Chacina ocorrida em 30 de janeiro de 2016 resultou na morte de 12 pessoas; série de assassinatos foi registrada após a morte de um policial militar
Chacina ocorrida em 30 de janeiro de 2016 resultou na morte de 12 pessoas; série de assassinatos foi registrada após a morte de um policial militar



Dois policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público por tentativa de homicídio contra três homens que estavam em um bairro da zona sul de Londrina. O crime ocorreu na madrugada do dia 30 de janeiro em meio à chacina que resultou na morte de 12 pessoas e deixou mais de dez feridos. A série de assassinatos e tentativas de homicídio foi registrada após a morte do policial militar Cristiano Bottino no final da tarde de 29 de janeiro, na zona norte da cidade. A partir daí, os crimes foram cometidos em diversos bairros da cidade durante a madrugada do dia 30.

Na denúncia, o promotor Ricardo Alves Domingues relata que dois policiais se uniram para executar as vítimas. "Enquanto um deles pilotava a motocicleta, o outro, empregando uma arma de fogo, com inequívoco propósito de matar, disparou os projéteis". Conforme o promotor, os baleados foram socorridos de imediato e testemunhas reconheceram os envolvidos no crime. Os nomes dos atingidos pelos disparos não serão revelados a pedido da promotoria.

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Seis testemunhas foram requeridas pelo MP. Além das vítimas, outros dois policiais militares e um delegado da Polícia Civil. Domingues aguardava a conclusão das perícias para oferecer a denúncia à Justiça. Porém, não há previsão para o término dos laudos requisitados ao Instituto de Criminalística. Em razão da gravidade do crime e da função pública exercida pelos PMs investigados, o promotor pede a aplicação de medidas cautelares como a suspensão do porte de arma, determinando ao comando da PM que recolha as armas de fogo sob posse dos denunciados; a suspensão parcial da função pública permitindo apenas a execução de atividades administrativas sem contato com o público; a proibição de qualquer contato com as testemunhas do caso e que os denunciados compareçam periodicamente em juízo. Os advogados dos policiais não foram encontrados para conceder entrevista.

Anderson Coelho/ Arquivo Folha 30-01-2016
Anderson Coelho/ Arquivo Folha 30-01-2016



Esta é a primeira denúncia oferecida pelo Ministério Público de um dos crimes relacionados à chacina. Logo após a série de assassinatos, seis policiais militares foram presos e pelo menos três foram conduzidos coercitivamente para prestar esclarecimentos. Outros fatos vieram à tona como a morte de um carroceiro em março de 2016 e locais de crimes adulterados com a intenção de comprometer as investigações. Em ambos os casos, a promotoria apontou o envolvimento de policiais militares, alguns já considerados suspeitos de participação na chacina. Os PMs foram liberados meses depois. A assessoria de imprensa da Polícia Militar não informou se os investigados estão exercendo atividades no setor administrativo ou no patrulhamento nas ruas.

Ao todo, há 17 inquéritos em andamento para apurar homicídios e tentativas de homicídios ocorridos no final de janeiro de 2016, em Londrina. Os inquéritos abertos somam, aproximadamente, 1.500 páginas. Como há a possibilidade dos homicídios estarem interligados, é necessária a análise de todas as perícias para a conclusão das investigações.

Nos últimos dois anos, o MP encaminhou dezenas de ofícios aos órgãos oficiais e à Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) solicitando mais agilidade e explicações sobre a demora na análise dos materiais apreendidos. "A estrutura do Instituto de Criminalística está muito aquém da necessária para atender a demanda. Um caso dessa gravidade não está recebendo a atenção devida. Era necessário dar uma atenção especial, essas perícias deveriam ser priorizadas", avalia o promotor.

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