por escola” em julho, até uma empresa demonstrar interesse na licitação para ofertar o serviço. Disse ainda que, em 2024, produtos da agricultura familiar integravam 14% do cardápio, com a elevação do número para 54% este ano, “valorizando a agricultura local”. São quase 90 mil refeições servidas por dia.
Integração para todos
Focando na inclusão, o transporte escolar contou com “aumento nas linhas e maior comodidade aos alunos que usam cadeira de rodas, absorvendo mais ou menos outros 600 estudantes”.
A secretária informou que com mais de 4.500 alunos neurodivergentes atendidos pela rede municipal, cerca de 500 professores concursados atuam “fora de sua função” como profissionais de apoio, para contornar o gargalo e suprir as necessidades das crianças. Um projeto-piloto será colocado em prática em sete unidades a partir de janeiro, com a capacitação e contratação de trabalhadores especializados para beneficiar em torno de 200 crianças.
A pedagoga citou ainda o reajuste de 6,5%, com efeitos retroativos a janeiro, sobre os salários das professoras de CEIs filantrópicos, após a greve da categoria que durou quatro dias em maio. O índice foi aplicado de forma escalonada, sendo 4,77% concedidos em junho e 1,73% concedidos em dezembro.
Sem Londrina Mais
Costa disse que priorizou novidades em sua gestão, com o órgão optando por não realizar a 8ª edição do Londrina Mais, o maior evento educacional do sul do Brasil. A amostra reuniu cerca de 20 mil pessoas em 2024, com 100 estandes divulgando a produção científica realizada pelos alunos das unidades escolares da rede ao longo do ano.
“O custo era caríssimo e não tivemos condições financeiras, porque a locação do espaço era cara. Nós achamos pontos muito positivos, mas não era toda a família que poderia ir no horário de aula, era mais para os professores verem e o trabalho era voltado para as crianças”, considerou a secretária.
Para não deixar os alunos desamparados, foram promovidos eventos em menor escala neste ano. “Tem essa interação da escola com o bairro, a escola vende comida e a família fica mais tempo, tem a oportunidade de ver o trabalho dos seus filhos. Em um evento muito grande, onde cada um fica num pedacinho, não é tão produtivo quanto nas unidades”.
Cortes para economizar
A chefe da Secretaria de Educação relatou que a Prefeitura fez um remanejamento para honrar as dívidas da pasta, sendo que nas primeiras semanas da gestão de Amaral, foi identificado um rombo de aproximadamente R$ 300 milhões. Conforme apuração da FOLHA em outubro, a previsão é de um déficit de cerca de R$ 120 milhões até o fim do ano. No âmbito da Educação, Costa informou que economizaram “evitando o desperdício”, e “o prefeito teve que tirar dinheiro de outras fontes para poder pagar”, com repasse da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Tecnologia.
O aporte complementar foi no valor de R$ 56.375.336,06 milhões, visto que os R$ 944 milhões previstos para o orçamento do ano não comportariam as demandas. De julho a outubro, a pasta economizou R$ 4.788.627,31, com a poupança até dezembro ainda no processo de contabilização. Assim, ainda não é possível quantificar o déficit orçamentário atual, mas Costa salientou que “mesmo com todos os aportes, a dívida permanece para o próximo ano”.
Folha nas salas de aula
Costa destacou ainda a parceria com a Folha de Londrina via o caderno Folha Cidadania, em atividade há 31 anos em escolas municipais de Londrina e Cambé, cidade vizinha. Iniciativas e projetos pedagógicos compõem a publicação todas as terças-feiras e alunos do 5º ano recebem as edições impressas, o que estimula a leitura e amplia o vocabulário.
“Eu sou suspeita para falar, porque enquanto gestora da escola Carlos Dietz (centro), o Folha Cidadania sempre estava lá. A criança obtém conhecimento de uma maneira prática, conhece o formato de um jornal, tem acesso a um meio de comunicação fundamental, porque o jornal atualiza, informa, traz oportunidades de emprego”, considerou.
O que está por vir
Para o ano que se inicia, a secretária almeja a implementação do Programa Cartão Material Escolar na rede municipal, que já foi instituído por Amaral e prevê a concessão de créditos por meio de cartão magnético, ou tecnologia equivalente, destinados à compra de materiais escolares definidos pela Secretaria de Educação. Também busca fazer a contratação efetiva dos professores aprovados no concurso público mais recente, “para diminuir a falta que está na nossa rede”.
Disse que os servidores irão continuar o “trabalho de excelência e diferenciado na parte pedagógica”, com diretores e coordenadores participando da Formação Inicial para Gestores nos dias 29 e 30 de janeiro. De 2 a 4 de fevereiro, os professores realizarão as atividades de prática pedagógica.
Os objetivos principais envolvem a oferta de educação de qualidade, segurança nas instituições, merendas dignas e maior participação das famílias nas escolas. “Estamos seguindo com muito compromisso um planejamento estratégico, identificando as fragilidades. Aquilo que foi bom nós potencializamos e o que não foi tão bom estamos tratando de outra forma, procurando outros caminhos", antecipou Costa.

Ambicionando os próximos passos, disse que "conseguimos reduzir vários gastos dentro da Secretaria em um ano muito difícil, mas eu tenho certeza que o que foi melhor para a educação nós fizemos. É uma equipe nova, uma nova gestão, com pessoas comprometidas, com certeza os erros que tivemos nós vamos transformar em acertos no próximo ano”.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


