O HU (Hospital Universitário) vai utilizar parte de mais de R$ 1,4 milhão de uma dívida paga nesta segunda-feira (23) pela Prefeitura de Londrina de prestação de serviços do SUS (Serviço Único de Saúde) para comprar entre dois ou três equipamentos de endoscopia iguais aos oito que foram furtados na semana passada. A Polícia Civil prendeu quatro suspeitos, três colombianos e uma brasileira, em Ubiratã, região central do Paraná, mas conseguiu recuperar apenas os acessórios dos aparelhos, como válvulas. O prejuízo chega a quase R$ 1 milhão.

Imagem ilustrativa da imagem HU vai usar dinheiro de dívida para repor aparelhos furtados
| Foto: Assessoria HU

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Delegado acredita que aparelhos do HU iriam para a Colômbia

Após furto, HU busca alternativas para não prejudicar exames

O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Osmir Neves, suspeita que os itens tenham sido enviados para a Colômbia. De acordo com a superintendente do HU, Vivian Feijó, o repasse da administração municipal deveria ser feito até dezembro, mas foi antecipado em boa hora. "Agora, vou rearranjar o orçamento para que possamos adquirir parcialmente o que foi levado. A princípio, compraremos um colonoscópio e um endoscópio, que são os mais utilizados. Nesse momento, estamos levantando os preços. Não há estimativa de prazo ainda da aquisição, mas estamos correndo contra o tempo", disse.

Depois que a pesquisa de custos for concluída, o próximo passo é licitar a compra. Enquanto isso, a direção do HU remanejou um aparelho do Hospital de Clínicas da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e pegou emprestado outros dois do Zona Norte e Zona Sul. "Não dá pra fazer a mesma quantidade de exames. Antes do furto, emitíamos cerca de 200 diagnósticos por mês, mas tivemos uma redução de pelo menos 50%. Todos que agendaram as consultas podem comparecer normalmente. Se houver qualquer mudança, avisaremos com antecedência", afirmou a superintendente. Além de Londrina, o setor de endoscopia atende 21 municípios da 17ª Regional de Saúde.

A dívida total do HU com a prefeitura é de mais de R$ 6,2 milhões, mas faltam apenas R$ 2,2 milhões. O restante foi quitado pela gestão do prefeito Marcelo Belinati (PP) em 2017, 2018 e neste ano. "Estamos pagando os débitos com todos os hospitais que têm contrato com a prefeitura. No HU, a previsão é que tudo seja saldado até o ano que vem. Por ser a maior instituição pública de saúde do interior do Paraná, é claro que o prejuízo no atendimento pode afetar outros setores, como a rede municipal. Ainda não sentimos esse impacto", comentou o secretário responsável pela pasta, Felippe Machado.

Os quatro suspeitos continuam presos preventivamente em Londrina. No início da noite desta segunda, a defesa de uma das investigadas, Adriana Maia Mota, teve o pedido de habeas corpus negado em caráter liminar pelo desembargador Gamaliel Seme Scaff, do Tribunal de Justiça do Paraná. Durante audiência de custódia nesta terça (23) na Vara de Execuções Penais, a detenção dela foi mantida. A Justiça ficou de marcar outra data para que um tradutor auxilie nos esclarecimentos dos outros suspeitos.

"Entendemos que a decisão que decretou a prisão preventiva é ilegal. Não traz qualquer elemento que fundamente a detenção. O único motivo mencionado pelo magistrado seria o flagrante policial, o que não pode servir para que ela fique na cadeia por tempo indeterminado", diz a nota enviada à reportagem pelos advogados Lucas Andrey Battini, Guilherme Maistro Tenório Araújo e Eduardo Lange.

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