Um cronograma estabelecido entre a Polícia Civil, o Ministério Público e representantes do Instituto de Criminalística prevê a conclusão das perícias pendentes em, aproximadamente, nove meses. Conforme o delegado de Ibiporã, Vitor Dutra de Oliveira, responsável pelos inquéritos relacionados à chacina, os detalhes do cronograma e dos materiais encaminhados não podem ser revelados, já que as investigações correm sob sigilo a pedido da Justiça em razão do possível envolvimento de agentes públicos.

Logo após os crimes, um delegado de Curitiba foi designado especialmente para apurar os fatos. "Os materiais haviam sido levados para o Instituto de Criminalística de Curitiba porque o grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial) é de lá e isso facilitaria a tramitação das investigações. Não havia ficado nada em Londrina, inicialmente, mas depois houve excesso de perícias na capital", explica Oliveira.

Com a demora, parte dos itens como celulares, HDs e pendrives retornou ao Instituto de Criminalística de Londrina. Os materiais que demandam análise mais complexa permaneceram em Curitiba. "Há uma dificuldade enorme de investigação por causa de indícios de envolvimento de agentes públicos. Nesses crimes, eu dependo muito mais dos resultados das perícias do que das diligências que têm que ser feitas", afirma.

Segundo informações obtidas pela reportagem, há mais de 600 celulares e centenas de outros equipamentos apreendidos em diversos crimes que estão na fila de espera para perícias no Instituto de Criminalística em Londrina. Na tentativa de identificar os suspeitos da chacina, até mesmo uma goma de mascar fixada em uma das câmeras de segurança para impedir a gravação dos envolvidos nos assassinatos foi removida e encaminhada para exame de DNA. Alguns suspeitos tiveram objetos pessoais apreendidos como escovas de cabelo e aparelhos de barbear para a realização do confronto genético.

Apenas um dos laudos sobre o conteúdo periciado de um celular, de um HD e de um pendrive, ambos de um mesmo suspeito, geraram relatório final de mais de 9 mil páginas que devem ser analisadas pela Polícia Civil e o Ministério Público.

Em nota, a Sesp (Secretaria de Estado da Segurança Pública) informou que todas as necropsias solicitadas foram realizadas pelo Instituto Médico-Legal e os laudos entregues à Delegacia de Homicídios de Londrina. Já em relação à demanda repassada ao Instituto de Criminalística, "foram mais de cem exames relacionados a estes casos e a maioria dos laudos já foi concluído e encaminhado às autoridades respectivas. Restam, no Instituto de Criminalística, apenas dez exames, da área de equipamento computacional, que ainda estão sendo elaborados".

mockup