Setor quer fomentar erva única do Estado
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de junho de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

Mais de 30 mil famílias de produtores paranaenses têm a erva-mate como uma das alternativas de renda dentro da propriedade, mas muitos ainda não dão o devido cuidado a ela, trabalhando apenas de forma extrativista ou sem os cuidados de manejo adequados. Mas, de cinco anos para cá o setor busca se profissionalizar, tanto em relação a técnicas de manejo, comercialização, parcerias com entidades de pesquisa e extensão e, claro, valorizar a erva produzida no Estado.
Uma das estratégias é fomentar a erva-mate sombreada que por suas características genéticas e de ambientação tem sabor único – mais suave – atendendo melhor o paladar do consumidor brasileiro e forte potencial de exportação. Nenhum outro estado ou país da América do Sul produz erva com tais características. O Território do Vale do Iguaçu é o maior produtor de erva-mate sombreada do mundo.
Na próxima semana, dia 25, representantes do Cogemate (Conselho Gestor da Erva-Mate do Vale do Iguaçu), formado este ano, tem uma reunião com o governador Ratinho Junior (PSD) e o secretário da agricultura, Norberto Ortigara, para apresentar o conselho pela primeira vez e pedir apoio ao poder público para fomentar o setor.
O produtor Naldo Hiraki Vaz, de Bituruna, na região Sul, é presidente de Associação Biturunense da Erva-Mate e do Cogemate. Vaz tem uma história interessante: paulistano da capital, formado em administração de empresas, experiência em gestão corporativa e construção civil, abandonou tudo para focar na produção da erva há cinco anos. Hoje, além dessa representatividade no setor, ele é um dos quatro produtores do mundo de erva-mate com a certificação internacional do FSC (Forest Stewardship Council), “Conselho de Manejo Florestal”, em português, a mais importante do globo.
A produção de Vaz, numa área de 26 hectares no Sítio Três Meninos, gira em torno de 110 toneladas em safra com duração de 18 meses no sistema de sombreamento adensado. Toda a sua produção é comercializada no exterior devido a parceria com uma empresa do setor, sendo utilizada como erva para chimarrão. “Hoje, 80% do nosso erval ainda é de mudas. Em seis a oito anos, queremos produzir uma safra de 400 toneladas.”
Para Vaz, os produtores precisam ser melhor acompanhados, apesar do trabalho forte do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) e Emater na região, ainda está longe do ideal. “A falta de informação não é problema, mas eles precisam entender que a forma com que fazem (o manejo) ainda é errada, desde a aplicações de defensivos biológicos ou produtos proibidos, poda ou roçada em épocas erradas, adubação química sem análise de solo. Falta esse aprendizado, fazer esse acompanhamento na propriedade...”
Outro ponto importante, segundo o representante do setor, é “o manejo florestal com lei, sempre com foco atento nas questões ambientais” (para realizar o extrativismo) e valorização do produto. “É preciso um resgate dessa valorização (por se tratar de uma erva com características únicas) e cuidar na natureza, felizmente o setor começa a entender isso.”
LEIA TAMBÉM:
- 'É preciso trazer o conhecimento para dentro do erval'


