Jovem é morta a facadas após tentativa de estupro em Londrina
Suspeito de 21 anos foi preso em flagrante e, segundo a polícia, admitiu que pretendia violentar a vítima antes de matá-la
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sábado, 12 de setembro de 2026
Suspeito de 21 anos foi preso em flagrante e, segundo a polícia, admitiu que pretendia violentar a vítima antes de matá-la

Uma jovem de 21 anos foi morta a facadas no local em que estava trabalhando, após o autor do feminicídio não conseguir consumar estupro, na tarde desta sexta-feira (11). Thaissa Gabriely de Oliveira Marques foi assassinada por Gabriel de Almeida, também de 21 anos, que teria assumido à polícia que pretendia estuprá-la. Ele foi preso em flagrante.
De acordo com a PCPR (Polícia Civil do Paraná), a mulher foi encontrada gravemente ferida dentro da academia ainda em obras na Avenida Celso Garcia Cid, com cerca de 30 lesões provocadas por arma branca. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) constatou a morte ainda no local.
A ocorrência teve início, entretanto, quando a PM Polícia Militar) foi chamada porque Almeida estaria ferido na mão, pedindo socorro na Rua Débora, próximo ao local do crime. De acordo com o BO (Boletim de Ocorrência,), a informação inicial foi que ele teria sido vítima de um roubo. Porém, no mesmo acionamento, os agentes foram informados de uma pessoa ferida em uma uniadde da Smart Fit na Avenida Celso Garcia Cid.
De acordo com a polícia, enquanto recebia atendimento, Andrade admitiu ter esfaqueado a vítima e, ainda segundo a corporação, teria declarado que pretendia estuprá-la e que, não conseguindo consumar o ato, acabou por matá-la. Andrade foi encaminhado para atendimento médico e, após o atendimento, autuado em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de estupro, permanecendo à disposição da Justiça.
A PCPR requisitou exames periciais, incluindo necropsia, procedimentos que possa identificar violência sexual e coleta de possível material genético sob as unhas da vítima. As diligências complementares relacionadas ao crime sexual serão prosseguidas pela Delegacia da Mulher de Londrina.
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Estudante de nutrição, Thaissa foi velada na capela da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina) e o enterro estava previsto para as 17h, no Cemitério Padre Anchieta.
A Prefeitura de Londrina emitiu nota oficial se solidarizando com a família e reforçou “seu compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher”no município.
Feminicídio sem vínculo íntimo
O caso que chocou a cidade, provocou manifestação do Néias - Observatório de Feminicídios de Londrina. Em nota de indignação e solidariedade, a entidade classificou a morte de Thaissa como feminicídio e destacou que não é necessário existir vínculo íntimo ou familiar entre vítima e autor para que o crime seja caracterizado dessa forma.
Segundo o observatório, a legislação brasileira reconhece como razões da condição do sexo feminino tanto a violência doméstica e familiar quanto o menosprezo ou a discriminação à condição de mulher. Para o Néias, essa segunda hipótese deve ser considerada na investigação do caso.
A entidade ressaltou que mulheres podem ser vítimas de feminicídio mesmo quando assassinadas por homens desconhecidos, em situações nas quais a condição de mulher está relacionada à escolha da vítima, à abordagem ou à violência praticada.
“Não se trata de uma tragédia sem explicação”, afirma o observatório, que cobra uma investigação rigorosa, com perspectiva de gênero, além da responsabilização do autor nos termos da lei.
O Néias também defendeu que as políticas públicas de prevenção ao feminicídio considerem os diferentes contextos em que mulheres são assassinadas, incluindo casos ocorridos em espaços públicos e envolvendo desconhecidos.
O Lesfem (Laboratório Sobre Estudos de Feminicídios) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) também emitiu nota se solidarizando com a família e amigos e ressaltando que Thaissa tinha "nome, história, vínculos e projeto de vida". "Cursava Nutrição, construía uma trajetória acadêmica, tinha uma rede de afeto que hoje enfrenta essa perda irreparável", afirma em manifestação pública.
O laboratório também ressalta que seu feminicídio não é um caso isolado, "mas parte de uma estrutura que o Lesfem monitora e denuncia". Em outra publicação, ressalta que a ausência de vínculos entre ambos não afasta a tipificação do crime contra as mulheres.


Da Redação
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