Benício Camilo tem 14 anos de idade e pratica o taekwondo desde os 11, acumulando 19 medalhas em competições da luta que iniciou para combater a obesidade infantil, também funcionando como uma virada de chave para que ele deixasse de sofrer bullying. Na faixa etária cadete - dos 12 aos 14 anos - acima de 61 kg, o adolescente é bicampeão brasileiro, venceu múltiplas competições estaduais e nacionais e integra a Seleção Paranaense em campeonatos de alto nível. Invicto na temporada 2026, tendo conquistado sete medalhas de ouro, seu próximo desafio será a Copa do Brasil de Taekwondo, marcada para o fim do mês em Fortaleza (CE). Porém, sua participação só será viabilizada se a família conseguir arcar financeiramente com o sonho.

As competições que mais marcaram o jovem foram os dois campeonatos brasileiros em que subiu no lugar mais alto do pódio, em 2024 e este ano, e os Jogos Escolares Brasileiros 2026, onde também se consagrou campeão. Além das relações de amizade forjadas, o último se destacou justamente porque o governo federal, por meio do Ministério do Esporte, financia a realização sem custo aos participantes.

Vencedor da Copa Paraná de Taekwondo 2026 em sua categoria, Benício foi classificado para a Copa do Brasil, assim como outros oito atletas que treinam na mesma academia - Escola DFight - e representariam Londrina na competição. Mesmo com a convocação, somente quatro terão recursos para ir a Fortaleza e assumir os gastos da viagem, com a família de Benício se mobilizando para que o menino seja um deles.

Sua mãe, Manuela Camilo, pede maior apoio da Prefeitura de Londrina, por meio da Fundação de Esportes, aos atletas pé-vermelho. “Nós sabemos que existem incentivos e tem verba que pode ser investida, mas a maioria dos atletas vive essa realidade de ficar correndo atrás, vendem rifa, doce, vão pro semáforo, fazem de tudo pra conseguir levantar dinheiro. São três anos seguidos do Benício sendo convocado pela Seleção Paranaense, e a gente não recebe nenhum incentivo. O meu questionamento é: para onde está indo toda essa verba? Porque a gente sabe que fica centralizado em academia X, academia Y, mas não chega pra todo mundo”, indagou a gerente comercial.

Sonho interrompido

Colegas de Benício, também com potencial para ir cada vez mais longe no esporte, tiveram que abandonar os treinos para trabalhar. “Eles travam, porque chega um momento que a família não consegue mais ajudar. Quantos atletas a gente conhece da academia que tiveram que parar? Que não podem esperar para viver disso, então desistem de um sonho e poderia ser alguém chegando numa Olimpíada”, lamentou a mãe. Além dos Jogos Olímpicos, o adolescente, que cursa o 7º ano no 2º Colégio da Polícia Militar do Paraná, no Jardim Leonor, ambiciona uma medalha de ouro no Campeonato Mundial de Taekwondo.

Para Benício, o cenário ideal seria a existência de um ranking municipal, com a promoção de auxílio financeiro viabilizando a participação de atletas de destaque em competições de todo o Brasil. Particularmente, a mãe segue promovendo iniciativas para bancar as viagens do atleta mirim, como um Festival de Massas beneficente no restaurante O Casarão, no dia 19. O valor por pessoa é de R$ 50, com pagamento antecipado na chave Pix (43) 99667-0595.

Fundo de apoio municipal

A gerente comercial foi convidada para uma reunião na FEL na terça-feira (29), junto de Vilmar Caus, o Mazinho, diretor técnico da Fundação, a mestra de Benício, Daiane Lemes, e o vereador Marcelo Oguido (PL). Camilo e Lemes conheceram mais sobre o Feipe (Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos), que designa recursos a diferentes propostas da cidade contempladas nos editais periódicos. Serão destinados mais de R$ 16 milhões entre 2026 e 2027.

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Prefeitura solicitando informações sobre o que ficou decidido no encontro, mas não recebeu retorno. A mãe de Benício contou que a iniciativa não é abrangente, visto que menores de 15 anos não podem ser incluídos e o Fundo banca somente inscrições a campeonatos estaduais. “O Mazinho se mostrou muito preocupado com a questão, falou que muitos atletas, de todos os esportes, têm reclamado, e que eles vão tentar mudar um pouco esse edital da forma que é destinado o Feipe”, celebrou a gerente.

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Benício solicitou ainda o plano de trabalho destinado ao taekwondo, porque quer "saber se existe alguma forma de conseguir um patrocínio, alguma verba para o Benício poder viajar representando Londrina na Copa do Brasil, e se esse valor realmente está sendo destinado aos atletas". "A discussão foi basicamente para mostrar que a gente está correndo atrás”, completou.

Para a mãe de Benício, “o esporte merece muito mais do que aplauso depois da medalha e nossos atletas precisam de apoio antes de chegar ao pódio”.

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