Três funcionários da loja Pneu Z, localizada no centro de Londrina, foram presos nesta segunda-feira (15) após a denúncia de uma cliente, que registrou um boletim de ocorrência alegando a cobrança de valores abusivos e não acordados previamente. Os R$ 459 que ela pagaria pela troca de dois pneus se tornaram R$ 4.584 na hora do acerto, sendo que ela também foi xingada por um dos homens. A filial é alvo de reclamações há anos por venda casada, com a PC (Polícia Civil) atrás de outras vítimas que foram lesadas. Sedes em outros municípios do Paraná e São Paulo foram fechadas, alvos de operações.

Os suspeitos, que poderão responder na Justiça por estelionato ou crime contra a relação de consumo, são um mecânico, um supervisor e um vendedor da loja. Edgard Soriani, delegado responsável pela investigação, explicou o modus operandi do trio, começando com a venda de pneus muito abaixo do preço de mercado e com o alinhamento e balanceamento inclusos.

“Eles atraem a clientela falando que para o pneu ter a garantia de cinco anos é necessário que o carro esteja em perfeitas condições. Então para eles poderem dar a garantia, você tem que fazer a substituição das peças que eles estão exigindo. Aí é que está o golpe, porque eles exigem uma manutenção que não é necessária e com preço exorbitante. Se você bater o pé, falar que só quer a montagem, podem cobrar por terem desmontado o carro”, pontuou Soriani.

Cliente e chefe ofendidos

No caso da denúncia que levou à prisão dos funcionários, ficou decidido que a cliente pagaria R$ 459 pela troca de dois pneus. O valor subiu para R$ 4.584 por conta de supostos vazamentos e substituição de peças. O chefe da governanta foi até o local quando ficou sabendo do preço que sua funcionária teria que pagar, com os dois sendo alvos de xingamentos por um dos funcionários, contou a mulher em depoimento. Um dos homens teria levantado a voz e chamado o patrão de “um velho sem-vergonha que estava cuidando muito da empregada”. A mulher sentiu que foi “tachada de vagabunda”, constrangida e com medo de uma briga acontecer.

Quando ela disse que não teria dinheiro para pagar a conta, o funcionário fez ofertas sequenciais de valores menores, até que a cliente pediu que os pneus antigos fossem recolocados. O homem negou, alegando que havia trocado uma peça e não conseguiria cumprir com o desejado. Assim, a governanta se dirigiu até a delegacia para denunciar o ocorrido. Soriani orçou o mesmo serviço em dois locais distintos, recebendo valores muito abaixo do que o cobrado na Pneu Z - R$ 1.500 e R$ 2.200.

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Rede é investigada em diferentes estados

Durante os interrogatórios, os homens alegaram que prestavam serviços normais e que as manutenções eram devidas. A reportagem entrou em contato com a defesa de um dos suspeitos e com a empresa, mas não obteve retorno.

Duas pessoas registraram boletins de ocorrência contra o estabelecimento em janeiro, sendo que uma foi cobrada R$ 18 mil pela troca de pneus e reposição de peças. Soriani ouviu mais uma vítima na tarde de terça (16), lesada no ano passado.

A rede é investigada pela PC por aplicar golpes em diferentes estados, sendo que no Paraná, foram fechadas as filiais em Curitiba e São José dos Pinhais, e em São Paulo, a loja de Mogi das Cruzes.

Contando que outras empresas de Londrina já foram pegas aplicando o mesmo golpe, o delegado incentivou a denúncia de quem foi enganado, tanto à Delegacia de Estelionatos quanto ao Procon (Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor). O órgão foi oficiado para que tome providências contra a Pneu Z.

Para não serem caloteados, Soriani orientou os consumidores a prezar pelo preço médio. “Se você quiser economizar e comprar um produto mais em conta, vai acabar comprando um roubado ou falsificado. Tem que pesquisar se a loja tem alguma reclamação e procurar as mais velhas, que já tem mais credibilidade”.

Golpe é antigo

Entre os lesados pelo estabelecimentos está David, motorista de táxi aposentado que optou por não informar o sobrenome. Na pandemia, trocou dois pneus com a promessa do alinhamento e balanceamento gratuitos, mas recebeu um veículo com “várias peças da suspensão dianteira trocadas sem minha autorização”.

“O que seria uma despesa de aproximadamente R$ 400 subiu para R$ 1.600, e não havia acordo, pois já estava pronto, e se eu não aceitasse, teria que pagar duas mãos de obra. Acabei pagando, mas sempre que alguém diz que vai lá, eu aviso o que eles irão fazer."

Outra londrinense, que preferiu não se identificar, contou que foi vítima da empresa há cinco anos. “Comprei os pneus e, quando foram colocar, disseram que havia peças quebradas e que não daria para montar os pneus se não as trocasse. Fui obrigada a trocar as tais peças, que nem sei se realmente foram trocadas, e ficou perto de R$ 2 mil”, lamentou.

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