Delegado acredita que aparelhos do HU iriam para a Colômbia
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sexta-feira, 19 de julho de 2019
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 
A Polícia Civil de Londrina identificou quatro suspeitos do furto de equipamentos do HU (Hospital Universitário). Eles foram apresentados na manhã desta sexta-feira (19) e seguem agora para os Centros Integrados de Triagem. O furto foi descoberto na manhã de quinta-feira (18) quando uma funcionária do hospital encontrou a porta arrombada. Os aparelhos de endoscopia seriam enviados para a Colômbia, segundo o delegado-chefe da Polícia Civil, Osmir Neves.
Uma brasileira, Adriana Maia Motta, 38, e três colombianos, César Augusto Gomes Tez, 27 e os amigos Maritza Carlina Moreno, 32, e Jerson Canchon, 24, foram indiciados por associação criminosa e furto qualificado. Por meio das câmeras de segurança do HU, a Polícia identificou a rota de fuga e em parceria com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) fez um cerco nas rodovias. O carro dos suspeitos foi interceptado na BR-369 em Ubiratã, cerca de 300km de Londrina. De acordo com a Polícia, no carro, parte dos equipamentos foram recuperados: aproximadamente 20 peças de acessórios dos aparelhos de endoscopia, como válvulas.

Segundo Neves, o restante dos objetos furtados já teria sido enviado para a transportadora. O delegado explica que uma mulher se passou por paciente para entrar no hospital. A polícia também conseguiu imagens do hotel em que os quatro estavam hospedados, na região leste.
Neves explica que eles fugiam em direção ao Paraguai e que pelo modo da ação deles, parte dos objetos subtraídos seriam despachados por empresas transportadoras para a Colômbia, que é o país de origem. Situações semelhantes a esse furto ocorreram em outras cidades, como em Cornélio Procópio. Os equipamentos que lá foram furtados foram de fato despachados para a Colômbia, de acordo com o delegado. “Uma parte dos equipamentos ainda não foi recuperada, pelo menos foi identificado que são eles os autores certamente do crime praticado aqui em Londrina e também em Cornélio Procópio, lá houve uma subtração e eles estiveram na cidade. Já temos condições de vinculá-los também aquele crime”, afirmou.
O delegado, contudo, disse que as empresas usadas para o transporte seriam aleatórias e não teriam vinculação com a ação criminosa. “Apenas despachavam o material”. O colombiano César Augusto Gomes Tez já tinha passagem por crime de furto semelhante em Curitiba. “Acreditamos que eles tenham ações em todo o País”.
O FURTO
O quarteto estava na cidade de passagem. Antes, estiveram em Cornélio Procópio, onde também ficaram em um hotel. “A partir das investigações colhidas em Cornélio por conta do veículo que eles estariam usando, que inclusive foi objeto de reparo mecânico naquela cidade, foi feito um cerco . A partir do momento que identificamos o veículo repassamos informações para a PRF que acabou fazendo a abordagem no posto da rodovia que liga ao município de Foz do Iguaçu”, explicou o delegado.

Lá, a PRF encontrou as válvulas dos aparelhos no interior do veículo. “Os próximos passos é tentar recuperar objetos que ainda não foram localizados. É um prejuízo considerável, apesar de ter sido recuperado parte. Também há um prejuízo de aspecto social porque prejudica pessoas que se valeriam de exames”. O HU estima que meio milhão tenha sido furtado. “Um valor considerável ainda continua perdido”, disse Neves.
DEPOIMENTOS
Em depoimentos para a Polícia Civil, os colombianos se negaram a falar. Moreno se limitou a dizer que mora em Bogotá e que estava há cerca de 15 dias no Brasil. Tez afirmou que foi preso em 2015 por furto do mesmo material e que tem residência fixa em São Paulo, onde mora a namorada brasileira, Adriana.
Adriana foi a única a falar e negou o furto. “Eu não furtei nada. Cesar me chamou para ir até Foz do Iguaçu porque o carimbo do passaporte dele iria vencer dia 17. Só que quando a gente estava chegando em Cornélio o carro quebrou”.
A brasileira disse que o carro era da filha dela. “Na terça-feira (16) cedo eu procurei mecânico em Cornélio e pedi para ele ver o que era, disse que era o câmbio. Deixei o carro lá até ficar pronto para seguirmos viagem”, contou.
Mas, nesse meio tempo, ela teria procurado um hospital em Cornélio porque estaria com hemorragia devido a um período menstrual extenso. “Procurei o hospital para ver o que era, mas falaram que não iriam me atender porque não tinha ginecologista. Eu teria que procurar um consultório particular. Não procurei e depois eu vim para Londrina no hospital daqui”, disse.
A suspeita explicou que seu namorado teria dito que o casal de amigos colombianos iria encontrá-los em Londrina e que iriam para Foz juntos. “Deixei o carro arrumando e viemos para Londrina de ônibus, foi assim que eu conheci os dois colombianos.”
Em Londrina, Adriana alega que não chegou a entrar no HU, mas foi acompanhada de todos – o namorado e o casal de amigos colombianos – procurar atendimento. “Eles não me atenderam porque estava com muita lotação naquele dia [na quarta-feira (18)].” Ela relata que Cesar teria dito “espera aqui que eu vou olhar uma coisa”, e não viu mais os colombianos.
A brasileira explicou ainda que tinha de colocar no correio um notebook para a filha dela. Computador que ela teria ganhado de presente do casal de amigos colombianos. “Como Cesar estava demorando eu fui ao correio, na agência da rodoviária, e lá postei unicamente o notebook”.
Enquanto isso, o trio estrangeiro permaneceu no HU. “Não sei o que eles ficaram fazendo lá”. Adriana era a única que teria o aplicativo Uber no celular, então, segundo ela, voltou para o HU para poder pedir o transporte para todos e voltarem para o hotel. “Quando eu voltei, eles já estavam fora do HU. Chamei o Uber e a gente foi na rodoviária, almoçou e foi para o hotel”.
Ela argumenta que eles teriam passado o dia no hotel, exceto Cesar, que teria saído. “Não sei para onde ele foi. Nem sabia que ele tinha passagem na polícia”.
Quando a PRF revistou a mala do quarteto na rodovia, nada foi encontrado, segundo a brasileira. “Eles revistaram todas nossas coisas e não encontraram nada e depois levaram a gente para a delegacia. Não os vi revistando as coisas porque ficamos trancados em uma sala, quando sai todas nossas coisas estavam jogadas pelo chão, não sei onde estavam as válvulas, eu não furtei nada”.
A superintendente do HU, Vivian Feijó, reconheceu os objetos furtados, que já estão no hospital. Enquanto isso, o hospital empresta equipamentos dos hospitais da zona norte e zona sul, além do Hospital das Clínicas para manter os atendimentos, mas, agora, com uma agenda restrita sem os aparelhos furtados.
A defesa de Adriana informou que tem ciência das suspeitas da Polícia Civil e vai entrar com possível Habeas Corpus caso a prisão preventiva seja decretada na audiência de custódia, que possivelmente deve acontecer no início da semana que vem.
(Atualizada às 18h19)


