Réu por homicídio em farmácia é condenado a 16 anos em Londrina
Em júri popular, Jander Bezerra da Silva foi condenado pelo assassinato de William Aparecido Henrique Ferreira; crime foi motivado por ciúmes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Em júri popular, Jander Bezerra da Silva foi condenado pelo assassinato de William Aparecido Henrique Ferreira; crime foi motivado por ciúmes

Jander Bezerra da Silva, réu pelo homicídio qualificado de William Aparecido Henrique Ferreira na farmácia onde a vítima trabalhava em fevereiro de 2025, foi condenado a 16 anos e seis meses de reclusão em regime fechado. A decisão foi proferida nesta terça-feira (10) pela juíza Chélida Soterroni Heitzmann, após votação do júri na 1ª Vara Criminal de Londrina. Silva retornou à Cadeia Pública Masculina de Londrina, onde já estava preso preventivamente desde o dia do crime, e sua advogada de defesa irá recorrer da decisão, por achar a pena “exacerbada”.
Como o homem já havia assumido a autoria, confessando que foi motivado por ciúmes, a advogada Indyanara Pini não buscava a absolvição de seu cliente, e sim, a retirada das qualificadoras apontadas pela acusação, almejando uma dosimetria menor. Ele foi acusado de homicídio qualificado com motivo torpe, sendo o descontentamento com o fato de sua esposa ter mantido um relacionamento com a vítima cerca de um ano antes do ocorrido, quando o casal estava separado. Também era considerado o recurso que dificultou a defesa de William, já que Silva efetuou o disparo da arma pelas suas costas, surpreendendo o funcionário enquanto ele trabalhava.
Durante a investigação, a PC (Polícia Civil) descobriu que, dois dias antes do crime, a companheira de Silva teria tentado romper o relacionamento que já durava mais de oito anos, e que este foi o estopim do assassinato. Durante seu depoimento no julgamento, como testemunha, a mulher informou que “as investidas da vítima em relação a ela continuavam acontecendo, mesmo depois dela ter relatado o casamento e mesmo durante o relacionamento da vítima com outra pessoa”, informou Pini.
Pena 'alta' surpreendeu
Se as circunstâncias qualificadoras tivessem sido afastadas, como a advogada almejava, a condenação sem agravantes se aproximaria de seis anos. Como isto não ocorreu, Silva foi condenado a 16 anos e seis meses de reclusão em regime fechado e voltou à Penitenciária Estadual de Londrina III.
“A pena foi um tanto quanto exacerbada, essa dosimetria nós não esperávamos mesmo mantendo a qualificadora, fomos surpreendidos. Vamos apresentar recurso para que ela chegue a um patamar de mais ou menos 12 anos. Vamos buscar, pelo menos, uns 4 anos de redução”, adiantou Pini.
Emoção ou premeditação
A advogada disse ainda que, “pelas circunstâncias do delito, nós não víamos como torpeza a forma como o ato aconteceu”, alegando que Silva agiu tomado por “emoção, desprezo e raiva”. Avaliou que o homem não disfarçou o rosto, não estava encapuzado e utilizou a própria motocicleta para ir até a farmácia, o que “demonstra que não teve um momento anterior que ele pensou na forma de assegurar a impunidade para o crime”, completou.
Já o promotor de Justiça que atuou no caso, Tiago Gerardi, elencou fatos ao júri para demonstrar a premeditação do homem. Disse que Silva comprou a arma do crime dias antes do homicídio, “ficou de tocaia por horas aguardando o momento que achou correto para atacar William” e “deu uma desculpa ao patrão de que iria levar a filha no médico”.
Desculpas à família de William
Silva foi interrogado no julgamento desta terça, mostrando arrependimento pelo crime e se desculpando com a família de William, que estava presente. Ele tem dois filhos com a esposa e, na tentativa de “resguardar a família, acabou prejudicando a própria”, considerou Pini. “Hoje ele vê todo mundo com as dificuldades que ele impedia que a família tivesse quando ele estava solto e trabalhando. Ele disse que se tivesse pensado um pouco antes, não teria feito da forma como fez. Então, ele se arrepende do crime e se arrepende pela vítima”.
A Justiça acatou a denúncia do MPPR (Ministério Público do Estado do Paraná) contra Silva semanas após o crime. O MP havia pedido uma indenização de cem salários mínimos, cerca de R$ 150 mil, à família de William, para reparação de danos morais. Pini informou que esta pretensão foi afastada na sentença da juíza Chélida Heitzmann, “por ausência de possibilidade de aferir essa necessidade e a comprovação de que a vítima daria esse retorno efetivamente financeiro à família”.
Relembre o caso
O crime ocorreu em 27 de fevereiro do ano passado em uma farmácia localizada na Avenida Inglaterra, zona sul de Londrina. William Ferreira tinha 25 anos e trabalhava no estabelecimento, quando foi surpreendido por Jander da Silva, na época com 29 anos, que estava armado.
O homem teria entrado no estabelecimento e pedido um remédio, momento em que William se virou, e Silva efetuou o primeiro disparo, sem sucesso. Na sequência, a vítima teria caído e dado alguns passos para trás, quando foi atingida na cabeça e morreu na hora. O projétil ficou alojado na nuca do jovem.
Silva foi localizado e preso pela PM (Polícia Militar) quatro horas após o crime. A motocicleta utilizada no homicídio foi encontrada e apreendida.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


