Prefeitos discutem em Londrina respostas a eventos climáticos
Gestores de várias regiões do Brasil debate medidas para enfrentar estragos de eventos climáticos e conhece iniciativas de inovação e tecnologia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Gestores de várias regiões do Brasil debate medidas para enfrentar estragos de eventos climáticos e conhece iniciativas de inovação e tecnologia

Prefeitos, secretários e gestores públicos de diferentes regiões do Brasil estão em Londrina nesta quarta-feira (4) para uma missão técnica da FNP (Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos), que tem entre os principais objetivos discutir como enfrentar os impactos dos eventos climáticos extremos associados ao El Niño. A iniciativa ocorre em meio aos estragos provocados por temporais, vendavais e tornados em municípios do Paraná, como Apucarana e Maringá, e prevê também debates sobre inovação, tecnologia e gestão pública.
A comitiva foi recebida no Jardim Botânico de Londrina e permanecerá no Norte do Paraná até sexta-feira (6). Além da cidade, a programação inclui visitas a Apucarana e Maringá, com apresentações de projetos e iniciativas das administrações municipais. Esta é a primeira missão nacional organizada pela FNP, que costuma promover intercâmbios internacionais para que gestores brasileiros conheçam experiências de outros países.
O secretário-executivo da entidade, Gilberto Perre, explica que a escolha do Norte do Paraná considera as características da região e as iniciativas desenvolvidas pelas administrações locais. Em Londrina, a agenda concentra-se principalmente em inovação e transformação digital. Em Apucarana, o destaque será a educação em tempo integral, enquanto Maringá apresentará iniciativas ambientais e de governança.
“Prefeitos de todo o País são convidados, secretários e gestores municipais a conhecer boas práticas”, afirma Perre.
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A questão climática ganhou destaque na programação diante dos acontecimentos recentes na região. Apucarana enfrentou, em setembro, o que o prefeito Rodolfo Mota (União) classificou como a maior tragédia da história do município, em 82 anos. Mais de 5 mil imóveis foram atingidos por ventos fortes e granizo. A administração municipal precisou distribuir lonas e telhas para atender famílias que tiveram as casas destelhadas ou danificadas.
Em Maringá, um tornado provocou a queda de quase 400 árvores em aproximadamente 15 a 20 minutos, recorda Mota. A cidade recebeu apoio de equipes de municípios vizinhos, incluindo Apucarana, que enviou uma força-tarefa para auxiliar no atendimento a um hospital cujo acesso estava comprometido por árvores caídas. “Não tem cidade pronta para o El Niño. Ninguém vai passar por isso sozinho”, afirma.

O prefeito de Apucarana destaca que a preparação das administrações municipais e a capacidade de resposta rápida são fundamentais diante de ocorrências cuja dimensão e localização não podem ser previstas com precisão. Segundo ele, a experiência de seu município também envolveu a preparação antecipada de licitações e contratações para aquisição de materiais necessários em situações de emergência. “Quem está com a casa descoberta não pode esperar dois dias para receber uma lona. Não pode esperar 30 ou 60 dias para receber um kit de telhas. Tempo de resposta é importante”, afirmou.
Mota diz que Apucarana adquiriu R$ 1 milhão em telhas para atender famílias em situação de vulnerabilidade e distribuiu aproximadamente 300 mil metros quadrados de lonas. Para ele, os municípios precisarão lidar ainda com consequências prolongadas dos temporais, como danos ao asfalto, prédios públicos e unidades escolares, além de possíveis reflexos na saúde pública. O prefeito estima que os gastos adicionais de Apucarana com os estragos registrados nos últimos 60 dias possam chegar a R$ 5 milhões a R$ 7 milhões.
Soluções locais
O prefeito de Londrina, Tiago Amaral (PSD), afirmou que a circulação de informações entre as cidades permite identificar medidas que já foram testadas em situações semelhantes e antecipar ações para evitar problemas. Segundo ele, Londrina também tem participado de operações de apoio a municípios atingidos, como Sapopema, Apucarana e Maringá.
As equipes municipais procuram observar, durante essas operações, tanto as dificuldades enfrentadas pelas cidades quanto as medidas que deram resultado. A intenção é incorporar os aprendizados à estrutura local e compartilhar iniciativas que possam ajudar outras administrações.
“Uma das missões do nosso time quando vamos para lá é fazer anotações, avaliações daquilo que a gente já tem, daquilo que eles sofreram lá, para a gente já corrigir aqui, e também levar experiência para eles”, disse Amaral.
A programação em Londrina também contempla iniciativas nas áreas de transformação digital, saúde, educação e mobilidade urbana. Entre os projetos apresentados estão o Londrina On, que reúne serviços digitais e incorpora a UPA Digital; os ônibus transformados em laboratórios móveis de tecnologia para aproximar atividades de inovação dos estudantes; e o sistema de gestão do transporte coletivo, baseado na integração de dados e informações.

Vice-presidente de Turismo da FNP, a prefeita de Igarassu (PE), Elcione Ramos (sem partido), também ressaltou a importância de discutir os efeitos climáticos em âmbito nacional. Ela conta que municípios da região metropolitana de sua cidade enfrentam calor intenso e enchentes, enquanto outras áreas de Pernambuco têm previsão de chuvas. “Isso precisa ser discutido não só pelos prefeitos, mas também pelas instituições maiores que vão nos nortear, para que a gente consiga minimizar ou evitar os efeitos desse fenômeno”, afirma.
Além das questões climáticas, os gestores devem abordar desafios fiscais, arrecadação, investimentos e prestação de serviços públicos. Segundo Perre, o equilíbrio entre receitas e despesas é um assunto recorrente nas conversas entre prefeitos, que também buscam articulação em Brasília para ampliar os recursos destinados aos municípios.
A missão nacional da FNP no Norte do Paraná é a primeira iniciativa desse formato promovida pela entidade. A intenção é identificar outras regiões brasileiras que possam receber encontros semelhantes nos próximos anos.


Luis Fernando Wiltemburg
Jornalista





