Para retomar o atendimento na Iscal (Irmandade da Santa Casa de Londrina) após o fechamento provisório do PS (Pronto-Socorro) e cancelamento de cirurgias eletivas e de urgência, o HU/UEL (Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina) emprestou medicamentos e insumos essenciais à instituição nesta sexta-feira (17), que sofreu com desabastecimento após ser submetida a intervenção judicial.

Os materiais serão suficientes apenas para o final de semana, com Reilly Alberto Aranda Lopes, interventor nomeado pelo Juízo da Vara da Fazenda Pública de Londrina, buscando soluções permanentes, sendo que o hospital teria fechado se não fosse pelo auxílio. O MPPR (Ministério Público do Paraná) sustenta que a instituição atravessa crise financeira, administrativa e assistencial que decorre de má gestão, e assim, a atual diretoria foi afastada.

A advogada de defesa dos gestores informou que o estoque de suprimentos cruciais à assistência estava no limite, com materiais devendo ser adquiridos com urgência. Deborah Damas alegou que a diretoria não realizou a compra em respeito à decisão da juíza Gabriela Aranda de proibir a diretoria de praticar atos de administração.

Como ficou determinado que os diretores deveriam colaborar com a transição, tanto a juíza quanto a promotora de Justiça da Saúde Pública de Londrina, Susana de Lacerda, apontaram o desabastecimento imediato como um reflexo do colapso da Iscal, e não resultado da intervenção.

“Esse ‘não agir’ fundado em interpretação duvidosa da ordem judicial ou eventual uso da decisão como pretexto para suspender compras, pagamentos urgentes ou rotinas indispensáveis à assistência poderá configurar, em tese, descumprimento do próprio comando judicial. Também não se mostra juridicamente admissível que a decisão judicial seja invocada como causa para suspensão de cirurgias eletivas, fechamento de pronto-socorro, recusa de novos pacientes. A alegação apresentada, tal como formulada, parece mais buscar tensionar a decisão do que propriamente cumpri-la”, pontuou a juíza.

Aranda proibiu a suspensão dos atendimentos médicos, cirurgias, atendimentos de urgência e emergência e pronto-socorro “salvo por motivo técnico individualizado”. Lacerda garantiu que “o paciente que bater na porta da Santa Casa hoje vai ser atendido e não vai faltar medicamento”, sem motivo para pânico. “As cirurgias que foram adiadas serão só as dessa semana, a decisão judicial deixa claro que nenhuma outra cirurgia eletiva pode ser adiada a partir de segunda (20)”, completou, criticando ainda o fato de “um hospital desse porte trabalhar com insumos para três dias”.

Empréstimo convertido em insumos

Reilly Lopes assumiu a função de interventor nesta sexta, cargo que ocupará por no mínimo 180 dias - período passível de prorrogação - elencando os seus primeiros passos na tentativa de sanar as irregularidades financeiras. “A nossa equipe fez um levantamento de quais são as necessidades básicas para os próximos dias e estamos correndo atrás de empréstimos. Conversei com o nosso principal convênio e solicitei a possibilidade de que eles façam um adiantamento da nossa parcela, porque tudo que a gente atende em um mês, a gente recebe depois que fatura, então eu pedi o adiantamento e eles estão fazendo o possível para fazer o pagamento hoje. Vamos converter esse dinheiro em insumo para garantir que a gente não sofra de novo com desabastecimento por pelo menos a próxima semana”.

Os materiais cedidos pelo HU são o suficiente para atender a demanda deste fim de semana, com uma “nova luta” se iniciando na segunda. Sem o auxílio, a Iscal teria fechado, disse Lopes.

Uma perícia contábil aprofundada será promovida para entender a magnitude do déficit financeiro. O hospital conta com a parceria do Município e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) neste momento, sendo que o último tem encaminhado casos menos complexos ao PS para que não haja um consumo elevado de medicamentos.

A advogada da gestão afastada alertou que fornecedores que vendiam para a Iscal de forma parcelada disseram que só manterão a prestação do serviço mediante pagamento à vista. Lopes espera que a negociação com eles não seja um problema, a partir da amostra que a intervenção é positiva.

“Pedi um levantamento de todos os nossos credores e prestadores com quem temos vínculo pra tentar entender o tamanho disso. Vamos começar a chamar a partir da próxima semana pra conversar e ver como a gente pode melhorar a relação”, adiantou.

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