Ana Carolyne da Silva Camilo, resgatada da região cachoeira do Salto das Orquídeas, em Sapopema (Norte), após cair de uma altura de quase 50 metros enquanto fazia trilha, segue internada no Hospital Evangélico de Londrina nesta terça-feira (28). Ela fraturou uma vértebra na lombar e iniciou, na segunda (27), fisioterapia e o uso de um colete imobilizador para proteger a coluna. A equipe médica segue avaliando a necessidade de cirurgia, com os profissionais também tratando o choque e trauma emocionais causados pelo acidente. A amiga que a acompanhava, Ana Paula Cardoso, segue desaparecida desde sábado (25).

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A jovem gravou um vídeo nesta terça expressando a indignação pelo fato de nenhum responsável pelo recanto Salto das Orquídeas ter notado a ausência da dupla, que se desequilibrou ao atravessar o curso d’água em um trecho com cordas e caiu no Rio Tibagi no sábado à tarde. Ana Carolyne foi encontrada na manhã seguinte pelos donos.

Ela disse ainda que, em todas as vezes que frequentou o espaço, nunca foi disponibilizado um guia especialista. “Você paga pelo camping e tem acesso livre às oito quedas que tem no parque, pra poder andar pela área e conhecer. Nenhuma das vezes que eu fui pra lá eu precisei avisar sobre descer e voltar, eles não fornecem nenhum tipo de guia nesse sentido. O proprietário sempre foi muito simpático, sempre fui muito bem atendida, mas eu nunca recebi nenhum tipo de apoio para estrutura”, recordou.

Ana Carolyne possui escoriações no rosto e corpo em decorrência da queda, apresentando fratura na vértebra L2 e dores na coluna. Ela finalizou o vídeo, gravado em “um momento muito difícil”, torcendo pelo resgate de Ana Paula.

“Estou preocupada com a saúde da minha amiga Ana, vibrando positivo para que ela possa ser encontrada com vida, porque ela é uma mulher forte e eu acredito na força que ela tem. Assim como eu consegui ter força, eu acredito que ela também vai ter força pra passar por isso”, almeja. “Aqui fica o meu apelo para que todas as pessoas possam ajudar e que o resgate não pare em nenhum instante, para que possam encontrar a minha amiga Ana”, finalizou.

Em nota divulgada em uma rede social, o Salto das Orquídeas informou que suspendeu as atividades de lazer “até o término dos procedimentos de resgate”.

Busca por Ana Paula

Órgãos oficiais seguem procurando Ana Paula Cardoso no local turístico. Na noite de segunda, drones com câmera termal sondaram a área novamente. Já por volta das 7h20 de terça, os voluntários e as forças de resgate retomaram as atividades tanto no Salto das Orquídeas como nas propriedades vizinhas. Mergulhadores e cães farejadores estão em atividade, ainda sem indícios da londrinense. As buscas seguem no período da tarde.

O coronel Hudson Teixeira, secretário da Segurança Pública do Paraná, concedeu entrevista coletiva sobre o andamento da busca, salientando a “corrida contra o tempo” e o desejo de encontrar a jovem com vida. Relatou que uma investigação segue a cargo da Polícia Civil, sendo que Ana Carolyne prestou depoimento ao delegado de Curiúva (Norte Pioneiro) na manhã de terça. “A investigação do ocorrido, uma vez que é só essa versão que está sendo apresentada, é feita pela Polícia Civil. Nós não descartamos, também não fazemos nenhum pré-julgamento de ninguém, todas as possibilidades estão sendo apuradas, todo o material que foi recolhido aqui, desde relógio, desde celular, vai ser periciado para ver se as versões realmente são verdadeiras”.

Teixeira completou dizendo que foram percorridos mais de 20 quilômetros de área terrestre, incluindo “uma varredura em toda a trilha, para ver se não houve nenhum acidente ali ou se alguma coisa não está dentro do contexto apresentado pela senhora Ana Carolyne”.

‘Meu chão caiu’

A jovem internada contou que chamou Ana Paula para acampar no último fim de semana para descansar, após ter enfrentado momentos difíceis nos últimos meses. Ao chegar no recanto, a dupla assinou um termo de responsabilidade.

“Nós íamos somente ao mirante por conta do perigo, a gente sabia que tinha chovido antes. Quando estávamos atravessando o rio, a gente percebeu que a água estava no nosso quadril e que dava pra fazer a travessia, porém, quando eu olhei pra trás, a Ana havia escorregado, e eu retornei pra ajudar ela a levantar”, contou Ana Carolyne. Neste momento, ela se desequilibrou e passou para o outro lado da corda, tendo mais dificuldade para se segurar. Ela disse para a amiga não soltar a corda logo antes de ser levada pela correnteza.

Após a longa queda, boiou até conseguir se apoiar em uma pedra. Passadas algumas horas, sem ver a amiga caindo como ela, imaginou que Ana Paula tivesse conseguido voltar e pedir socorro. Quando o dia amanheceu, começou a falar em voz alta “Ana, espero que você esteja viva”, e se deixou levar pela correnteza na esperança de encontrar alguém. Conseguiu atravessar o rio desta maneira, se apoiando em pedras, e um rapaz a localizou.

“Ele olhou pra mim e perguntou ‘cadê a sua amiga?’ Eu falei: ‘eu não sei, ela não está aqui?’ Porque eu estava convicta de que ela estava lá. Na hora que ele falou que não, eu comecei a chorar desesperadamente, aí meu chão caiu, tudo que eu não pensei emocionalmente veio nesse momento”, disse Ana Carolyne. O homem ajudou ela a subir a trilha, sendo que quando chegaram ao destino, o dono da pousada teria questionado o motivo da falta de aviso da dupla. A mulher justificou que esta foi a quarta vez em que esteve no local e em nenhuma ocasião foi reportada a necessidade de comunicar a partida.

A jovem pediu que as autoridades “tomem as melhores providências possíveis com relação ao acidente, para que ninguém nunca passe pelo que passamos e que sejam responsabilizadas as pessoas do lugar, pela falta de estrutura, pela falta de guia, pelo cuidado mesmo com o ser humano, com a vida de alguém”.

(Atualizada às 18h30)
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