Justiça determina prisão preventiva de guardas municipais suspeitos da morte de Matheus Evangelista
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sexta-feira, 11 de maio de 2018
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 

A juíza da 1ª Vara Criminal de Londrina, Elizabeth Khater, acatou no fim da tarde desta sexta-feira (11) o pedido do Ministério Público e decretou a prisão preventiva dos guardas civis municipais Fernando Ferreira das Neves e Michael de Souza Garcia, acusados pela morte de Matheus Evangelista, de 18 anos, em 11 de março deste ano. A decisão saiu poucas horas depois de o promotor Ricardo Alves Rodrigues protocolar representação contra os suspeitos à Justiça. Eles são acusados de homicídio qualificado e fraude processual.
Para acatar a prisão preventiva, a magistrada levou em consideração a versão das testemunhas apresentada pelos guardas municipais que atenderam ao chamado de verificação de perturbação de sossego, na qual a vítima acabou morta. Segundo as testemunhas, os policiais, ao enquadrar os jovens, efetuaram disparos de arma de fogo - os relatos das testemunhas também coincide com a descrição dos agentes envolvidos. O registro do boletim de ocorrência feito por Neves, entretanto, diverge da versão ao registrar que a vítima teria sido baleada por outra pessoa.
"Provada a existência do crime e havendo indícios suficientes de sua autoria, a prisão preventiva deverá ser decretada, com o fito de garantir a ordem pública, para a conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal", despacha a magistrada, que também elenca a denúncia de testemunhas que teriam sido coagidas pelos agentes municipais.
Na mesma decisão, a juíza entendeu que o terceiro guarda civil municipal que atendeu à chamada não participou dos fatos que levaram ao homicídio de Evangelista, apesar de ter concorrido para a fraude processual. Por isso, determinou a suspensão do exercício das funções na corporação, mesmo em atividades administrativas e internas, e proibiu o porte de armas de fogo, mas acatou o pedido do MP de suspensão condicional do processo.
Antes do despacho, o advogado de Garcia, André Geraldino, disse considerar impertinente o pedido de prisão preventiva contra seu cliente, "uma vez que o próprio delegado é contrário, por não vislumbrar prejuízo de instrução criminal pelo fato de [o suspeito] não estar preso". Ele e a advogada de Neves, Mariana Rodrigues, aguardavam o despacho da juíza Elizabeth Kather para definir quais as medidas a serem tomadas.
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Relembre o caso
Evangelista foi morto durante uma ação da Guarda Civil Municipal para averiguação de perturbação do barulho. A vítima foi baleada no pescoço e levada pelos próprios agentes até o HU (Hospital Universitário), mas afirmavam que o rapaz já estava ferido quando chegaram. No decorrer das investigações, foi solicitada a prisão temporária dos investigados.
Laudo do Insituto de Criminalística (IC) apontou que o disparo que atingiu Evangelista não partiu da Glock 380 de Michael Garcia, mas, após a reconstituição do crime, com base nas versões dos três guardas e de uma testemunha, o titular da Delegacia de Homicídios, Ricardo Jorge, concluiu que o disparo teria partido da arma de Neves.


