Homem é condenado por feminicídio de adolescente indígena no PR
Réu de 68 anos já estava preso preventivamente; crime aconteceu em uma aldeia de Guaíra e chocou a comunidade Avá-Guarani
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Réu de 68 anos já estava preso preventivamente; crime aconteceu em uma aldeia de Guaíra e chocou a comunidade Avá-Guarani

O Tribunal do Júri de Guaíra (Oeste), condenou um homem 68 anos pelo feminicídio de uma adolescente de 17 anos, integrante da comunidade indígena Avá-Guarani. A pena fixada foi de 31 anos e 3 meses de reclusão, em regime inicial fechado. O réu, que já estava preso preventivamente, permanecerá recolhido para o cumprimento da condenação, como informou o promotor de Justiça Renan Guilherme Góes de Lima. O julgamento ocorreu na sexta-feira (24).
O crime ocorreu em 20 de fevereiro de 2025, na Aldeia Tekoha Yhovy, em Guaíra. Conforme apurado nas investigações, o denunciado foi até a residência da vítima e, aproveitando-se do momento em que ela estava sozinha na companhia de duas crianças, desferiu diversos golpes de arma branca contra a adolescente, que morreu no local. Após o crime, o autor fugiu.
Na denúncia, o Ministério Público sustentou que o homicídio foi praticado por razões da condição do sexo feminino, no contexto de relação íntima de afeto e de menosprezo à condição de mulher, configurando o crime de feminicídio. Também foram reconhecidas as qualificadoras do emprego de meio cruel e do recurso que dificultou a defesa da vítima, surpreendida em sua própria residência.
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Feminicídio qualificado
Durante o julgamento, os integrantes do Conselho de Sentença acolheram integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público, condenando o réu por feminicídio qualificado, conforme descrito na denúncia. Os jurados rejeitaram os argumentos da defesa, que buscava afastar a qualificadora do feminicídio e sustentava a ocorrência de legítima defesa.
Na sentença, o Juízo também fixou indenização mínima de R$ 50 mil aos familiares da vítima pelos danos decorrentes do crime.
O promotor de Justiça informou que membros do povo Avá-Guarani acompanharam o julgamento do início ao fim, "em uma presença que traduziu a busca da comunidade por justiça e o respeito à memória da adolescente".
(Com informações do MPPR)


Da Redação
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