Advogado da família de Thaissa aponta seis possíveis qualificadoras para crime
Novo assistente de acusação cita premeditação, motivo torpe e meio cruel; exame de necropsia identificou 44 facadas e lesão cervical como causas da morte
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Novo assistente de acusação cita premeditação, motivo torpe e meio cruel; exame de necropsia identificou 44 facadas e lesão cervical como causas da morte

O advogado Mauro Martins vai atuar como assistente de acusação para a família de Thaissa Gabriely de Oliveira Marques no caso que investiga seu assassinato ocorrido na tarde de sexta-feira (11). Representante dos familiares desde a noite de segunda (14), Martins afirma que os dados coletados até o momento indicam ao menos seis agravantes para o crime. Já o advogado de Gabriel de Andrade, Antonio Magalhães, estuda deixar a defesa do suspeito. A vítima foi atingida por 44 facadas, apontadas pela Polícia Científica de Londrina como a causa da morte junto de uma lesão sofrida na cervical.
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Como assistente de acusação, o papel de Martins será acompanhar os procedimentos do inquérito, requerer novas diligências, se considerar necessário, acompanhar o depoimento das testemunhas e verificar as possibilidades de qualificadoras, ou seja, os agravantes do caso. Andrade foi autuado pela PCPR (Polícia Civil do Paraná) por homicídio qualificado e tentativa de estupro, o que precisa ser confirmado no curso das investigações. “Ainda não tive acesso aos autos, mas a habilitação deve ocorrer hoje. Mas, a meu ver, as qualificadoras ficam evidentes”, diz.
O primeiro ponto ressaltado por Martins seria a premeditação do crime. “Aquela não foi a primeira vez que ele foi à academia. Há provas de que teria estado lá outras vezes, inclusive com a finalidade de entregar currículo”, afirma o advogado. Porém, para ele, esta possível motivação não fica clara, continua Martins. “Ele pode ter ido antes para verificar o local, descobrir onde havia câmeras de segurança, encontrar as brechas para entrar e sair do local impune”, sugere.
Outra qualificadora seria o motivo torpe do crime, que pode ser a recusa pelo ato sexual, aponta o advogado. De acordo com a polícia, o suspeito teria dito que pretendia abusar sexualmente da vítima. O número de facadas desferidas, 44, caracterizaria a qualificadora de meio cruel, e o fato de ele ter surpreendido Thaissa poderia configurar recurso que impossibilitou a defesa dela.
Martins ainda considera que o assassinato pode configurar a tentativa de esconder um crime anterior, que seria a tentativa de estupro, e provas coletadas no local do crime ainda indicam possível tentativa de ocultação de cadáver. “A perícia constatou, preliminarmente, marcas de arrasto no local onde ela foi agredida, ou seja, ele pode ter tentado esconder o corpo”, diz Martins.
Criminalmente, o caso é apurado como homicídio qualificado, mas, se houver comprovação de que o assassinato decorreu de uma tentativa de abuso, a caracterização mudaria para feminicídio. Se todas as qualificadoras forem confirmadas, as penas somadas passam de 50 anos.
Causa da morte
Luciano Bucharles, chefe do Instituto de Criminalística de Londrina, confirmou a identificação de 44 facadas por meio do exame de necropsia. Thaissa também sofreu uma lesão cervical, possivelmente pela força Andrade exerceu com as mãos durante o ataque. A soma das agressões foi a causa da morte. O perito disse que não é possível atestar, com base na hemorragia apresentada, se a vítima faleceu antes mesmo de o assassino terminar de desferir os golpes.
A perícia irá esclarecer a suspeita de violência sexual, tentada ou consumada. Conforme o delegado Magno Miranda, durante a confissão informal aos policiais, Andrade teria relatado uma investida sexual contra Thaíssa antes do ataque. Bucharles informou que a comprovação de tentativa de abuso segue “em investigação”.
O resultado do laudo foi encaminhado à PC. Amostras do corpo da jovem foram colhidas para exames laboratoriais complementares, sendo que a Polícia Científica não pode "divulgar antecipadamente quais são e quais objetivos”, ressaltou Bucharles. A coleta de eventual material genético encontrado sob as unhas de Thaíssa poderá indicar se houve contato físico entre a vítima e o investigado durante a luta corporal.
Defesa
Procurado na manhã desta terça, o advogado de defesa de Gabriel de Andrade, Antônio Magalhães, disse que, devido ao caso estar em segredo de justiça, só se manifestaria nos autos. Entretanto, na tarde de segunda-feira (14), Magalhães afirmou que iria substabelecer o caso para outro profissional, ou seja, deixaria a defesa ao encargo de outra pessoa.
A justificativa foi que ele assumiu o caso porque a família de Andrade já é cliente de seu sócio em outras causas e que pegou o caso em respeito à família e à urgência. Porém, como seu sócio atua no município de Sertaneja, a ideia era passar para outro advogado que pudesse acompanhar o inquérito mais de perto.
Questionado novamente na manhã desta terça, Magalhães admitiu que o substabelecimento ainda é estudado.
Relembre o caso
Taíssa foi encontrada morta no estacionamento de uma academia que será inaugurada na Avenida Celso Garcia Cid, zona leste de Londrina, na última sexta. Antes da localização do corpo, Andrade caminhava para o local, com um ferimento nas mãos. Ele pediu ajuda, dizendo ter sofrido um assalto, e foi acolhido em uma oficina mecânica, até a chegada da Polícia Militar.
Porém, após o corpo ter sido encontrado, ele teria assumido aos policiais a autoria do crime. Ele foi socorrido e preso em flagrante, mas a prisão foi convertida em preventiva (sem prazo para soltura) em audiência de custódia.
Câmeras de segurança de estabelecimentos ao redor identificaram que Andrade teria treinado em outra academia à frente e ido para casa trocar de roupa. Mais tarde, imagens registram o momento em que ele aborda Taíssa e, após uma breve conversa, eles entram no estacionamento, no último registro da vítima com vida. Mais tarde, as gravações mostram Andrade indo até a entrada e apertando o botão para fechar a entrada.
Durante o depoimento à Polícia Civil, ele teria dito que sofreu um “apagão” do momento em que chega ao local do crime até o momento em que é socorrido.
Thaíssa foi sepultada no sábado (12), no Cemitério Padre Anchieta. (Colaborou Heloísa Gonçalves)


Luis Fernando Wiltemburg
Repórter de Cidades.





